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HISTÓRIA REAL

Na pandemia, "amizade vintage" uniu os mogianos Carol Camargo e Roberto Maiolo

Ela aluna, ele professor, Carol Camargo e Roberto Maiolo se conheceram em aulas de dança. Durante a pandemia, a amizade que surgiu ali evoluiu para uma relação profunda e pautada no diálogo e, algum tempo depois, levou a uma parceria profissional de sucesso

Heitor Herruso
30/12/2022 às 15:19.
Atualizado em 31/12/2022 às 08:09

Ela aluna, ele professor, Carol Camargo e Roberto Maiolo se conheceram em aulas de dança (Divulgação - Adalberto de melo (Pygmeu))

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HISTÓRIA REAL

Na pandemia, "amizade vintage" uniu os mogianos Carol Camargo e Roberto Maiolo

Ela aluna, ele professor, Carol Camargo e Roberto Maiolo se conheceram em aulas de dança. Durante a pandemia, a amizade que surgiu ali evoluiu para uma relação profunda e pautada no diálogo e, algum tempo depois, levou a uma parceria profissional de sucesso

Heitor Herruso
30/12/2022 às 15:19.
Atualizado em 31/12/2022 às 08:09

Ela aluna, ele professor, Carol Camargo e Roberto Maiolo se conheceram em aulas de dança (Divulgação - Adalberto de melo (Pygmeu))

Era uma vez uma confeiteira. E era uma vez um professor de dança. Eles tinham uma relação muito específica, limitada às aulas de stiletto (dança do salto alto). Mas como se estivesse escrito nas estrelas, fosse obra do destino ou ainda algo ligado a outras vidas e encarnações, isso mudaria em breve. Durante a pandemia de Covid-19, trocas de palavras cotidianas deram lugar a risadas em grupo de WhatsApp, que se transformaram em longuíssimas sessões de conversa no particular, que viraram chamadas de vídeo, troca de presentes, bilhetes e muito mais, até culminar em uma parceria profissional de sucesso. Amizade daquelas de ter tatuagem igual, de trabalhar junto e não se cansar do outro. Parece ficção, história de livro, de filme. Mas é real e de Mogi das Cruzes. Carol Camargo e Roberto Maiolo são os protagonistas.

Quando Carol, pela segunda vez, se matriculava em uma aula de Roberto, que já chegou a dar aulas em 13 academias ao mesmo tempo, ele quase já não lembrava dela, aluna carinhosamente apelidada de “Sombra”, por dançar exatamente atrás dele no passado. E olha que ela, tímida, se inscreveu exatamente por causa do espírito do professor, expansivo, alegre e engraçado. 

Nas primeiras aulas, a comunicação entre a dupla limitava-se ao que a boa educação pede: “oi” e “tchau”. Mas ambos sabiam, sentiam, de alguma forma inexplicável, que havia uma conexão. 

Roberto tinha um grupo no WhatsApp, com outras quatro alunas. Observador, percebeu que, durante as aulas, Carol se conectou com elas e resolveu a adicionar. Deram-se aí as primeiras interações mais leves e menos formais entre eles. A cada fim de aula, Carol agradecia a felicidade da dança oferecendo um chocolate ou doce feito por ela própria, confeiteira de mão cheia. Roberto via que ela ia se abrindo e a aproximava cada vez mais da “bagunça” saudável que conduzia.

É como se dois estudantes, um da turma do fundão e outro que senta na primeira carteira da escola, percebessem que têm muito em comum. Mas aí, sem aviso, veio a pandemia de Covid-19, impedindo as aulas de dança.

A sorte é que a tecnologia permitiu, dessa vez, o que não era possível durante a gripe espanhola, um século atrás: a comunicação a qualquer tempo. E já existia um grupo no WhatsApp, afinal de contas. Por lá, alunas e professor passaram a trocar recomendações. Livros, filmes, séries. Muito do que se falava ali passava batido, mas não para a dupla de protagonistas desta história.

Carol percebeu que havia filmes que somente ela e Roberto gostavam. E a conversa seguiu o fluxo natural, indo para outra aba, particular, somente entre eles, que trocavam reflexões e aprofundamentos, a princípio baseados em ideias em comum, mas que não demorariam a evoluir para todo o tipo de anseios e questionamentos.

Essa é uma maneira bonita de descrever o início desta amizade. Mas Carol sabe, no fundo, que tudo já tinha começado há algum tempo. Certa vez, levou um panetone ao professor. Como de costume, o presente estava embalado com delicadeza, acompanhado de um cartão com palavras carinhosas. Ele percebeu e comentou com ela, agradecendo, em mensagem privada, a sutileza. Ela gostou de saber que alguém não estava apenas comendo, mas sim entendendo o processo de criação, e inclusive o reproduzindo nos alfajores que preparava.

Novamente, não há coincidências nesta união. A confeitaria seria o tema de muitas das horas de conversas em mensagens de texto ou chamadas de vídeo. E, eventualmente, extrapolaria o digital. Eles olhavam para a gastronomia de uma maneira muito particular, mas estranhamente comum, então Carol passou a enviar bolos, doces, chocolates e outras receitas ao amigo, que devolvia com o que sabia fazer, como os já citados alfajores e também receitas salgadas, como nhoque e esfirras.

Abalados psíquica e emocionalmente pelas incertezas do novo coronavírus, Carol e Roberto se aproximaram e foram a fundo no significado da palavra “compartilhar”: fazer a partilha, dividir, distribuir. Não era justo que cozinhassem apenas para si, pensaram. E com farinha, ovos e outros ingredientes, criaram o alicerce de uma amizade que evoluiu para uma parceria profissional nesta mesma área. 

Em março de 2020, quando a Covid-19 foi caracterizada como pandemia, as conversas entre eles tiveram início. Na Páscoa daquele ano, embora não estivessem juntos no ateliê culinário, já havia uma parceria que deu forças para Carol cozinhar. E na Páscoa de 2021 eles colocaram a mão na massa juntos.

Um parênteses merece ser feito para dizer que a TV Diário tem um papel importante nesta história. Em fevereiro de 2021, o programa Mais Diário exibia um vídeo da receita de bolo Romeu e Julieta criada pela dupla. Foi a primeira vez que eles cozinharam juntos.

Carol Camargo trabalhou sozinha por muitos anos e não pensava em dividir a cozinha até conhecer Roberto Maiolo, com quem passou a criar receitas e projetos (Foto: Divulgação)

Pouco tempo depois, na Páscoa, nascia a parceria profissional, que anda de mãos dadas com a pessoal. Carol passou uma década cozinhando sozinha, sem sequer imaginar dividir a bancada com alguém. Mas com Roberto era diferente. Já pelo WhatsApp existia essa vontade, e ela fez o convite. 

O amigo, no primeiro momento, escorregou, evitou. Mas decidiu arriscar. E não foram necessárias tentativas ou combinações de regras. Tudo fluiu, como se já fizessem aquilo há anos. 

Eles falam em “dançar uma mesma valsa” e em estar em “uma mesma sintonia”, e é claro que há brigas, discordâncias e individualidades. Mas a amizade de Carol e Roberto encontrou qualidade no espaço, no silêncio confortável e no olhar. Tanto é que a dupla foi coroada com um prêmio do reality show ‘Que Seja Doce’, do GNT, como O Diário já mostrou no canal ‘Inspire-se’.

Mas nem tudo é confeitaria. Nesse curto, mas extremamente intenso período de amizade, Roberto concluiu um curso de Psicanálise, e agora Carol estuda a área também. Porque eles conversam, e conversam, e conversam. Sobre tudo e todas as coisas. Uma “amizade vintage”, como dizem, e não apenas dizem como fizeram questão de marcar nas próprias peles, para sempre, em uma tatuagem (veja foto abaixo). 

(Foto: Divulgação)

O diálogo que estabelecem permite a criação de novas receitas, o sonho com projetos e o compartilhamento de um ateliê gastronômico. Eles se veem diariamente no trabalho, e inclusive falaram com a reportagem enquanto preparavam receitas típicas de fim de ano, mas continuam se vendo onde tudo começou, nas aulas de dança. E mais: se veem na psicanálise e se veem um no outro.

Durante a pandemia, que abriu espaços de vulnerabilidade, entenderam que “às vezes, coisas ruins acontecem para outras boas poderem ter a oportunidade de acontecer”. E nesse processo de crescimento, amadurecimento e fortalecimento mútuo, encontraram, no afeto, o segredo para uma amizade que “só acontece, sem regras, sem rótulos e sem prescrição”, mas com “muita transparência, verdade e cumplicidade”.

 ‘Que Seja Doce’

Depois da gravação para o programa ‘Mais Diário’,  em feveeiro de 2021, Carol Camargo começou “a ficar com vontade de participar” do ‘Que Seja Doce’, do GNT. Neste reality, a cada episódio, três doceiros disputam o título de “confeiteiro mais doce” com provas e avaliação dos jurados. 

(Foto: Divulgação - Adalberto de melo (Pygmeu))

“Sempre assisti, mas nunca me imaginei lá. Quando vi que desta vez era em dupla, me senti mais confortável”, diz a confeiteira. Roberto Maiolo aceitou sem pensar duas vezes. 

Depois de preencher a ficha de inscrição para a oitava temporada, cujo tema era“Volta ao Mundo em 80 Doces”, próximo passo da dupla foi gravar um vídeo respondendo a cinco perguntas feitas pela produção. E eles apostaram em um formato livre, sem roteiro. Carol fez cookies, Roberto comandou o ritmo. A química estava ali, e o GNT percebeu.

Na primeira prova do programa, eles recriaram o biscoito oznei haman, um quitute “amanteigado, com recheios à base de geleia, chocolate e frutas”. A escolha dos mogianos foi “damasco, geleia de cupuaçu e castanhas brasileiras”, combinação que inclusive inspirou um sabor de alfajor mais tarde. Mas eles não foram escolhidos pelos jurados aí. Foi a segunda prova que os sagrou campeões, a partir do bolo de mel lekach, com “especiarias, mel, laranja, café, noz moscada e calda de chantilly”. 

Leia a história completa neste link.

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