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Os peregrinos

A exaustão toma conta do padre Alessandro, antes da difícil chegada até Leon

Certos de que precisam chegar ao fim do Caminho de Santiago dentro do prazo estipulado, os viajantes tentam andar mais rápido. Mas o cansaço também é inclemente

DARWIN VALENTEPublicado em 20/10/2021 às 01:09Atualizado há 2 meses

A busca para tentar cumprir todo o trajeto do Caminho de Santiago até os primeiros dias do mês de novembro está exigindo um grande esforço de padre Alessandro e seus dois acompanhantes, que aparecem exaustos nas imagens enviadas por eles nas últimas horas. Desde que deixaram Burgos, após a esticada até Bilbao para uma visita à Irmã Maria Gonzales, da congregação Instituto Amor Misericordioso, uma incentivadora do padre em sua vida religiosa, os viajantes parecem ter dado conta de que se não apertarem um pouco mais o passo, dificilmente irão conseguir atingir o objetivo dentro do prazo previsto.

E como as passagens de volta já têm data marcada, a alternativa foi pôr os pés na estrada e tentar caminhar o mais rápido possível para alcançar a cidade de Leon, ficando mais próximos da metade do caminho até a Catedral de Santiago de Compostela, em plena Galícia, na região noroeste da Espanha.

As paradas, cada vez mais rápidas, são suficientes para almoço, janta e pernoite e, no máximo, uma visita a um templo católico para carimbar o passaporte de viagem, a chamada “compostela”. E foi assim que padre Alessandro e seus dois companheiros de viagem deixaram para trás Arroyo Sambol, Castrojeriz, Fromista, Carrión de Los Condes, Cervatos, Sahagun, El Burgo Ranero e Mansila de las Mulas, para, enfim se aproximarem da esperada Leon.

Pelo caminho, numa dessas paradas, padre Alessandro pôde conhecer mais uma das maravilhas arquitetônicas de séculos passados. Uma igreja dedicada a Santa Maria.

“São impressionantes as igrejas do Caminho de Santiago. Você sofre, cansa, se sacrifica ainda mais quando bate a dor por todo o corpo, mas a cada parada no meio do caminho você se encontra com uma beleza como esta igreja do século XII ou XIV. Aproveita para entrar, carimbar o passaporte e se deslumbrar com tamanha beleza. É impressionante”, disse padre Alessandro, admirando o interior da igreja de Santa Maria, situada num dos pequenos povoados ultrapassados por eles.

Mas deixemos um pouco de lado os nossos bravos viajantes para que possamos explicar, afinal, o que é o tal “passaporte” a que o padre se referiu. A jornalista Eliane José, que já percorreu o Caminho de Santiago, conta o que é, na verdade, esse documento, na verdade, uma relíquia de viagem.

“A compostela, uma espécie de passaporte dos peregrinos, é o nome de um certificado que confirma a passagem por um dos caminhos entre a França ou Portugal até Santiago, um dos destinos católicos mais conhecidos do mundo. Para receber a compostela, um documento criado pela Igreja Católica, e expedido ao final da jornada, em um centro de atendimento ao peregrino, ao lado da Catedral de Composto, é necessário ter percorrido ao menos 100 quilômetros a pé ou de bicicleta, e apresentar os carimbos obtidos em hospedagens, restaurantes e outros pontos de acolhimento existentes entre as vilas e cidades do caminho”. 

Segundo ela, “esse certificado surgiu nos séculos IX e X, quando começou a peregrinação ao túmulo de Santiago Maior, na Espanha. O caminhante não precisa pagar pelo carimbo, apenas pedir que os responsáveis por essa rede de igrejas, pousadas, albergues, restaurantes e cafés coloquem o carimbo no passaporte, normalmente adquirido no início do ponto da caminhada ou presenteado por outras pessoas que também fizeram o Caminho de Compostela”.

No caso de padre Alessandro, o passaporte foi obtido por ele, ainda em Paris, na cidade Saint-Jean-Pied-de-Port, antes do início da viagem rumo a Santiago. Seu documento, como se pode ver em foto enviada na semana passada, já está coberto de carimbos dos locais por onde passou ou visitou.

Um corte rápido e voltamos para as proximidades de Leon, onde o padre e seus amigos, exaustos pela longa caminhada, estão literalmente estirados num trecho da estrada. O padre come algumas bolachas tentando resgatar um pouco ao menos das forças que se esvaíram. 

Apesar de incentivado pelos amigos, o religioso desiste e resolve tirar um cochilo rápido antes de retomar o caminho para Leon, aonde chegou somente no início da noite. A solução foi procurar um albergue e um bom banho, antes do jantar e de uma revigorante noite de sono. Afinal, amanhã, logo cedo, vai começar tudo de novo.

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