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PARA AQUECER O CORAÇÃO

Voluntários do Instituto Sopa, de Mogi, levam comida e atenção a 3 mil pessoas

Mas de 100 voluntários mantêm a obra assistencial iniciada há 40 anos por moradora da Vila Industrial

Eliane José
05/03/2022 às 07:10.
Atualizado em 05/03/2022 às 07:10

COMIDA e atenção O Instituto Sopa (Sociedade Organizada Pão que Alimenta) Dona Odette distribui o alimento a 600 famílias de Jundiapeba, Conjunto Jefferson e Jardim Aeroporto, e a pessoas em situação de rua (Divulgação)

Seis meses após a morte da fundadora do Instituto Sopa (Sociedade Organizada Pão que Alimenta) Dona Odette, a doação de R$ 120 mil feita por um casal que permanecerá no anonimato fez cumprir aquilo que era um desejo de Odette Bueno de Almeida, a moradora da Vila Industrial conhecida pela inspiradora atuação iniciada 40 anos atrás e hoje abraçada por mais de 100 voluntários responsáveis pelo acolhimento a famílias e pessoas carentes.

Dona Odette faleceu em 2020, aos 88 anos. Ela havia pedido à família que, pelo menos durante os primeiros seis meses após a sua morte, o Instituto Sopa seguisse no mesmo endereço com o preparo do prato e os outros braços do trabalho social reconhecido como um dos mais longevos da cidade.

Os meses foram se passando e os dirigentes começaram a prospectar um outro endereço para manter a atuação que assiste diretamente 600 famílias, além de pessoas em situação de rua, de segunda-feira a sábado. Quando esse período estava para terminar, um casal doou o recurso que equivaleria à maior parte do valor do imóvel.

Uma conversa com os herdeiros de dona Odette e um acerto entre voluntários e a família acabou por cumprir o desejo em definitivo.

Odette Bueno de Almeida, fundadora do Instituto Sopa (Sociedade Organizada Pão que Alimenta) (Divulgação)

O Instituto Sopa permanece na mesma casa onde a fundadora deu os primeiros passos com o abrigo a quem enfrentava dificuldades e a procurava. Logo, chegariam os primeiros voluntários e a obra assistencial foi estendendo raízes.

Quem conta essa história é o procurador jurídico André de Camargo Almeida, hoje presidente da Sociedade Organizada Pão que Alimenta. De segunda a sábado, voluntários se revezam na produção da sopa distribuída a cerca de 600 famílias - cerca de 3 mil pessoas -, em endereços fixos de Jundiapeba, Jardim Aeroporto e Conjunto Jefferson, além do prato de comida levado a pessoas que vivem nas ruas.

André chegou ao Instituto há 8 anos, num inverno rigoroso, quando um grupo de amigos coletou cobertores e chegou até a dona Odette aquecer quem sentia frio. Ele se alinhou ao ideal que, além da sopa saborosa, distribui cestas básicas, material escolar, roupas, móveis, eletrodomésticos, brinquedos e, na Páscoa, chocolates (veja matéria abaixo). 

Durante a pandemia, para não interromper a assistência, os responsáveis passaram a ir até a casa das famílias cadastradas. “Fizemos isso para não interromper o atendimento porque muitas pessoas passaram a enfrentar ainda mais dificuldades com a  perda de trabalho e renda”.

Segundo André, o perfil dos acolhidos é composto por famílias que recebem alguma ajuda governamental e carentes, sobretudo, de horizontes. “Fizemos uma pesquisa e perguntamos qual é o principal sonho dos moradores. A maioria respondeu que era ter um trabalho”. Não eram objetos de consumo como viagem, uma casa ou carro mais novo. Com esse resultado, uma das metas é também atuar na oferta de cursos profissionalizantes.

Em geral, os assistidos possuem pouca ou nenhuma qualificação profissional. “Nós trabalhamos para saciar a fome e atendê-los em outras necessidades. É uma comunidade carente de atenção, de carinho”, arremata. Também na pandemia, ele notou que o número de pessoas em situação de rua cresceu, assim como um maior número de famílias passaram a não ter um teto. 

Conheça
Quem quiser conhecer ou doar materiais - inclusive itens para a produção da sopa - pode comparecer à sede da entidade, na rua Roberto Nami Jafet, 265, na Vila Industrial, ou  entrar em contato pelo telefone 97544-3444.

 Há 20 anos, uma Páscoa mais doce às crianças

HISTÓRIA Dona Odette iniciou a obra com ajuda a quem a procurava em casa (Divulgação)

Campanhas anuais são desenvolvidas pelo Instituto Sopa (Sociedade Organizada Pão que Alimenta) Dona Odette. Neste mês, a entidade começou a arrecadar ovos de Páscoa, chocolates e doces para entregar a cerca de 1.500 crianças carentes atendidas pelo projeto. 

A campanha ‘Páscoa Solidária’ receberá doações até 14 de abril. Se as pessoas quiserem, podem também doar o chocolate em barra.

Essa ação dedicada às crianças começou há 20 anos e estende a atuação a moradores dos bairros Jundiapeba, Jardim Aeroporto, Conjunto Jefferson, Rodeio, Ponte Grande, Vila Industrial e Centro. 

“A Páscoa é uma data muito especial e aguardada pela criançada do projeto, porque as famílias não têm condições de comprar para os filhos. Com essa ação, conseguimos suprir esse desejo e fazer o dia dessas crianças mais doce e feliz”, destaca André Camargo de Almeida, presidente do Instituto Sopa.

Além dos ovos, pode ser doado qualquer tipo de chocolate. O produto será derretido e transformado em ovo de Páscoa pelos voluntários. A entidade está recebendo doações de embalagens para dar acabamento nos presentes. As entregas podem ser feitas na sede da entidade (rua Roberto Nami Jafet, 265, na Vila Industrial) ou a combinar pelo telefone (11) 9 7544-3444.

A movimentação na sede acontece todos os dias para o preparo da sopa. Então, das 10 às 17 horas, o local permanece aberto.

Outra característica dessa obra está no fato de a atuação não ter vínculo religioso. “Nós lemos o Evangelho, às sextas-feiras, num ato aberto a pessoas de todas as religiões”, diz André. No entanto, ele conta que  parte dos participantes se apresenta como espírita. “Mas não há qualquer vínculo”. 

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