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EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

Mogiano autista inicia projeto em rádio e redes sociais para falar sobre esportes

Carlos Baccarat Neto, 23 anos, que tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA), deu importantes avanços para realização do sonho de se tornar jornalista esportivo

Fábio Palodete
31/12/2022 às 08:08.
Atualizado em 02/01/2023 às 11:24

(Arquivo pessoal)

Neste 2022, o mogiano Carlos Baccarat Neto, 23 anos, que tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA), deu importantes avanços para a realização de um sonho: se tornar jornalista esportivo. Como conta, o “hiperfoco” dele é o esporte. Com bastante dedicação, criou e administra um perfil nas redes sociais para falar deste universo. Foi então convidado para falar do tema em um programa de rádio de outra cidade. Bola rolando, ambos os projetos seguirão com força em 2023.  

De certa forma, Carlos já ‘entrou em campo’ e cumpriu esse sonho. Apesar de ter como meta fazer um (ou mais) curso de ensino superior da área, ele se comunica diariamente através de sua página trazendo notícias de diferentes esportes. Já noticiou, por exemplo, jogos do Mogi Basquete, do qual ele é fã, futebol – que é uma de suas paixões, vôlei e mais. 

A atuação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo do Catar e também de outros países foi um dos destaques do último mês. 

A história vem para reforçar o que está cada vez mais claro na sociedade: que o autismo não é uma porta fechada. Com oportunidades certas e vontade, os sonhos se constroem para qualquer um.  

Carlos se interessa pelo esporte desde os 17 anos. “Formado em Química e futuro jornalista esportivo”, é a mensagem no ‘bio’ de seu perfil no Instagram. Ele criou a página @baccarat_sports99 para falar de diversos esportes. O número de seguidores que o acompanham vem crescendo.
“É um sonho”, ele comenta sobre a carreira no jornalismo esportivo. “Eu quero ser repórter, locutor esportivo”, acrescenta. Acompanhar jogos do Mogi Basquete bem de perto também é um desejo. Ele já participou de um projeto esportivo do time, pelo qual tem carinho. 

Atualmente com quase 500 publicações, o perfil trouxe frutos. Ele foi convidado para participar de um programa de rádio que é feito online.
O programa volta ao ar em janeiro próximo. 

“Eu gosto quando ganho mais seguidores. Inclusive o arbitro do último jogo do Brasil na Copa começou a seguir”, comemorou. 

A mãe dele, Milena, também fica feliz com o avanço do sonho.
“No caso do Carlos, tudo isso mostra o jovem querendo dar novos passos. Com a página, ele se sente importante. Gosta de saber que outras pessoas o estão ouvindo”, comenta ela. A rádio tem sido mais importante ainda, “porque é o que ele sonhou em fazer”, acrescenta. 

Carlos gostaria de estudar Jornalismo, mas uma universidade da cidade não abriu turmas para a disciplina nos últimos anos. Ele continuará tentando. 

O programa citado é exibido na Rádio Bravo. O “Conexão Audio”, foi criado em parceria com a Galeria Aut. “Um programa feito por artistas autistas”, traz a sua descrição. Ele é exibido aos sábados. E pode ser ouvido e tocadores de rádios virtuais. 

Milena também tem outro  filho  autista,  Danilo, que tem 17 anos.
“Ele é, igualmente, uma inspiração para o irmão”, comemora a mãe que acompanha os filhos trilharem novos horizontes. 

 Autismo
O Transtorno do Espectro do Autismo reúne desordens do desenvolvimento neurológico presentes desde o nascimento ou começo da infância. 

Estima-se que aproximadamente 1% da população mundial tenha autismo.  O assunto, porém, ainda é tabu em algumas áreas da sociedade brasileira. 

Segundo escreve a Ong Autismo e Realidade, o capacitismo causa dificuldades diárias para autistas e seus familiares ao lidar com pessoas que demonstram pouco entendimento sobre o transtorno. Trata-se de uma visão que separa as pessoas em padrões e exclui todas que não se encaixariam dentro de um critério muito específico de normalidade. Entretanto, a sociedade é formada por seres humanos, e humanos sempre serão diferentes entre si.

Como citado pela Ong, é necessário entender, portanto, que pessoas com deficiência podem e devem participar ativamente da sociedade. E que não é preciso estar dentro de um padrão para que isso aconteça, pois, todas as pessoas são capazes, dentro de suas limitações.

 Apae quer gerar oportunidades

NOVIDADE O projeto “Quero Trabalhar” foi lançado no final de do mês passado pela Apae de Mogi das Cruzes (Reprodução - Google Street View)

Ampliar as ações de reabilitação/habilitação e capacitação da pessoa com deficiência para o trabalho em Mogi das Cruzes e na Região do Alto Tietê é a proposta do “Quero Trabalhar”, lançado no final de do mês passado, pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Mogi das Cruzes. O projeto de empregabilidade tem a aprovação do Ministério da Saúde, no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas/PCD), duração de 12 meses e vai oferecer 66 vagas para jovens com deficiência intelectual e idade acima dos 16 anos (alunos da Apae de Mogi) nos seguintes cursos de capacitação: confeiteiro básico (10); auxiliar de escritório e administrativo (10); auxiliar de logística, almoxarifado e depósito (10), treinamento de manipulação de alimentos (8); auxiliar de cozinha (8); empacotador de mercado (10); e jardinagem (10). Os interessados devem se inscrever na Apae, ou ligar para o telefone (11) 4728-4999.

O projeto teve início em outubro último, mas as aulas dos cursos começarão a ser dadas a partir de fevereiro de 2023, quando terá início o período letivo. A coordenadora de projetos da Apae de Mogi, Adriana Ribeiro Martins Noronha, fala mais sobre o “Quero Trabalhar”: “Trata-se de um projeto de capacitação e qualificação profissional para as pessoas com deficiência. Ele contribuirá com ações de reabilitação, habilitação e capacitação para o trabalho apoiado, ampliando a empregabilidade da pessoa com deficiência e suplantar as barreiras físicas, psicológicas e atitudinais, promovendo condições equitativas para a inserção e permanência no mundo do trabalho”.

A instituição mogiana já conta com um apoio de orientação para inserir o jovem no mundo do trabalho. Atualmente, são oito jovens da Apae de Mogi das Cruzes trabalhando em empresas. 

Nesse sentido, o projeto chega para ampliar esta oferta de empregabilidade, conforme explica a coordenadora do “Quero Trabalhar”, a psicóloga Solange Regina de Morais. 

“Além do estímulo que os jovens receberão, eles terão a possibilidade de progredir profissionalmente, empreender e somar rendas com a família. Eles serão vistos pelo seu potencial de trabalho. Precisamos dessa conscientização da sociedade, pois, muito mais do que a inclusão – e hoje em dia buscamos nem falar mais em inclusão, que remete à exclusão - falamos em qualificação. Vamos qualificar este jovem para que ele possa fortalecer a identidade dele, reconhecendo o seu valor dentro da sociedade, promovendo o bem-estar pessoal e profissional. Este jovem é uma pessoa qualificada, e nós vamos enaltecer os pontos fortes do perfil do aluno da Apae de Mogi das Cruzes”, diz a coordenadora Solange. Também integra a equipe multidisciplinar, o promotor e assistente social Aristides de Araújo Gil.

A busca pela vaga no mundo de trabalho será feita pelo promotor do projeto, que além de dar palestras aos jovens, fará a ‘ponte’ entre eles e as empresas, para inseri-los no mundo do trabalho. Os alunos, já empregados, terão um acompanhamento pós-colocação.

O projeto tem o aporte das empresas Zilor Energia e Alimentos, Racional Engenharia e Ultracargo Logística. A execução dele será até outubro de 2023.

A Apae de Mogi está localizada na rua Carmem Moura Santos, 134, no Jardim Betânia.

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