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Projeto social cobre cicatrizes com tatuagens

Iniciativa da tatuadora Fabiana Rosetti atende mulheres vítimas de violência doméstica, câncer, queimaduras e acidentes

Carla Olivo
02/07/2022 às 08:06.
Atualizado em 02/07/2022 às 08:06

SOCIAL Fabiana ajuda a resgatar autoestima de mulheres (Arquivo Pessoal)

Há 10 anos, a tatuadora Fabiana Rosetti transforma cicatrizes do corpo de mulheres vítimas de violência doméstica, câncer, queimaduras, automutilação e cirurgias mal sucedidas em obra de arte. 

Sem cobrar nada pelo trabalho, a profissional que atua na área há duas décadas tem importante papel no processo de resgate da autoestima e do amor próprio destas pessoas.

Para atender a este público específico, Fabiana criou o Projeto Recomeçar, que desde que foi idealizado, há uma década, já beneficiou 250 mulheres nestas condições. 
Atualmente, a fila de espera tem 14 interessadas em uma vaga para participar da campanha de tatuagem gratuita para cobertura de cicatrizes. 

(Arquivo pessoal)

Tudo começou na época em que Fabiana ainda morava na capital paulista. “Quando iniciei esse projeto, havia muita procura de cobertura de cicatrizes. Mas a maioria das mulheres que me procurava era de baixa renda e não tinha condições de pagar pela tatuagem”, relembra Fabiana.

A inspiração para idealizar o projeto como forma de atender a estas mulheres gratuitamente veio enquanto ela assistia a um programa de televisão. “Vi uma matéria em que uma tatuadora de Curitiba fazia um projeto semelhante a esse e decidi fazer também. A procura já foi logo enorme”, conta.

Após dois anos do início das ações do projeto, a tatuadora deixou São Paulo para morar em Mogi das Cruzes, onde decidiu dar continuidade ao trabalho social em seu estúdio de tatuagem, localizado na Vila Paulista, no distrito de Braz Cubas.

Com a iniciativa, Fabiana, que concilia a atividade com a agenda de atendimentos convencionais a quem a procurar para realizar os mais diversos tipos de tatuagens, diz se sentir realizada. 

“É muito bom poder ajudar estas mulheres, que passam a resgatar sua autoestima e a se sentirem um pouco melhores. 70% delas são vítimas de violência doméstica e, só de pensar que poderão se olhar no espelho e não ver mais aquela cicatriz, acho que é uma maneira de não ficarem sempre lembrando o que aconteceu com elas”, destaca a tatuadora.

Fabiana relata que já atendeu vítimas dos mais diversos casos, que a procuraram para se livrar das marcas e cicatrizes que remetem a momentos de dor e sofrimento. “Já recebi mulheres que eram agredidas, que o marido jogou óleo quente, uma que levou facada do companheiro e até uma que chegou a ser baleada, por isso, procuro ouvi-las sem questionar e tento ajudar como posso, sempre com empatia”, completa.

O processo para participar do projeto é simples. A interessada deve entrar em contato com Fabiana pelo telefone (11) 98788-6836 ou pelo Instagram @projetorecomecartattoo, onde é possível acompanhar, por meio de fotografias, as tatuagens realizadas pela profissional para cobertura dos mais diversos tipos de cicatrizes, em casos diferenciados.

Em seguida, a tatuadora agenda uma avaliação presencial, já que a cicatriz precisa ter no mínimo dois anos. Vale lembrar que o projeto social atende apenas mulheres, maiores de 18 anos de idade.

(Arquivo pessoal)

Após avaliar o caso, o nome da interessada na tatuagem gratuita para cobertura de cicatriz tem seu nome incluído na fila de espera. Atualmente, Fabiana realiza de dois a três atendimentos destes casos por mês, já que não possui parceria, trabalha sozinha e custeia todo o projeto sem ajuda de empresas, Prefeitura ou Organizações Não-Governamentais (ONGs).

O endereço para realização da avaliação e tatuagem é rua João Ribeiro de Brito, 370, Vila Paulista, Braz Cubas.

 Projeto resgata a autoestima 

(Arquivo pessoal)

Um acidente de carro, há três anos, deixou marcas na coxa da auxiliar de esterilização Graziele Priscila Rodrigues, 30, moradora de Mogi das Cruzes. Mas a cicatriz deu lugar a flores pelas mãos da tatuadora Fabiana Rosetti.

Graziele é uma das mulheres atendidas gratuitamente pela profissional por meio do trabalho social Projeto Recomeçar Tattoo, que está completando 10 anos.

“Gosto de tatuagens e uma amiga já havia me falado sobre a Fabiana e me mostrado alguns trabalhos dela. Fiz contato interessada na tatuagem e agendei o atendimento. Ela foi super delicada, atenciosa e detalhista, me deixou muito à vontade, confiei no seu trabalho e ela conseguiu inovar, incrementando os desenhos. Eu me senti feliz e isso aumentou muito minha autoestima”, relata Graziele.

 Assim como ela, centenas de mulheres também conseguiram deixar suas cicatrizes para trás, por meio do Projeto Recomeçar. “Esta iniciativa social é uma atitude muito generosa porque atende mulheres que passaram por sofrimento ou tiveram algum problema e ficaram com suas marcas que, desta forma, podem ser cobertas pela arte da tatuagem e de forma acessível, gratuitamente”, avalia.

Quem também conseguiu cobrir, com tatuagens, duas cicatrizes grandes na coxa e perna deixadas por um acidente de carro foi a técnica em Segurança do Trabalho e Logística, Karina da Fonseca Pereira, 34 anos. A moradora de Mogi participou duas vezes da campanha realizada pela tatuadora. 

“Minhas cicatrizes eram muito feias, mesmo eu já estando acostumada com elas. Por isso, ter feito as tatuagens me ajudou muito na vida pessoal e pude voltar a usar bermuda, já que com a autoestima elevada, não tinha mais tanta vergonha”, conta Karina.

Ela também destaca a importância do projeto social para ajudar pessoas que, por algum motivo, têm marcas e cicatrizes no corpo que a impedem de se sentirem bem. “Este trabalho é magnífico, porque ajuda muitas mulheres que, dependendo do caso, até esquecem a cicatriz, porque algumas delas ferem a alma”, destaca.

 Karina revela que as pessoas comentam que gostaram das tatuagens cobrindo as marcas do acidente. “Amei o trabalhou e super indico. Quem me conhece sabe que as cicatrizes me incomodavam e agora estou muito mais feliz”, comemora.

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