A família do empresário Alex Ferrari foi surpreendida na tarde de quinta-feira por um visitante raro, encontrado na área externa da casa da família, que reside às margens do belissimo rio Paraíba do Sul, no centro de Guararema. Tranquilamente, como é peculiar a ele, um bicho-preguiça adulto estava ao lado de vasos de flores.

Curioso, o animal explorou as proximidades das floreiras e rendeu oportunidade para fotografias feitas pela família.

Natural da Mata Atlântica, encontros com bichos-preguiça não são tão raros nas estradas que interligam Guararema e Mogi das Cruzes. Alex mesmo, há alguns anos, viu um deles, na rodovia Henrique Eroles. Na oportunidade, para prevenir um acidente, com a ajuda de blusas que estavam no interior do carro, ele a retirou da via.

Na quinta-feira, no entanto, como o visitante estava dentro de casa, o morador acionou o Corpo de Bombeiros. "É o caminho mais correto", comentou, afirmando que em poucos minutos, os bombeiros retiraram o animal e o devolveram à mata.

Intriga saber qual foi o caminho percorrido pelo animal para chegar até o quintal da residência, que está a poucos metros do rio. Ele pode ter chegado nadando. O bicho-preguiça é mais conhecido pela lentidão dos movimentos e por dormir, em média, 14 horas por dia. Há piadas, personagens de desenho e muitas histórias explorando esse comportamento.  Porém, pouca atenção se dá ao fato de ele ser um excelente nadador.

O animal não é apresentado como um indivíduo ameaçado de extinção na maior parte do Brasil. Mas especialistas afirmam que algumas espécies, em estados do Nordeste, correm esse risco pela redução dos espaços verdes. Na região, felizmente, isso não acontece.

O homem se tornou o maior predador do mamífero com o desaparecimento de alguns de seus inimigos naturais: felinos de grande porte e aves de rapina; esses, sim, em número cada vez menor nos países das Américas do Sul e Central.

Acidentes em rodovias são frequentes nas cidades do Alto Tietê, que ainda possuem uma grande cobertura vegetal legada pelas serras do Mar e do Itapeti. Esse problema alimenta uma antiga luta pela criação de um Cetas (Centro de Triagen de Animais Silvestres) em Mogi.

Alex Ferrari conta que, por viver na região ribeirinha do Paraíba do Sul, o encontro com capivaras e lagartos de médio porte são corriqueiros. Bicho-preguiça é unusual.A família de Ferrari reside no endereço há 25 anos e trocou São Paulo pela cidade conhecida por predicados como a boa qualidade de vida.

Saiba mais

Animais desta espécie vivem cerca de 60 anos e têm hábitos solitários - só se encontram para acasalar com os parceiros e seguem vivendo sozinhos. Estão quase sempre nas copas de árvores, de onde descem para fazer as necessidades fisiológicas uma vez por semana. No mais, alimentam-se de folhas e gostam mesmo é de dormir.

O período de gestação de um bicho-preguiça leva seis meses, como conta Helivânia Sardinha dos Santos, em artigo no site Biologianet.

O filhote é amamentado durante quatro semanas e logo é deixado pela mãe, para seguir o mesmo caminho dos pais: uma vida solitária. Por isso, o encontro deste animal em um quintal chamar tanta atenção.