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POLÊMICA

Câmara de Mogi se recusa a convocar secretário para explicar ameaças à vereadora Malu

Vereadores da base de apoio do prefeito Caio Cunha (PSDB) e de oposição demoraram mais de duas horas discutindo o tema e trocando farpas na sessão desta quarta-feira (09).

Silvia Chimello
09/11/2022 às 19:10.
Atualizado em 09/11/2022 às 19:38

Vereadores rejeitam por 14 votos a oito o requerimento que pedia convocação do secretario adjunto (Divulgação/CMMC)

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Câmara de Mogi se recusa a convocar secretário para explicar ameaças à vereadora Malu

Vereadores da base de apoio do prefeito Caio Cunha (PSDB) e de oposição demoraram mais de duas horas discutindo o tema e trocando farpas na sessão desta quarta-feira (09).

Silvia Chimello
09/11/2022 às 19:10.
Atualizado em 09/11/2022 às 19:38

Vereadores rejeitam por 14 votos a oito o requerimento que pedia convocação do secretario adjunto (Divulgação/CMMC)

A maioria dos vereadores da Câmara de Mogi se recusou a convocar o secretário-adjunto de Governo, Rubens Pedro de Oliveira, para ir até o Legislativo explicar as denúncias de ameaças e assédio moral feitas pela vereadora Malu Fernandes (SD), que reclamou de uma tentativa dele de coagi-la para impedir que ela faça questionamentos sobre ações da atual gestão.  

O caso foi decidido em plenário durante a sessão desta quarta-feira (9), em uma votação que rejeitou por 14 a 8 um requerimento apresentado pelo vereador Iduigues Ferreira Martins (PT), pedindo a convocação do adjunto para esclarecer as ameaças feitas à colega. Os parlamentares da base do prefeito Caio Cunha (PSDB) e outros de oposição demoraram mais de duas horas discutindo o tema e trocando farpas.

“O secretário precisa vir explicar as ameaças que a vereadora disse que recebeu de que as portas da Prefeitura estariam fechadas para ela por conta dos requerimentos encaminhados à gestão pedindo explicações sobre escolas especiais, transportes, maternidade e outros temas”, argumentou Iduigues.

O petista defendeu a prerrogativa dos vereadores em questionar a administração e disse que “é inaceitável a tentativa de diminuir a vereadora que está simplesmente exercendo a sua função que é de questionar”. Ele alega ainda que isso fere a independência dos poderes.

Os vereadores Francimário Vieira de Macedo – Farofa (PL), Inês Paz (PSOL) e Mauro Yokoyama (PL) defenderam a convocação do secretário. Farofa disse que tem conhecimento de mensagens de Rubens, encaminhadas pelo WhatsApp, ameaçando outros vereadores, dizendo que se votassem contra o prefeito não teriam os seus pedidos atendidos e que os servidores indicados por eles para a Prefeitura seriam dispensados.

“Parabéns vereadora Malu pela coragem que muitos aqui não tiveram. Já ouvi áudio de mensagem que ele (adjunto) mandou para outros vereadores com esse mesmo tipo de ameaça e assédio moral, falando da vereadora Inês e de mim. Isso é muito sério. Estranho ver vereador não fazer a defesa desta Casa”, criticou Farofa.

Porém, vereadores como Gustavo Siqueira (PSDB) - empossado na terça-feira para ocupar a vaga deixada por Pedro Komura (PSDB) para assumir um cargo de secretário de Desenvolvimento na Prefeitura -  questionaram.

“Temos que partir de um princípio de que alguém falou e quem é a pessoa do meio? Se começar a iniciar situações para que diretores e secretários e outros venham aqui responder e não tiver quem falou, é complicado, porque até agora não foi falado quem foi o interlocutor dessa mensagem”, argumentou.

O vereador Clodoaldo de Moraes (PL) também sugeriu que as denúncias poderiam ser “fofoca, que não deveria ser levada adiante". “Trazer secretário para falar de fofocas, de recado enviado por terceiros, é fazer a Câmara ficar pequena. Não tem fatos, documentos, gravação e nem nada para apresentar. Temos outros assuntos mais importantes para tratar”, alegou. Otto Rezende (PSD) seguiu na mesma linha.

Malu, no entanto, reforçou as denúncias e disse que “o recado foi transmitido por um funcionário da Prefeitura”, a pedido de Rubens Pedro. Como integrante da base do governo do prefeito Caio Cunha (PODE) na Câmara, ela voltou a dizer que “sempre trabalhou em parceria com a prefeitura”, que dificilmente faz críticas à administração e sempre procura ser uma vereadora propositiva.   

“Poucas vezes venho aqui para criticar ou apontar falhas. Mas pode acreditar que se eu subi aqui é porque se trata de uma convicção, e não um boato. Não me envolvo em boatos. Respeito o mandato que represento. E, se o adjunto está alegando que não me deu nenhum recado, porque não vem aqui para explicar? Deveria vir até aqui dizer. Acho que não tem problema a gente esclarecer o fato. Não é conversa de padaria”, reforçou Malu

O presidente da Casa, Marcos Furlan (PODE), disse que o certo seria convidar o secretário em vez de convocar. Imediatamente, Iduigues fez um requerimento verbal pedindo para que ele fosse então convidado, mas novamente a proposta foi rejeitada durante a sessão, que votou também dois  projetos de denominações de ruas, um de utilidade pública e um título de cidadania. 

 Resposta

A reportagem de O Diário questionou a Prefeitura sobre essas denúncias, e obteve a seguinte nota como resposta: “O relacionamento entre o Executivo e o Legislativo municipal se dá de forma harmônica, dentro dos preceitos constitucionais, cada qual com suas atribuições e autonomia.

O Executivo respeita o discurso da nobre vereadora e vai apurar os fatos. Contudo, já é possível adiantar que em momento algum a atual gestão tentou cercear a atividade de qualquer parlamentar”.

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