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EM ESTADO GRAVE

Bebê de Mogi que ingeriu soda cáustica consegue transferência, mas retorna ao Luzia

Lunna, que ingeriu soda cáustica no último dia 11, precisa fazer endoscopia e broncostomia; ela foi para o HC de São Paulo mas voltou sem realizar os exames

Heitor HerrusoPublicado em 26/11/2021 às 19:07Atualizado há 2 meses
Arquivo pessoal - Natália Ferreira Alves
Arquivo pessoal - Natália Ferreira Alves

A bebê Lunna, de um ano e três meses, continua internada no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes. Ela ingeriu soda cáustica por acidente há 16 dias, e desde então já passou cirurgia e aguarda por uma transferência para outra unidade de saúde, especializada em pediatria, para fazer uma endoscopia. Na última quinta-feira (25), chegou a ser encaminhada para o Hospital das Clínicas de São Paulo, mas o exame não foi realizado.

Segundo a mãe de Lunna, a manicure Natália Ferreira Alves, de 23 anos, a menina aguardava uma vaga via Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) e foi apenas parcialmente atendida.

Na quarta-feira (24), Natália diz ter sido informada de que no dia seguinte seria transferida para a capital junto de sua filha, o que de fato aconteceu. "Saímos às 5 horas, chegamos quase às 7h30 e o médico disse que desconhecia nossa chegada lá, que não podia ficar com minha filha lá porque não tinha leito. E o oxigênio dela acabando".

A mãe continua: "Ele tinha oportunidade de aprovar os exames que minha filha precisa, que é uma endoscopia e uma broncostomia, mas não quis aprovar e mandou a menina de volta. Ela chegou com a pressão alta. O estado é delicado e necessita desses procedimentos".

A versão da Secretaria Estadual de Saúde, que encaminhou uma nota sobre o caso a O Diário, é diferente. "A paciente segue recebendo toda a assistência para suas necessidades clínicas atuais no Hospital de Clínicas Luzia Pinho Melo por equipe multidisciplinar. Na última quinta-feira (25), passou por avaliação ambulatorial no Hospital das Clínicas de São Paulo com equipe especializada de cirurgia infantil e retornou ao Luzia no mesmo dia para continuidade do tratamento. Um retorno está programado para a primeira quinzena de dezembro no Instituto da Criança e do Adolescente do HC para nova avaliação".

Procurado desde a última quinta-feira (25), o HC de São Paulo se manifestou nesta segunda (29). A nota enviada - e portanto o posicionamento - é exatamente igual ao texto encaminhado pela Secretaria Estadual de Saúde.

 Relembre o caso

Lunna ingeriu soda cáustica no último dia 11. Ela encostou a boca em um medidor que foi usado para manipular soda cáustica para preparo de sabão. 

“Eu estava em casa, como qualquer outro dia. Tinha acabado de preparar o sabão dela, de soda. Já tinha colocado a mistura do produto dentro o sabão, e a mistura estava bem guardada. Só que o medidor que foi usado e já tinha sido lavado com água, ficou em cima da ponta da mesa. A Lunna, por ser um pouquinho grande, conseguiu alcançar. Foi nessa hora que passou na boca”, conta.

Mesmo que não houvesse muita soda cáustica no objeto, somente “o resíduo de água misturada”, foi o suficiente para que a bebê ficasse mal imediatamente. Afinal, quando ingerida, essa substância pode queimar todos os tecidos em que toca, desde os lábios até ao estômago, provocando dor e necessitando de cirurgia para ser removida do organismo.

Natália não demorou a sair para procurar ajuda, e conseguiu que um vizinho a levasse até o hospital mais próximo. Mas o quadro se agravou no meio do caminho. “Como ela estava desfalecendo, paramos no DP (Departamento de Polícia), e eles fizeram manobra para desengasgar, só que isso levou um tempinho”.

De lá os policiais levaram Lunna “para UPA de Jundiapeba e depois para o Luzia”, onde a menina passou por uma cirurgia na própria quinta-feira (11), para remover o produto ingerido. O quadro é grave. Leia mais.

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