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Mogiana completa 102 anos realizando um sonho ter uma foto no jornal

Dona Izolina, lucida e bem humorada, recordou algumas lembranças da vida para comemorar a data e para acompanhar sua foto no jornal, pedido feito aos filhos

Mariana Acioli
10/07/2022 às 12:11.
Atualizado em 10/07/2022 às 13:10

Dona Izolina comemora os 102 anos recordando as memórias mais especiais que viveu (Crédito: Mariana Acioli)

Izolina da Matta Duccini coleciona histórias e experiências marcantes na vida. Em 2020, mesmo internada após contrair Covid-19, comemorou o centenário no hospital. Dois anos depois, festeja mais um aniversário neste sábado (9), esbanjando alegria de viver, o que segundo a filha mais velha, Nilde Duccini, ela tem de sobra.

Nascida em 9 de julho de 1920, na cidade de Barra Bonita, próximo a Bauru, ela se mudou com a família ainda pequena para Macatuba, onde cresceu, passou parte da adolescência e, de acordo com ela, viveu parte das melhores experiências de sua vida. 

Em entrevista a O Diário, Izolina recordou muito dos trabalhos que executou, logo nos primeiros anos da adolescência e juventude, ainda em Macatuba. Naquela época, por volta de 1932, era comum as mulheres estarem mais ligadas a trabalhos no campo, mas ela conta que “não teve área em que não tenha trabalhado”.

“Trabalhei na roça, carpi, plantei, rocei, cortei milho, cortava e plantava arroz, fiz de tudo. Também plantei algodão, mas eu tinha medo. Havia aquele bichinho e meu pai sempre falava que ele não fazia nada, mas eu tinha medo”, relatou Vó Zula, apelido pelo qual é chamada pelos familiares. 

Dona Izolina comemora os 102 anos recordando as memórias mais especiais que viveu (Crédito: Mariana Acioli)

Sem demora, ao ser perguntada pelas melhores lembranças daqueles anos, dona Lina (outro apelido que recebeu de amigos ao longo da vida) contou sobre suas participações na igreja da cidade em que morava.
“Adorava ajudar na igreja! Ajudava a limpar toda semana, tombava os bancos, jogava água, e no final de semana estava tudo limpo. Também cantava. Adorava cantar! Achava lindo, lindo, lindo, lindo!”, conta animada ao relembrar os tempos da adolescência.

Até hoje, a família considera Izolina uma mulher de muita fé, característica que já vinha dos tempos em que tinha pouca idade, quando frequentava as missas para ouvir as pregações e fazer as rezas. 

Foi no início da juventude que dona Lina se mudou para Mogi das Cruzes com a irmã, para ajudá-la a cuidar de seu filho recém-nascido. Aqui, em pouco tempo, ela viria a conhecer seu marido, Ernesto Duccini. 

“Minha mãe sempre foi muito católica, mas a história de como ela conheceu meu pai foge um pouco do meio que ela sempre esteve, porém, é uma história muito bonita. Mamãe esteve muito doente e minha tia acabou levando-a no Centro Espírita Antônio de Pádua, em Mogi. Lá, as filhas do meu pai, que era viúvo antes de conhecer minha mãe, a viram e disseram ao pai que era ela quem elas queriam para ser sua nova mãe”, conta Nilde da Matta Duccini, filha mais velha de dona Lina, que também acompanhou a entrevista à O Diário.

Mal se passaram seis meses e o casamento aconteceu, quando Izolina tinha 25 anos, em 1945, unindo Ernesto e as filhas para formarem a nova família. Nilde ainda ressalta, relembrando as histórias da mãe, que foi depois desse período que ela afirmava o quanto teria mudado e amadurecido. 

“Mamãe foi uma das primeiras mulheres a dirigir em Mogi”, revela a filha orgulhosa. Ernesto, falecido marido de dona Lina, tinha um açougue e ela fez questão de aprender a dirigir para ajudá-lo nas entregas das carnes nas casas dos mogianos. 

Izolina da Matta Duccini na juventude. (Imagem: Reprodução)

Nas memórias de Nilde, Izolina sempre foi uma mulher muito forte, presente, de fé e que batalhava pela vida, porque verdadeiramente gosta de viver. 

“Em casa, tínhamos as enteadas da minha mãe, Nair e Nilce, e depois vieram os outros filhos. Eu fui a primeira (nascida um ano depois do casamento), meu irmão Newton e a Nilia vieram na sequência, com um ano diferença entre nós. Também teve o Adalberto, nosso irmão adotivo. Mamãe nunca deixou de dar atenção a todos nós, sempre acompanhando na escola e garantindo tudo o que precisávamos”, detalhou Nilde.

Embora dona Lina se ocupasse muito com os trabalhos que executava - e como gostava de trabalhar -, os cuidados com a família se mantinham sempre como prioridade. 

Os anos de Izolina junto do marido e filhos foram de muita união, relembra a filha mais velha. “Mamãe teve uma vida de muito trabalho, mas com muito amor, muita música e muita comida, como uma boa família de italianos”, relata a filha, saudosa.

Ao completar 102 anos, Izolina, que há 51 está viúva, vê a família crescer cada vez mais. Ao todo são 10 netos, 11 bisnetos e três trinetos. Somando com filhos e enteadas, chega-se a 32 pessoas. 

“Mamãe teve uma vida de muito trabalho, mas com muito amor, muita música e muita comida, como uma boa família de italianos”, relata a filha mais velha de dona Lina. (Crédito: Mariana Acioli)

Questionada sobre a comemoração do aniversário deste ano, dona Lina respondeu: “Esse ano eu não quero um festão, mas quero um bolinho”, confirmando que não tem o costume de deixar a data passar em branco, ocasião que a família faz questão de festejar.

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