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40 anos da Mogi-Bertioga: há desafios e motivos para comemorar

Quatro mogianos destacam o crescimento alavancado pela estrada em Mogi das Cruzes e em Bertioga, e citam os desafios para reduzir os congestionamentos em feriados e finais de semana

Eliane José
14/05/2022 às 11:34.
Atualizado em 14/05/2022 às 12:18

(Imagem: Arquivo O Diário)

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40 anos da Mogi-Bertioga: há desafios e motivos para comemorar

Quatro mogianos destacam o crescimento alavancado pela estrada em Mogi das Cruzes e em Bertioga, e citam os desafios para reduzir os congestionamentos em feriados e finais de semana

Eliane José
14/05/2022 às 11:34.
Atualizado em 14/05/2022 às 12:18

(Imagem: Arquivo O Diário)

Em 13 de maio de 1982, a Prefeitura de Mogi das Cruzes inaugurava um daqueles projetos impensáveis para os dias de hoje: a abertura e construção da rodovia Mogi-Bertioga, que após a entrega aos mogianos, que seriam os primeiros e principais beneficiados, foi assumida pelo Governo do Estado de São Paulo.

Hoje, o acesso completa 40 anos. O Diário ouviu lideranças e usuários do caminho para as praias, sobre o que significou essa obra viária para a cidade e também para Bertioga, e os desafios dessa rota litorânea que enfrenta problemas como a alta demanda de veículos aos finais de semana, feriados e férias, tornando o trajeto que é possível de ser cumprido em 50, 40 minutos, em uma longa viagem de três, quatro ou até cinco horas.

Valterli Martinez, comerciante

Para o comerciante Valterli Martinez, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes, afirmou que o principal balanço nessas quatro décadas de utilização do acesso foi a facilidade do acesso dos mogianos e moradores do Alto Tietê ao litoral, e o crescimento econômico. "O comércio foi fortalecido entre o eixo do Alto Tietê e o litoral".  Ele entende do que diz: aos 15 anos, no dia da inauguração da Mogi-Bertiga, o pai dele, Valdemar Martinez, o levou para ver a obra. A empresa da família Martinez faz entrega em restaurantes e pousadas do litoral há mais de 30 anos. O pai dele, aliás, levava a comida servida aos trabalhadores da obra tocada pela Prefeitura de Mogi das Cruzes. "Eu tive oportunidade de ir na estrada, quando jovem, antes mesmo da estrada ser aberta", comentou.

Um dos desafios atuais, crava o comerciante, seria melhorar a estrutura do acesso para atender ao usuário, com operações que minimizassem os congestionamentos. "O ideal seria a duplicação, mas o Estado queria fazer apenas melhorias, e instalar um pedágio, isso nós não concordamos, especialmente porque o projeto não era duplicar a estrada", disse

Paulo Pinhal, arquiteto

O arquiteto, urbanista e professor Paulo Pinhal, assume que a construção da rodovia prova os resultados da decisão e projeto político do prefeito Waldemar Costa Filho (1923-2001). "A Mogi Bertioga é a prova de obsessão de uma pessoa. O Waldemar Costa Filho, então Prefeito de Mogi das Cruzes, ouviu os desejos dos Mogianos que conseguiam ver o mar e não tinham acesso. Está ligação sempre apareciam em promessas de campanhas eleitorais de vários candidatos. Com recursos da cidade o prefeito Waldemar em gesto de coragem investiu na estrada".

Com a inauguração da estrada em 1982, o resultado imediato foi o crescimento do então distrito de Santos, Bertioga, "por conta dos aumentos da população, turistas e da economia local, o lugar foi emancipado em 1991".

A estrada passaria a ser usada por milhares de pessoas, especialmente os moradores da região leste de São Paulo,  como lembra o arquiteto. Isso porque, "além da curta distância ao litoral, também é livre de pedágios".

"O excesso de veículos em período de férias e feriados faz com que a estrada quarentona acabe ficando congestionada", diz ele.

Para Paulo Pinhal, os pontos positivos dessa trajetória começam pelo fato de Mogi das Cruzes "ter o litoral perto de nossa cidade. Litoral este, ainda com qualidade de vida".

Já como ponto negativo, ela aponta a falta de investimento para melhorar a segurança e fluidez do transito em qualquer época do ano.

Eduardo dos Santos, usuário frequente

Morador em César de Souza que possui uma casa de veraneio na praia de Maitinga, Eduardo dos Santos, e a mulher, Dora, ambos responsáveis pelo site Igreja na Mídia, utiliza a Mogi-Bertioga durante os dias de semana. Normalmente, leva uma hora, do portão da casa onde mora até a porta da residência de praia. Para ela, a proximidade de Mogi das Cruzes ao litoral é trunfo da obra que está completando 40 anos hoje.

Na inauguração, ele, Dora e outros familiares, estavam em um dos ônibus que realizaram as primeiras viagens pelo traço aberto pela Prefeitura de Mogi, em uma obra coordenada pelo engenheiro Jamil Hallage.

Eduardo dos Santos, o prefeito Caio Matheue, e Dora Santos, em um dos eventos que o casal conferiu em Bertioga (Arquivo Pessoal)

A familia foi na inauguração a convite do ex-vereador Taubaté Guimarães.

Essas e outras lembranças são resgatadas na entrevista a O Diário. "Essa proximidade com a praia facilitou muito a vida dos mogianos", diz ele, acrescentando que os melhores dias usados pelo casal para descer a Serra do Mar estão situados entre a terça e a quinta-feira.

A Mogi-Bertioga, diz, acelerou o crescimento de Bertioga que hoje, está em alta, por causa de obras como a iluminação da orla. "O turismo está atraíndo muitas pessoas para a cidade", comenta.

Para Eduardo, a rodovia Mogi-Bertioga tem um predicado impagável: "nos meses que os manacás da serra estão abertos, a estrada é linda, é um prazer passar por ela", destaca.

Para ele, a duplicação é sonho distante, "até porque, na minha opinião, ela não tem atrativo financeiro para uma concessionário receber os investimentos feitos ali, ao longo dos anos. Seria um invesitmento a longo prazo, não sei se há mercado para isso", opina.

A duplicação poderia ampliar a segurança dos usuários. "Mas, hoje, se as pessoas andarem dentro da velocidade exigida, os riscos são menores".

Frequentador constante, Eduardo nota, nesses últimos anos, um cuidado maior do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). "Vejo sempre equipes trabalhando, sinalizando, e você não encontra buracos na rodovia".

Iduigue Ferreira Martins, vereador e presidente da Comissão de Transportes na Câmara de Mogi

Mineiro que aos 21 anos trabalhava na antiga Companhia Suzano de Papel e Celulose (hoje, apenas Suzano), o vereador Iduigues Ferreira Martins afirma que a Mogi-Bertioga, que traz nome da cidade, desempenha papel importante no cenário de mobilidade estadual e projetou o nome de Mogi das Cruzes.

"Ela trouxe progresso, crescimento, na região de Biritiba Ussu e Vila Moraes, onde você notou a chegada dos postos de gasolina, a venda de produtos rurais, restaurantes, lanchonetes e casas de móveis, que hoje, somam umas dez. Passe com tranquilidade e você vai ver os comércios abertos nesse trecho", comenta, acrescentando que mesmo em outros pontos, o viajante para e compra produtos em Mogi das Cruzes. "Muitas pessoas conheceram a cidade por causa da Mogi-Bertioga, para aqui vieram, inclusive. Então, essa estrada trouxe visibilidade para a cidade".

Por outro lado, ele destaca os transtornos, como os acidentes fatais que, ao longo dos 40 anos, tiraram a vida de centenas de pessoas. Além dessa questão, a mobilidade de bairros, nos períodos de temporada, realçou, é impactada pelos congestionamentos.

Para o político, no entanto, o legado criado pelo prefeito Waldemar Costa Filho é positivo. "Tivemos muitas divergências políticas, mas o Waldemar era muito bem relacionado com governadores, como o (Paulo) Maluf, o que possibilitou tocar uma obra tão cara como essa. Foi uma obra difícil, em um trecho de Serra, e ele apostou e deu um caminho para a praia aos mogianos".

Iduigues afirma que a duplicação seria o caminho para garantir segurança, mas, admite ser um plano que exigiria habilidade do Governo do Estado e disposição política. "O Estado já duplicou estradas como a Tamoios, tem dinheiro e condições para fazer isso, mas depende de força política e de decisão: por que investir em Mogi e não em outra região com outro prestígio, essa é a questão". 

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