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PROJETO

Arquiteto propõe construir uma "praçarela" na Dr. Deodato

Estrutura une uma praça e uma passarela para atrair público, garantir a mobilidade e a atividade comercial no centro

Eliane José
24/04/2022 às 17:00.
Atualizado em 24/04/2022 às 16:59

NA DEODATO Milhares de pessoas utilizam a passagem para pedestre mantida aberta pela CPTM, após pressão popular e política: fechamento prejudica a mobilidade e o comércio (Eisner Soares)

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PROJETO

Arquiteto propõe construir uma "praçarela" na Dr. Deodato

Estrutura une uma praça e uma passarela para atrair público, garantir a mobilidade e a atividade comercial no centro

Eliane José
24/04/2022 às 17:00.
Atualizado em 24/04/2022 às 16:59

NA DEODATO Milhares de pessoas utilizam a passagem para pedestre mantida aberta pela CPTM, após pressão popular e política: fechamento prejudica a mobilidade e o comércio (Eisner Soares)

Surge como uma provocação na definição do arquiteto, urbanista e professor universitário mogiano Paulo Sérgio Pinhal, um projeto que soma uma praça + uma passarela e propõe solução construtiva inusitada para o impasse criado não apenas pelo fechamento definitivo da passagem de nível da rua Dr. Deodato Wertheimer, mas como uma aposta para vitalizar a região central de Mogi das Cruzes, na divisa com o bairro do Mogilar. 

A “praçarela” foi concebida em meio à enxurrada de repercussões surgidas no final do ano passado quando a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) anunciou que iria acabar com o acesso para pedestres - por hora ainda mantido - entre as duas partes da cidade, dividida pela linha ferroviária (leia matéria aqui). 

QUEM SABE? O arquiteto Paulo Pinhal sugere a construção de uma praça e uma passarela, na rua Dr. Deodato, como meio para atrair o público ao Centro e Mogilar (Divulgação)

(Divulgação)

Após a reação popular e do poder público, a estatal voltou alguns passos e adiou o que pode determinar mais uma “área morta” da região central, conforme resume Pinhal, ao defender que o fim da passagem para os moradores moldará um duro golpe na luta por preservar e valorizar o perímetro afetado negativamente por outras intervenções que inibem a circulação de pessoas e criam fatores que desqualificam o uso e a ocupação do antigo núcleo urbano mogiano.

O arquiteto admite que a “praçarela” pode parecer utópica e cara para os cofres e gestores municipais, mas adverte que os cerca de R$ 10 milhões estimados para executar a obra não atenderiam apenas a uma situação imediata, mas ao crescimento da cidade, favorecendo a recuperação do papel social e do poderio imobiliário e comercial do centro.

A matemática é simples: a descentralização da ocupação urbana tem impactado a vida no miolo central que depende da circulação e atração das pessoas para se manter ativo após as lojas e bancos fecharem as portas.

“No passado, quando foi feita uma pesquisa para saber se Mogi das Cruzes comportaria um shopping a resposta foi a de que não haveria público para um empreendimento desse porte. Algum tempo depois, a cidade carece do segundo shopping”, compara, para tocar em seara nevrálgica: a execução de propostas arquitetônicas e construtivas pontuais e desconectadas do planejamento futuro.

“Na prática as soluções adotadas pelas gestões são muito mais caras e não contribuem para resolver os nossos problemas urbanos. Os próprios gestores não escutam seus funcionários capacitados e experientes nas decisões e levam (adotam) a interferências políticas que são desastrosas para a cidade”, diz, apontando exemplos recentes, como o Parque da Cidade, de onde foram retiradas plantas nativas, segundo ele, para o plantio de espécies que não duraram quase nada.

A “praçarela” surgiria como opção para cruzar as duas partes da cidade, mas com a oferta de espaços e equipamentos para atividades como shows, caminhadas, compras e interação social – inclusive, se tornaria um mirante para a observação da paisagem central.

Para executar o projeto, Pinhal propõe o modelo que o governo do Estado tenta efetivar para reconstruir e gerir as estações Mogi, Jundiapeba e Estudantes: uma Parceria Público Privada (PPP). 

Com escadas rolantes e rampas, a praçarela poderia nascer pouco depois calçadão da Dr. Deodato Wertheimer, com saída do outro lado da linha férrea e também pela rua Navajas, para integrar o entorno e permitir a passagem pública e a integração com o comércio e moradias nas proximidades.

Pinhal vê com preocupação do fim da passagem e o efeito em empreendimentos como o próprio Mogi Plaza e os demais comércios instalados na rua Dr. Deodato Wertheimer, já na parte do Mogilar.

“O centro está morrendo e a mudança nessa tendência dependerá do que os gestores e a sociedade civil entenderem como resposta para essa situação”, adverte.

Para ele, estrangulamentos criados por recuos e construções em pontos de ônibus como os promovidos na Praça Oswaldo Cruz já “estão minando a vida na região central, afugentando tanto as pessoas que poderiam circular a pé como moradores da região central”. “Pedaços da praça são retirados, assim como os elementos verdes. Há um desestímulo às pessoas que antes frequentavam e viviam naquela região”, resume
“A praçarela, admito, é uma provocação, mas é uma provocação que não está fora nem mesmo das condições atuais da Prefeitura, que terá um orçamento, neste ano, superior a R$ 2 bilhões”, sinaliza ele.

 DESAFIO
Centro fica deserto após fechamento das lojas

A construção de uma praçarela e/ou a adoção de soluções para atrair as pessoas ao centro visam revitalizar a área que perde moradores com a descentralização da ocupação urbana e fica deserta à noite porque passou a concentrar lojas, serviços e atividades que encerram o expediente por volta de 18 horas.

A “praçarela” para a rua Dr. Deodato Wertheimer seria composta por quatro escadas rolantes, além de duas escadas normais e dois elevadores. Esses acessos iriam permitir a circulação das pessoas em cima da linha ferroviária. (Divulgação)

  

O projeto de Pinhal

(Divulgação)


A “praçarela” para a rua Dr. Deodato Wertheimer seria composta por quatro escadas rolantes, além de duas escadas normais e dois elevadores.

Esses acessos iriam permitir a circulação das pessoas em cima da linha ferroviária.
A praça, planejada para propor a convivência social, teria espaços e equipamentos para o lazer, atividades como exposição e shows, além de um posto policial 24 horas, espaço para guardar as bicicletas, e uma ampla iluminação.

Outro destaque da ideia, atualiza o foco na atração e no conforto do público: a instalação de banheiros públicos, o que a região central não possui.

Esses recursos tratariam de manter a praça aberta e com a presença de pessoas, na opinião de Paulo Pinhal, autor da proposta. “Precisamos de dar vida ao centro, e não apenas durante o dia”, convoca o mogiano que tem riscado muitos planos, apresentados em redes sociais. Entre os resultados positivos das ideias do urbanista, em suas redes sociais e em reportagens publicadas por O Diário, um dos mais profícuos, foi a transformação do antigo prédio da Telefônica no Centro Cultural de Mogi das Cruzes.

 Incerteza
Desde a visita do governador Rodrigo Garcia (PSDB) a Mogi das Cruzes, no final do mês passado, ainda não há uma resposta sobre como seria a alternativa planejada pela CPTM para oferecer, em prazo ligeiro, uma passarela para os moradores cruzarem a linha ferroviária, sem ter de esperar pela passagem dos trens. De concreto, o que ficou prometido: a suspensão do fechamento do acesso para pedestre na Dr. Deodato, previsto em acordo anteriormente firmado com a Prefeitura, para julho.

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