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PEDIDOS DO PEDAL

Ciclistas de Mogi entregam lista de reivindicações para o trânsito

É urgente que Mogi ofereça segurança aos ciclistas, na avaliação dos usuários do modal da cidade; veja o que eles pedem

Silvia Chimello
21/05/2022 às 08:26.
Atualizado em 22/05/2022 às 13:19

DE PERTO Ciclistas percorreram a ciclofaixa da João XXIII (Arquivo O Diário)

Os coletivos de Mogi das Cruzes se unem para exigir do poder público municipal uma maior atenção aos ciclistas da cidade, levando em consideração a crescente violência que se observa no trânsito ultimamente. Foram três casos de mortes em apenas 30 dias no município, entre os meses de abril e maio.

Essas pessoas que usam da bicicleta como meio de transporte, ciclistas amadores e atletas, elaboraram um ofício, encaminhando à Prefeitura, com uma lista de reivindicações para a realização de obras de melhorias, instalação e a adequação de ciclofaixas na cidade, bem como a instalação de bicicletários públicos e a criação de um plano cicloviário local. 
Os ciclistas também acompanharam uma vistoria da Prefeitura e apontaram a necessidade de adequações no projeto de construção da nova ciclofaixa, entre o Socorro e César de Souza, pela avenida João XXIII (leia nas páginas 8 e 9).

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Mogi das Cruzes conta com 32,38 quilômetros de vias cicláveis, o que inclui ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas existentes em diversas regiões da cidade, como os distritos de Jundiapeba, Braz e César de Souza, além do bairro Vila Industrial e da região central. O índice é o maior de toda a região do Alto Tietê.

  

Vistoria sugere adequações na ciclofaixa da João XXIII

Um grupo de ciclista da cidade apontou uma série de adequações que precisam ser feitas no projeto da implantação da nova ciclofaixa da avenida João XXIII durante a vistoria realizada no trecho. Eles seguiram a pé, ao lado da titular da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Cristiane Ayres, e técnicos da pasta para avaliar o que ainda precisa ser melhorado a fim de deixar o local seguro. 

Repetidas vezes, a secretaria explicou que estava fazendo a vistoria para que os próprios ciclistas apontassem o que pode ser melhorado no projeto, avaliando as possibilidades técnicas de executar. A nova ciclofaixa se inicia nas proximidades da praça Paulo Vaz Romero, no Socorro, e percorre a avenida Vereador Narciso Yague Guimarães pela pista sentido bairro-centro. Ela termina no encontro da João XXIII com as avenidas Dante Jordão Stoppa e a Presidente Castello Branco. 

Entre os pontos mais críticos do trajeto está a rotatória no encontro das três avenidas - em frente à Elgin, onde foi discutida a necessidade de instalação de uma faixa para travessia de bicicletas. Foi solicitado reforço na sinalização da conversão da avenida Júlio Perotti para a João XXIII, onde há intenso trânsito de caminhão. 

Os cliclistas também falaram sobre a necessidade de placas de trânsito próximo à avenida Santa Rita, indicando os espaços preferenciais para as bicicletas naquele trecho, onde o tráfego de veículos é intenso. Foi discutida ainda a instalação de linha de estímulo de redução de velocidade, próximo à ponte sobre o rio Tietê, no sentido centro-bairro.

Pouca coisa será mudada no trecho que vai da ponte até o início da Dante Jordão Stoppa. Nesse percurso, as bicicletas vão ter que compartilhar a calçada com os pedestres. Deve ser providenciada a sinalização de solo para dividir o espaço. A secretaria disse que poderá pedir melhorias na pavimentação das calçadas para os proprietários dos imóveis desse trecho, que precisa ter melhor iluminação.

O ciclista Daniel Roberto Soares lembra do atraso da obra da ciclovia, previstas incialmente para serem entregues em setembro de 2021, sem previsão ainda para ser concluída pela Prefeitura. “A gente entende que o poder público tem morosidade por questões burocráticas, mas nós da sociedade civil temos que nos organizar e cobrar, como estamos fazendo agora”, reforça. Quanto à vistoria, ele avalia que “as adaptações sugeridas são necessárias para minimizar as chances de acidentes”. Afirma, no entanto, que ainda tem vários pontos que precisam ser discutidos na cidade.

O arquiteto Paulo Pinhal, que propôs a instalação da ciclofaixa leste-oeste, projeto do Colégio de Arquitetos e Urbanistas e do Coletivo MTB Mogi, declara que ainda há muito o que fazer para aumentar a segurança no trânsito da cidade, porém, enfatiza a disposição da secretária em discutir os problemas. “Isso já é um avanço a ser considerado. Acho importante ela ouvir o que as pessoas têm para acrescentar e avaliar o que pode ser feito dentro do orçamento, de forma segura”, reforçou.

 As solicitações
São mais de 450 assinaturas de adesão

- Interdição das ciclofaixas e ciclovias da Av. João XXIII, até que a obra seja concluída e esteja segura para os ciclistas, em concomitância à ação educativa de agentes de trânsito para a conscientização dos condutores do compartilhamento da via, respeitando, nos termos da lei, a ciclorrota existente; 

- Atualização do relatório do Plano de Mobilidade Urbana, conforme estabelecido pela lei nº 7334/18;

- Instalação da ciclofaixa Leste-Oeste, projeto do Colégio de Arquitetos e Urbanistas de Mogi e do Coletivo MTB Mogi, apresentado ao Poder Público em 2020;

- Adequação da ciclofaixa da Av. Gov. Adhemar de Barros para calçada compartilhada, só erguendo o nível da sarjeta à calçada, ampliando-a;

- Sinalização horizontal da ciclorrota da Av. Narciso Yague Guimarães;

- Revitalização das ciclofaixas de lazer no Centro;

- Interdição parcial de vias durante os treinos de atletas, em especial da Av. das Orquídeas e da Av. Cívica, nas noites de quarta, quando ocorre o Projeto Pedalar,  sexta e durante as 24h de domingo;

- Ciclofaixa de lazer do Socorro à César de Souza (prometida em 2021), garantindo o tráfego seguro de turistas e munícipes às principais rotas de cicloturismo da cidade;

- Interligação dos trechos cicláveis da cidade, permitindo a comunicação entre bairros e entres eles e Centro;

- Ciclofaixa na rodovia Professor Alfredo Rolim de Moura, conforme o projeto do Parque da Várzea do Tietê;

- Eliminação dos pontos cegos da ciclovia da Vila Industrial;

- Instalação de “bollards” nas ciclofaixas da Av. Anchieta em frente à Estação Brás Cubas e na Adhemar de Barros, nos cruzamentos da passagem nível;

- Instalação de bicicletários públicos, cercados, cobertos, com vigilância e controle de acesso na sede da Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes e prédios anexos, Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, Terminal Central, Terminal Estudantes e Terminal Rodoviário Geraldo Scavone;

- Constante veiculação de campanhas educativas de trânsito nos espaços públicos e nos principais meios de comunicação locais e nas redes sociais;

-  Fiscalização móvel e fixa, humana e eletrônica, de velocidade na Av. Yoshiteru Onishi, Av. Lothar Waldemar Hoehne, Av. Kaoru Hiramatsu, nas demais avenidas principais e nas rodovias Mogi-Salesópolis e Mogi-Bertioga;

- Inclusão de dois membros ciclistas, na qualidade de representantes de entidades civis de defesa dos interesses coletivos, no Conselho Municipal de Transportes.

 Sem data para concluir Plano Cicloviário 

Ciclofaixa na avenida Vereador Narciso Yague Guimarães (Eisner Soares)

A Secretaria de Mobilidade Urbana informa que vai analisar todas as sugestões para  adequações e melhorias no projeto de instalação da ciclofaixa da avenida João XXIII, que foram propostas pelos ciclistas durante a vistoria feita na noite desta segunda-feira (16), no trecho destinado a circulação de bicicletas, com a presença de representantes da pasta, Cristiane Ayres, que foi até lá para conversar e ouvir a opinião dos próprios usuários da via.

 “Todas as propostas serão analisadas e atendidas conforme a viabilidade técnica”, segundo informações da Secretaria. Porém, pasta esclarece que “ainda não há data para finalização dos trabalhos”, mas adianta que “a meta é concluir nas próximas semanas”.

Sobre a segurança no trânsito, a administração municipal esclarece que está promovendo a campanha do Maio Amarelo (“Juntos Salvamos Vidas”), para conscientização sobre medidas de segurança no trânsito, com instalação de faixas e placas específicas para ciclistas e motoristas.  
O plano de ampliação das vias cicláveis, no entanto, ainda está em andamento, com estudos para a implantação de mais 30 quilômetros de ciclovias, que vai ser implementado dentro do projeto de mobilidade urbana para o desenvolvimento da região leste da cidade, o programa Viva Mogi.

A Prefeitura também informa que busca recursos federais para a revisão do Plano de Mobilidade Urbana, que define as diretrizes para toda a mobilidade do município, e para a elaboração do Plano Cicloviário a cidade. Hoje, Mogi tem uma malha cicloviária, com 32,38 km de vias cicláveis, o maior índice de toda a região do Alto Tietê. 

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