MENU
BUSCAR
FILA

15 mil pessoas esperam por consultas médicas em Mogi das Cruzes

Com deficit de 37 médicos e o represamento do atendimento causado pela pandemia, Prefeitura de Mogi busca ampliar a grade de agendamento

Eliane JoséPublicado em 08/10/2021 às 17:32Atualizado há 8 dias
Divulgação
Divulgação

A consulta com um clínico geral pode demorar de 30 a 40 dias, e por um ginecologista, quase o dobro desse período. Em resposta a O Diário sobre o reordenamento da grade do agendamento na rede de atenção básica, por meio de nota,  a Secretaria Municipal de Saúde explicou que há atualmente cerca de 15 mil pacientes na fila de espera pelo atendimento médico nos postos de Mogi das Cruzes.

Esses números refletem a inconstância do atendimento nas unidades básicas desde o ano passado, quando as altas e baixas nos números de infectados pela Covid-19 modularam o funcionamento destes espaços que não poderiam promover aglomeração.

Em determinados períodos, para prevenir a disseminação do coronavírus, consultas foram postegardas.

Além desse fato pontual, e que também levou mais pessoas a não buscarem o tratamento, a Prefeitura ainda possui um déficit de 37 médicos, o que impacta diretamente na  prestação desse serviço público.

A pasta afirma que trabalha para ajudar o quadro de profissionais por meio de concurso público, contratações emergenciais e mutirões de atendimento. 

A pandemia e a baixa oferta de mão de obra na rede básica respondem pela atual espera por consulta.

O prazo para o agendamento, afirma a Prefeitura, depende do “profissional e/ou da unidade escolhida” pelo paciente. Em geral, as pessoas procuram médico no posto  próximo de suas residências.

Hoje, a espera pode levar de 30 a 40 dias para clínica médica e odontologia e quase o dobro disso, de 60 a 80 dias para ginecologia.Na cidade,  no momento, segundo ainda a Prefeitura, não registra espera para pediatria.

Sem parar

Segundo a Prefeitura, desde o ano passado, a Unica de Jundiapeba “nunca parou”.

O local que possui uma carteira de especialidades, inclusive as menos convencionais, como a geriatria, “serviu de referência para atendimentos diversos (pacientes com doenças crônicas, uso contínuo de medicamentos e para as mais diversas especialidades, entre outros serviços) e, neste ano, também está abrigando o atendimento pós-Covid”.

Esse serviço foi uma demanda extra surgida para acolher pacientes em recuperação de sequelas da doença. 

No local, foram suspensas as cirurgias de pequeno porte, sem necessidade de internação. Mas, esses procedimentos foram retomados deste o início deste mês. São procedimentos de pequeno porte, mas que exigem intervenções específicas como a retirada de pintas e unha encravada, há cerca de mil pessoas à espera do tratamento e cura. Esse número poderia ser ainda maior, mas a Prefeitura firmou uma parceria com o Hospital do Sepaco, o que garantiu que algumas pessoas fossem operadas.

No Municipal

Já as cirurgias de média complexidade antes solucionadas, ainda que com demora, no Hospital Municipal de Braz Cubas, também estão prestes de serem retomadas.

Para isso, a Prefeitura está tocando uma série de obras que permitirão a manutenção dos pacientes com a Covid e os demais.

  

Zeno Morrone assumirá a pasta 

A fila de espera por consultas na rede básica e a busca de soluções para outras dores abertas pela pandemia serão enfrentadas nos próximos dias pelo médico Zeno Morrone Júnior, que aguarda apenas a publicação  oficial da Prefeiura para assumir  o cargo de secretário municipal de Saúde.

Um dos problemas a serem enfrentados está em uma área problemática: a de especialidades, como cardiologia.

A pandemia, que forçou a concentração da pasta no atendimento à Covid desde março do ano passado deverá ser sentida pela usuário do Sistema Único de Saúde (SUS)   por um tempo impossível de ser determinado.

Isso porque a crise sanitária atrasou a procura pelos atendimentos iniciais responsáveis pela identificação das doenças.

A expectativa é de se movimentar fortemente esse tipo de procura por exames e diagnósticos a partir de agora, uando a cobertura vacinal e o recuo dos casos de Covid garantirão a retomada dos progrmas de saúde pública.

A Prefeitura não estima quanto é essa espera. Somente após a consulta inicial é que o paciente é encaminhado para os ambulatórios existentes nas redes municipal (Unica) e estadual (AME e Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo.

A fila de espera por um especialista é monitorada pela Prefeitura, mas ela depende das vagas ofertadas por esses locais. Tradicionalmente há espera para áreas como cardiologia, ortopedia, endocrinologia, cirurgia vascular e outros.

Além do Unica, Ame e Luzia, o paciente pode ser direcionado a outras cidades. Necessariamente, esse encaminhamento parte da primeira consulta na rede básica. E hoje 15 mil pessoas estão na fila.

A O Diário, na semana passada, Zeno Morrone contou que esforços concentrados para reduzir essa fila começarão a ser executados no futuro próximo. Ele aventou, por exemplo, a intenção de se ampliar os mutirões com a abertura de postos nos finais de semana. 

 Cidade terá um Complexo de Saúde

Quando for aberto, o Complexo Integrado de Atendimento à Saúde, ao lado Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da avenida Pedro Romero, no  bairro do Rodeio, poderá atender demandas estancadas nos últimos meses. Em entrevista a este jornal, o médico Zeno Morrone Júnior, contou que estudos estão sendo realizados para a definição sobre quais serviços serão ofertados no endereço.

Esse novo prédio terá uma área construída de 3 mil metros quadrados e está em fase final de serviços. Orçado em R$ 9,7 milhões, ele deveria ter sido entregue em 2020. 

Inicialmente estava cotado para receber o Pró-Hiper, as clínicas do Homem e da Pessoa com Deficiência, além de uma segunda UnicaFisio.

A atual administração, no entanto, considera readequar essa programação para assistir demandas reprimidas que podem contemplar outros públicos, como mulheres e crianças.

A definição, no entanto, ainda faz parte de estudos que, de acordo com Zeno Morrone, cotado para assumir a pasta da Saúde, deverá ser concluída em breve.

Esse prédio está instalado em área estratégica para atender moradores da região de César de Souza e central, e compõe com a UPA, a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e o Ginásio de Paradesporto um polo dedicado à saúde.

Outra expectativa para o futuro próximo será a entrega do prédio da Maternidade Municipal, em construção ao lado do Hospital Prefeito Waldemar Costa Filho, em Braz Cubas. O serviço foi projetado para compartilhar com a Santa Casa de Mogi das Cruzes o atendimento às gestantes, um setor sempre nevrálgico da Saúde em função da superlotação do hospital filantrópico.

ÚLTIMAS DE Cidades