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VIOLÊNCIA CONTRA ANIMAIS

Livro de jornalista mogiana denuncia fábricas de filhotes

Isabella Grisaro divulga a obra "A Matriz", que reúne relados de maus-tratos a pets e divulga a adoção como forma de combater a violência contra animais que movimenta mercado bilionário no Brasil

Eliane José
25/06/2022 às 07:33.
Atualizado em 25/06/2022 às 07:33

(Divulgação)

Primeiro livro da mogiana Isabella Grisaro, de 24 anos, “A Matriz” (Editora UICLAP) surgiu do espanto, revolta e curiosidade da jornalista ao tomar conhecimento de uma reportagem sobre uma “fábrica de filhotes”, nome dado a estabelecimentos focados na reprodução de animais domésticos, na cidade de Piedade. Os maus-tratos descritos e duras imagens da operação de resgate levaram a estudante (à época) a vasculhar o tema e descobrir que não havia, até àquela altura, nenhuma obra de referência no Brasil, segundo ela, que tratasse dessa prática para fins comerciais de um do filé bilionário do mercado pet, tão amplo e complexo, que se desenrola ao largo da legislação.

Fermentou desse interesse, o objeto de pesquisa para o projeto de conclusão, o TCC, da faculdade de Jornalismo da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), que deu luz ao primeiro livro assinado pela jornalista mogiana. Até o momento, 200 cópias foram vendidas de forma independente.

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(Reprodução)

A obra foi lançada durante a pandemia. Na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, de 2 a 10 de julho próximos, no estande da editora UICLAP, estarão os exemplares da obra jornalística e documental que divulga a adoção como saída para os maus-tratos a cães de raça de todos os portes, com prevalência, no entanto, dos pets menores e minis. 

A história desse feito ilustra o Inspire-se, deste sábado, por ter nascido de uma pesquisa universitária e alçado voo, a ponto de ser usado como fonte de palestrantes, organizações de defesa da causa animal e de consulta para trabalhos de pesquisa científica sobre o tema.

Isabella acredita que a denúncia e os relatos reunidos em 20 entrevistas e no material baseado em dados oficiais disponíveis sobre esse prejudicial modelo para gerar e vender filhotes, ainda vão colher frutos, a partir da conscientização sobre a adoção, apontada por ela, como único meio para salvar vidas de milhares de fêmeas – que têm a expectativa de existência e a saúde afetadas pelo excesso de crias, e também dos machos e dos filhotes (muitos deles, desprezados por não corresponderem às expectativas do mercado para venda).

Sempre atenciosa aos fatos reunidos e, lembrando que é uma jornalista e não um profissional da área, Isabella torce para que o livro ancore mais vozes contra os impactos negativos do comércio dos animais no Brasil.

Nos relatos de violência e dos mecanismos usados, ela vê uma forma de sensibilizar as pessoas sobre a adoção ou invés da compra que municia um mercado potente. Projeção feita pelo Instituto Pet Brasil e divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, indica que esse setor lucrou, em 2020, R$ 40,1 bilhões no Brasil - sendo 2,1% correspondentes à venda de filhotes.

A autora critica a objetificação da vida dos animais, quando são vendidos. Para ela, a forma como os pets chegam aos donos deveria ser tratada de maneira ética. “É dado um preço em uma vida animal”. Além disso, avisa, a prática corrobora para a morte de fêmeas, o desenvolvimento de sequelas ou doenças provocado pelo excesso de crias. “A adoção é a solução. Quem compra um pet financia esse sistema clandestino e cruel”, comenta, afirmando que a proposta do livro é replicar os reflexos dessa prática “antiética” e comercial e, sobretudo, alertar sobre as condições de cães e dos filhotes - que são retirados do desmame antes do tempo, entre outros abusos registrados por especialistas entrevistados para a produção do livro-reportagem, que foi orientado pela professora universitária e jornalista Simone Leone, da UMC. 

 Fiscalização quase não existe

Com uma legislação ainda muito tímida e que diz respeito a regras gerais dos estabelecimentos onde a reprodução é realizada e situações como a grande quantidade de “fabriquetas” clandestinas de filhotes e irregularidades flagradas com frequência, como a compra de animais com pedigrees falsos, a jornalista Isabella Grisaro não vê prosperar resultados efetivos a não ser uma mudança de comportamento dos futuros cuidadores dos animais. Por isso, aposta na conscientização.

Ao estudar o tema, ela constatou as dificuldades para deter a prática flagrada com facilidade, com fêmeas sendo exploradas até a morte, como revelam denúncias publicadas no livro A Matriz - a verdade por trás das fábricas de filhotes. Com dois cios ao ano e gestações entre 60 e 65 dias, as mães costumam não ter uma pausa para restabelecer a saúde após a cria. “Os cães são vistos como objeto/produto por esse mercado de venda de vidas. O ideal é que machos e fêmeas sejam castrados”, opina.

 Exemplos que inspiram

Entrevistas com especialistas e casos que chamam atenção sobre a gravidade dos maus-tratos são aposta da jornalista Isabella Grisaro, que é mogiana, vegetariana em processo para virar vegana, e uma ativista que se prepara para continuar informando as pessoas sobre a ética e a responsabilidade sobre a posse animal.

Exemplos de tutores que conseguiram retirar pets de situações de vulnerabilidade, crueldade e crime estão reunidos no livro-reportagem.

Após essa primeira jornada, a profissional já incursiona por novo projeto sobre o mesmo tema, porém, antes de assinar o segundo livro, ela pretende divulgar mais o trabalho em lançamentos e fóruns dedicados ao assunto. 

Onde comprar
O exemplar pode ser adquirido no site da editora ICLAP, Amazon ou diretamente na Livraria A Eólica Bookbar, na R. João Cardoso de Siqueira Primo, 55, Vila Helio, em Mogi das Cruzes.

Outras informações e contatos podem ser feitos pelo @livro_a_matriz, no Instagram.

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