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EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

Pandemia leva famílias à mudança de rotina com foco no empreendedorismo

O vírus, que provocou tantas mortes, também acabou sendo o indutor de negócios para muita gente que hoje comemora a reinvenção de seu modo de vida, graças aos bons resultados dos novos empreendimentos

Larissa Rodrigues
31/12/2022 às 08:09.
Atualizado em 02/01/2023 às 11:27

(Foto: Divulgação)

Ao final de 2019, os inúmeros casos de uma “pneumonia” até então desconhecida, na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China, já deixavam a Organização Mundial de Saúde (OMS) em alerta. O diagnóstico, mais tarde, foi identificado como uma nova cepa do coronavírus, que até então ainda não tinha sido detectada em humanos.Enquanto as mortes aconteciam somente no país da Ásia Ocidental, pouco se acreditava nos estragos que o vírus poderia causar em todo o mundo.

Não demorou muito para que a doença se espalhasse e, em março de 2020, os primeiros casos começaram a chegar ao Brasil, assim como foram chegando a outros países. A pandemia, então, mudou a população nos mais diferentes âmbitos: no familiar, nos hábitos, na saúde, na personalidade e até mesmo no âmbito profissional.

Não é possível dizer que um episódio devastador e que deixou tantas vítimas teve seu lado bom, mas, a pandemia serviu como um incentivo para muitas pessoas concretizarem o sonho que já tinham de empreender. Isso porque muitas delas foram demitidas, algumas tiveram o negócio próprio prejudicado e outras esperavam pelo retorno das atividades presenciais para dar continuidade ao antigo trabalho.

Um dos segmentos que cresceu bastante durante o tempo de isolamento social foi o de delivery, já que os clientes ficaram, por determinados períodos, impedidos de ir até os restaurantes para comer. De acordo com a Statista – uma plataforma online especializada em dados de mercado e consumidores – o número de usuários de deliveries subiu 155% entre 2019 e 2020 e o número de pedidos cresceram impressionantes 975%.

Mais do que uma facilidade, o delivery se tornou uma necessidade na vida da população. E o momento pôde ser aproveitado, principalmente, pelos empreendedores do ramo alimentício. No Alto Tietê, duas histórias se assemelham quando o assunto é empreender no setor durante a pandemia.

Em Mogi das Cruzes, a família de Victor Secomandi conseguiu tirar do papel a vontade de ter um negócio próprio.Inspirados pela “gourmetização” de alguns alimentos, como o sorvete e os hambúrgueres, eles apostaram em um tipo de churrasco mais requintado e abriram, inicialmente por delivery, o Pão de Alho do Marquinho.

(Imagem: Divulgação)

Já em Arujá, Ivan Fujioka, conhecido como Japa, relembrou os tempos em que viveu no Japão, o que aconteceu até 2005, e aproveitou para trazer o tempero da terra oriental para as comidas que venderia por aqui. Começando com a venda de yakissobas pelas redes sociais, ele hoje tem um cardápio extenso de vendas, com diferentes iguarias japonesas.

Depois de fazerem muito sucesso com as vendas em domicílio, os dois restaurantes têm agora um ponto fixo, cada um em sua cidade. E os dois empreendedores concordam: as paralisações da pandemia foram essenciais para que eles, finalmente, decidissem investir.

Conheça, nesta reportagem, as histórias de Victor, com o Pão de Alho do Marquinho, em Mogi, e de Ivan, com o Trailer do Japa, em Arujá.

(Imagem: Divulgação)

 Inspiração vinda da TV

Foi assistindo ao Mais Você, programa de Ana Maria Braga que é exibido na TV Diário, que Victor Secomandi teve uma ideia para empreender durante a pandemia. Na televisão, um homem do Rio de Janeiro falava sobre as vendas de seus pães de alho recheados com carne de churrasco e trouxe a inspiração. Junto aos seus pais, Victor pensou em “gourmetizar” a ideia e criar o delivery do Pão de Alho do Marquinho, em Mogi das Cruzes.

A diferença veio nos sabores mais requintados que foram incluídos no cardápio, como camarão, picanha, blend de queijos e cupim. A “gourmetização” de outros alimentos, como o sorvete e os hambúrgueres, já estava em alta e foi nisso que Victor se inspirou.

Empreender também foi essencial para afastar o pai dele, Marco Secomandi – o Marquinho – de uma tristeza que ele estava vivendo por conta do isolamento social. Marco tinha uma empresa de distribuição de nitrogênio líquido, que precisou ser paralisada durante o isolamento social. Então, quando ficou sem o contato diário com outras pessoas, se viu em uma situação complicada.

“O quadro não era diagnosticado como depressão, mas ele estava muito triste. Então, pensamos em montar o delivery. E a ideia inicial era somente essa, de fazer as entregas. O meu pai sempre amou cozinhar e fazer churrasco e aproveitamos isso. Mas o sucesso foi grande e, depois, partimos para um ponto fixo”, relata Victor.

Quando a pandemia chegou ao Brasil, Victor estava no último ano da graduação de Medicina, na qual se formou ao final de 2020. A mãe dele, Celia Secomandi, trabalha para uma empresa, no modelo home office. A partir daquele momento, então, toda a família se mobilizou para pôr em prática os planos do filho, que foi quem investiu financeiramente no negócio.

Com a ajuda dos amigos, eles divulgaram, com certa antecedência, o mistério nas redes sociais, dizendo que Mogi teria uma grande novidade. Aquilo foi essencial para aguçar a curiosidade dos consumidores. Entretanto, foram o sabor e a qualidade dos produtos que trouxeram clientes fieis para o empreendimento.

Logo no início do delivery, em junho de 2020, os pães eram vendidos somente aos finais de semana, mas as encomendas já podiam ser feitas desde o começo da semana. Muitas vezes, elas já tinham que ser encerradas na terça-feira, porque todos os lanches que seriam vendidos entre sexta-feira e domingo já tinham sido encomendados. Devido à demanda, eles mudaram a cozinha que funcionava dentro de casa para o salão de festa, a fim de profissionalizar ainda mais o negócio.

Mesmo com a mudança, o espaço foi ficando pequeno e não demorou para eles perceberem que precisariam de um espaço físico, isso quando o isolamento social já estava mais flexível. Encontraram, em dezembro de 2020, o espaço ideal em um parque gastronômico que funciona no número 786 da Avenida Capitão Manoel Rudge, em Mogi.

“Agora, que as coisas já estão funcionando normalmente e o Pão de Alho já funciona bem, meu pai voltou ao antigo emprego e eu me formei e trabalho como médico, o que me faz influenciar pouco por lá. Minha mãe é quem realmente cuida mais; fica no caixa e faz toda a parte financeira, porque ela largou o antigo emprego”, conta Victor.
Para os pais dele, muito mais do que uma profissão, o Pão de Alho do Marquinho se tornou um hobby e um ponto de encontro. Isso porque muitos amigos de longa data do casal aparecem por lá, assim como os amigos do filho, e eles têm a oportunidade de conversar e se divertirem.

“Com certeza a pandemia foi um empurrão, porque eu sempre pensei em investir depois que me formasse. Mas isso aconteceu antes e deu muito certo, porque foi bom para mim, pros meus pais e nossos clientes também gostam muito”, finaliza o médico.

  

Sabores orientais

Há 35 anos atuando como produtor de eventos, Ivan Fujioka, conhecido como Japa, confessa que nunca imaginou que uma pandemia o faria parar com a profissão, mesmo que apenas por um período. E foi justamente neste tempo em que ficou em casa, sem ocupação, que começou a pensar em outras maneiras de se sustentar.

“Eu sou produtor musical, de palco e já trabalhei na televisão, saí e entrei em uma empresa que organiza casamentos classe A. Quando começou a pandemia na China, eu achava que nada aconteceria por aqui. Até que ela chegou, a empresa parou e demorou para me pagar e eu precisava pensar em alguma maneira de ganhar dinheiro”, relembra Ivan.

Durante os anos 90, Ivan foi morar no Japão, onde permaneceu até 2005. Por lá, fez questão de aprender o máximo que pôde sobre a culinária típica do país. E, mesmo com todo o conhecimento, começou a vender comida de maneira despretensiosa. 

Em casa, começou a tirar foto do yakisoba que fazia e publicar nas redes sociais. Nessa, os amigos dele começaram a comprar e as vendas foram aumentando. “Quando eu vi, já estava com uma cozinha montada dentro da minha casa e fazendo as entregas”, conta.

Passada a fase mais restrita da pandemia – a fase vermelha, em que os comércios não estavam autorizados a abrir as portas – Ivan começou a pensar em uma maneira de viabilizar um trailer para ter um ponto fixo de atendimento aos clientes. Sem dinheiro para investir, ele conseguiu fazer “um rolo” com um rapaz que tinha o trailer e trocou por caixa de som, guitarra e outros equipamentos que ele tinha.

Mas, mesmo conseguindo o veículo, Ivan teve de manter a produção durante um tempo em sua casa. Isso porque o trailer precisava de reformas e ele contou com a ajuda de amigos e conhecidos para que pudesse fazer as melhorias necessárias. Ganhou tinta, pneus, equipamentos elétricos e trabalhou na reforma.

Há cerca de um ano e três meses, o Trailer do Japa foi inaugurado na Avenida Amazonas, no Centro de Arujá, aonde funciona até hoje. E não demorou muito para que o sucesso chegasse ao endereço e o número de clientes fosse aumentando. Paralelo a isso, os eventos voltaram a acontecer e Ivan não abandonou a antiga profissão. 

Retornando à produção, ele passou a diminuir o tempo em que ficava no trailer, que hoje em dia é muito mais gerenciado pela esposa dele, Alessandra Sayuri, que é quem fica no espaço todos os dias atendendo ao público.

“Agora, a Prefeitura de Arujá está fazendo quiosques que serão destinados ao pessoal que vende nos trailers. Para que eu tenha um, eu preciso ser contemplado pelo sorteio. Eu torço muito para que isso aconteça, porque quero parar de trabalhar com eventos. Meus planos futuros são poder viver somente da venda dos alimentos e não ter que trabalhar na noite, porque é muito cansativo e eu quero estar mais perto da minha família”, afirma Ivan.

Hoje, o cardápio do trailer vai muito além do yakissoba. Eles comercializam outros pratos típicos do Japão, como temaki, karaguê, guioza e hot roll, que se tornou o grande sucesso e carro-chefe do restaurante. Para Ivan, o que faz com que o Trailer do Japa se destaque é o tempero, que não é brasileiro, como costuma acontecer em outros restaurantes. Ele fez questão de trazer ao Brasil aquilo que realmente é utilizado no Japão. 

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