A Helbor Empreendimentos S/A, representada pelo diretor-executivo Henrique Borenstein, encaminhou à Justiça um pedido de explicações dirigido ao ex-candidato a prefeito de Mogi das Cruzes, Rodrigo Valverde (PT), a respeito de declarações feitas em lives, vídeos e no programa eleitoral do partido, com referências diretas ao “Grupo Helbor”, “Grupo Borenstein e Família Helbor”.

Na solicitação encaminhada ao juiz de Direito do Juizado Especial Criminal de Mogi das Cruzes, após historiar detalhadamente as declarações de Valverde sobre supostos benefícios auferidos pelo Grupo Helbor junto ao poder público de Mogi, o empresário pede que o político responda a quem ele se refere ao mencionar Grupo Helbor, Grupo Borenstein e Família Helbor em três vídeos gravados; quais seriam os empreendimentos da Helbor beneficiados com R$ 400 milhões, quais seriam os benefícios obtidos pela Helbor e quem seriam os “coronéis” a quem ele se refere nos vídeos, em qual contexto se insere este termo e por qual razão foi utilizado.

Diante disso, requer a notificação de Rodrigo Valverde para que preste suas explicações acerca dos fatos apresentados, “sob pena de, em caso de recusa, ou de não serem estas consideradas satisfatórias vir a ser proposta competente ação penal para apurar a prática de crime contra a honra da empresa e empresário”.

 Vídeos

Ao expor as razões do pedido de explicações, a Helbor é apresentada como uma empresa que iniciou suas atividades em Mogi no ano de 1977, tendo se expandido para outros estados, até se tornar “ uma ds principais empresas do ramo no País”, em cuja trajetória desenvolveu mais de 250 projetos, que somam mais de 7,5 milhões de metros quadrados, num total de 40 mil unidades, entre casas, apartamentos, salas comerciais e outros. Possui empreendimentos em 31 cidades de 10 estados do País e Distrito Federal. Só em Mogi, foram 37 empreendientos e mais de 7 mil unidades residenciais.

“É uma empresa respeitada pela seriedade, competência e transparência em seus trabalhos e em sua gestão, sendo constituída em bases sólidas, que permitiram o enfrentamento de períodos de crises econômicas e a realização constante de investimentos”, afirma a empresa  para demonstrar “perplexidade” diante das declarações do ex-candidato a prefeito de Mogi.

Numa live no Facebook, em 15 de outubro,o candidato teria feito uma retomada da história da cidade para afirmar que “Mogi sempre foi dominada por seletas famílias”, proprietárias de imóveis, donos de mineradoras, madeireiras, etc, dentre elas, o “Grupo Borenstein” que, segundo Valverde, “tinham seus interesses gerenciados por Waldemar Costa Filho e outros políticos, a exemplo do prefeito Marcus Melo”.

Valverde, segundo a denúncia, continuou, em tom acusatório, que o atual prefeito “servindo a pequenos grupos”, estes que estariam “se apropriando das terras, do subsolo, da comunicação em massa, dos lucros, do trabalho e da mão de obra” dos cidadãos, dando continuidade à exploração da população mais pobre em favor dos mais ricos. Mas que por não possui habilidades políticas de seus antecessores, Melo teria escancarado seus objetivos de favorecer determinadas empresas por meio de obras públicas.

Ainda conforme o documento enviado ao juiz, o candidato teria afirmado que Marcus Melo “pegou R$ 400 milhões dos nossos impostos, de todos os mogianos, e vai aplicar nas proximidades do empreendimento privado do Grupo Helbor”, no Rodeio. Verbas que,segundo Valverde, poderiam resolver problemas históricos da cidade, seriam direcionadas a “um gigante empreendimento (...) para a família Helbor lucrar”.

Na mesma oportunidade, o candidato que vai romper “com esses donos da cidade, Grupo Helbor, Grupo Julio Simões,  Grupo Horii, que impedem novos investimentos e a criação de novos empregos na cidade.”, lembrando ainda que “a cidade estaria de baixo do braço de alguns coronéis”. O vídeo recebeu 251 curtidas e 367 comentários.

O documento diz ainda que no dia 11 de novembro, no programa eleitoral gratuito transmitido pela tevê, “Rodrigo Valverde profere uma série de ofensas direcionadas a servidores públicos comissionados, empresários e empresas de diversos ramos, entre elas a Helbor que, segundo ele, financiam e bancam a campanha do atual prefeito”.

Após voltar a acusar o prefeito de “aplicar o nosso dinheiro, R$ 400 milhões, para beneficiar empreendimentos da Helbor na região do Rodeio”, o documento ressalta que o candidato ainda inseriu no vídeo, em vermelho, o nome da Helbor.

A petição lembra que parte da propaganda do candidato chegou a ser retirada do ar pela Justiça Eleitoral por conter  ofensas ao prefeito Marcus Melo.

Passadas as eleições, em que o candidato não se elegeu, Valverde teria voltado ao Facebook para dizer que “não foi desta vez que a cidade venceu os coronéis”, já que Melo continuava disputando o segundo turno.

“Constata-se, por todo o exposto que Rodrigo Valverde promoveu uma incansável  cruzada difamatória contra a Helbor Empreendimentos S.A., cujos contornos merecem ser melhor esclarecidos, o que enseja o atual pedido de explicações”.

Segundo a Helbor, “são contundentes as afirmativas de que a companhia é recebedora de benefícios advindos da Prefeitura de Mogi, mediante o direcionamento de recursos públicos, de maneira indevida, para regiões nas quais estão localizados os seus empreendimentos”.

Na visão da empresa, “não parece outro o objetivo de Valverde, senão dolosamente macular a reputação da empresa, ao afirmar e reafirmar que ela teria sido agraciada com R$ 400 milhões, destinados exclusivamente a aumentar seus lucros”.

“Nada mais injustificado e absurdo, visto que a Helbor, no mercado há 43 anos, já deu inúmeras demonstrações de  seu compromisso com o crescimento e desenvolvimento da cidade de Mogi, tendo realizado importantes projetos de integração com a comunidade, contribuído com diversas entidades assistenciais e criado, por meio de suas atividades, milhares de empregos para a população”, afirma ainda a empresa, ao justificar o pedido de explicações.

“Cumpre ressaltar, todavia, que não obstante o caráter difamatório das afirmativas seja claro, o modo como foram registradas está a recomendar a propositura da presente medida  preparatória”, diz o documento.

Procurado pela reportagem de O Diário, Rodrigo Valverde disse que ainda não foi comunicado sobre o pedido de informações pela Justiça, mas que está tranquilo. "Tudo o que falei na campanha são fatos e não dá para questionar fatos. O projeto +Mogi Ecotietê, com investimento de R$ 400 milhões, vai valorizar demais o empreendimento privado dele (Henrique Borenstein) ao redor da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Rodeio. Só falei a verdade. A prova disso é que o prefeito (Marcus Melo) entrou com processo contra todos os meus programas e perdeu todos. O mesmo vai acontecer desta vez", explicou Valderde.