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CONSCIENTIZAÇÃO

Paróquia em Santa Isabel é pioneira na utilização de energia solar no Alto Tietê

Idealizador, o Padre Jaime Matheus fala sobre querer que projeto inspire não só outras igrejas, mas moradores da região na conscientização do uso de energia limpa

Mariana Acioli
13/03/2022 às 10:07.
Atualizado em 13/03/2022 às 10:07

Organizadas em forma de cruz no teto da paróquia, as 64 placas deram um charme a mais para o prédio e o padre espera que ideia viralize na comunidade. (Imagem: Arquivo Pessoal)

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CONSCIENTIZAÇÃO

Paróquia em Santa Isabel é pioneira na utilização de energia solar no Alto Tietê

Idealizador, o Padre Jaime Matheus fala sobre querer que projeto inspire não só outras igrejas, mas moradores da região na conscientização do uso de energia limpa

Mariana Acioli
13/03/2022 às 10:07.
Atualizado em 13/03/2022 às 10:07

Organizadas em forma de cruz no teto da paróquia, as 64 placas deram um charme a mais para o prédio e o padre espera que ideia viralize na comunidade. (Imagem: Arquivo Pessoal)

“De onde eu venho há muito incentivo na implantação das placas de energia solar para que sejam gerados menos danos ao meio ambiente e eu precisava trazer isso para cá”.

Foi inspirado na terra onde nasceu, a Índia, que o padre Jaime Matheus trouxe um projeto inspirador para a região do Alto Tietê. A Paróquia Nossa Senhora de Aparecida, em Santa Isabel, que pertence à Diocese de Mogi das Cruzes, investiu R$ 250 mil em placas de energia solar com o objetivo de diminuir os gastos da igreja, além de reduzir o impacto ao meio ambiente fazendo a utilização de uma fonte de energia limpa.

Organizadas em forma de cruz, no teto da paróquia, as 64 placas deram um charme a mais para o prédio e o padre espera que ideia viralize na comunidade regional.

Em meio à crise financeira que, como o padre define, atinge a todos indistintamente em nosso país, a alternativa de uso das placas solares foi uma solução para sair das “contas apertadas”. No caso da Paróquia Nossa Senhora de Aparecida, uma das maiores da região, que conta com várias salas, departamentos e também ar-condicionado, por mês, os custos já ultrapassavam os R$ 2 mil.

“As placas estão em uso desde janeiro, portanto, ainda não conseguimos fazer um balanço exato das diferenças nas despesas, mas estou otimista e feliz por, finalmente, introduzir essa ideia na nossa paróquia; era um desejo de anos”, disse ele.

Com a nova opção, acrescenta, “vamos poder fazer maior uso dos recursos que temos à disposição sem sermos afetados financeiramente, de forma drástica”. De acordo com a empresa responsável pela instalação, a previsão de economia financeira é de aproximadamente 80% dos gastos habituais.

Os equipamentos têm um longo tempo de uso: 25 anos. Por isso, o investimento e lucro pela utilização das placas poderão se estender por pelo menos 20 anos. 

(Imagem: Arquivo Pessoal)

O valor original das instalações e placas, de acordo com o padre Jaime Matheus, foi de R$ 150 mil. A paróquia no entanto, teve de recorrer a um empréstimo do banco  e os juros correspondem a R$ 100 mil. No total, os R$ 250 mil de investimento serão pagos em quatro anos.

Além das vantagens financeiras, o padre ainda destaca a importância no cuidado com o meio ambiente, por meio da substituição da fonte de energia utilizada na paróquia. “Eu acredito muito que Deus nos deu este planeta também para que cuidássemos com responsabilidade. Nossas terras, nosso ambiente ao redor, tudo tem que ser cuidado e com respeito. A possibilidade de geração de uma energia limpa, que não produz poluentes, e natural, nos permite afirmar que, sim, somos compromissados com a ecologia e, também, entendemos que a natureza necessita de cuidados”, declarou o pároco.

A ideia que foi implantada no templo religioso já tinha como pretensões, segundo o líder, inspirar outras comunidades, empresas e até moradores da região para fazer o uso da energia solar como fonte principal. “Como Igreja, somos convidados a dar exemplo e, por isso, buscamos sempre meios de inovar e, sobretudo, inovar para preservar, inovar para cuidar e inovar para contagiar”, pontua. 

 O idealizador
Nascido em 23 maio de 1963 em uma cidade da Índia chamada Palai, Jaime Matheus carrega em sua história, desde muito novo, as influências da família tradicional católica. Aos 7 anos de idade foi convidado para ser coroinha na igreja que congregava e esse foi o início de um caminho trilhado com fé, persistência e amor ao próximo, segundo destaca ele.
“Para ser padre é preciso muita determinação e certeza do que quer, porque são muitas formações e, às vezes, tudo acaba sendo feito ao mesmo tempo. É preciso ter emocional e até mesmo físico para ir em frente”, diz.

Para Jaime, a fase mais complexa na atuação como padre diocesano foi durante o final da adolescência até a conclusão das formações acadêmicas. A formação requer o entendimento de diferentes áreas do conhecimento.

“Durante o seminário aprendemos muitas coisas, principalmente línguas. Nessa época eu estudei inglês, latim, grego, fora outras áreas de conhecimento. Se não tiver foco, não conseguimos realizar nada”, declara o padre.

No dia 5 de janeiro de 1990 foi a data em que finalmente foi ordenado como padre, após 11 anos de formação.

Aos 35 anos, em 1998, Jaime foi convocado para atuar em uma diocese na região de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. “Me senti um peixe fora d’água, nem a língua portuguesa eu sabia, pois não tive o tempo para aprender, mas felizmente tinha alguns padres também vindos da Índia aqui no Brasil, e foram eles que me receberam e me ajudaram nesse processo inicial aqui no país”, relembra.

O líder religioso ainda passou por outras regiões como Caraguatatuba, na Paróquia de São Sebastião; no distrito de Taiaçupeba, onde ficou por três meses; até chegar à Paróquia de Nossa Senhora de Aparecida, onde atua há dez anos.

Com uma história marcada por determinação, o padre enfatiza que guarda com carinho tudo o que enfrentou durante os anos servindo à igreja e a comunidade. “Eu fico muito feliz pela trajetória que eu tive até aqui. Foram muitas dificuldades, mas tive muita ajuda. Eu sei que enquanto eu tiver idade e saúde eu vou continuar fazendo e dando o melhor de mim para o povo que eu sirvo”, revela.

Hoje, o padre Jaime Matheus conta que procura dar exemplo não só na comunidade religiosa, “inspirando fé e o amor pelas pessoas que estão ao redor”, mas na idealização  desse projeto que, segundo afirma, é pioneiro entre as comunidades católicas  do Alto Tietê. “Como diria Madre Teresa de Calcutá: ‘Este mundo é um oceano, e neste oceano eu sou apenas uma gota, mas se eu não fizer a minha parte, faltará essa uma gota’. Por mais que existam milhares de padres, se eu não fizer a minha parte, faltará essa parte e é isso que me move. Ter a consciência de que eu estou fazendo o que me foi designado por Deus nesse mundo”, finaliza o padre.

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