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EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

Jornalista escreve livro na pandemia e ganha projeção contando histórias de Heliópolis

Marcelo Barbosa ganhou projeção com o livro “Favela no Divã”, que relata histórias de sua infância na comunidade

Mariana Acioli
31/12/2022 às 08:10.
Atualizado em 31/12/2022 às 12:10

Marcelo Barbosa, dentre as muitas funções que já atuou, diz se orgulhar especialmente em ser escritor, carreira que iniciou durante a pandemia (Crédito: Mariana Acioli)

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EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

Jornalista escreve livro na pandemia e ganha projeção contando histórias de Heliópolis

Marcelo Barbosa ganhou projeção com o livro “Favela no Divã”, que relata histórias de sua infância na comunidade

Mariana Acioli
31/12/2022 às 08:10.
Atualizado em 31/12/2022 às 12:10

Marcelo Barbosa, dentre as muitas funções que já atuou, diz se orgulhar especialmente em ser escritor, carreira que iniciou durante a pandemia (Crédito: Mariana Acioli)

Um antigo e empoeirado diário foi responsável pela reviravolta na vida do escritor e jornalista, Marcelo Barbosa. O ferrazense, que cresceu na comunidade de Heliópolis, Zona Sul de São Paulo, reencontrou, em meio aos objetos antigos, em casa, o caderno onde escrevia sobre sua infância e adolescência. Ele só descobriu, depois de anos, que as memórias serviriam como um presente para sua nova carreira. 

“Favela no Divã” é fruto dessas histórias registradas desde muito novo pelo próprio autor, acrescentando à obra críticas e reflexões importantes sobre a periferia.

“Eu nunca pensei em ser escritor, nunca tinha programado ou até sonhado com a ideia, mas a pandemia me despertou para  isso”, afirmou o ele.

Marcelo foi uma entre as muitas pessoas que tiveram de passar por dificuldades no primeiro ano da pandemia, após a demissão do trabalho. No meio disso, se questionava sobre o legado que iria deixar para os seus filhos, enquanto via tantos amigos e familiares morrendo pela Covid-19.

Foto base para criação da capa do livro é um registro da Heliópolis atual (Foto: Arquivo Pessoal)

“Nessa neurose toda, eu comecei a limpar alguns itens aqui em casa e achei um diário meu, da época da adolescência, onde eu contava algumas histórias da minha vida na favela. Eu peguei aquele diário e comecei a transcrevê-lo para o computador e fui acrescentando algumas coisas que eu lembrava. Nele eu escrevia coisas de quando morei em Heliópolis, onde tinha dia que vinha a cavalaria, helicóptero, contava como eu me sentia assustado, me perguntava por que via o Exército na minha rua. Eu questionava a violência urbana, por que eu via a morte; tinha até uma parte onde escrevia como passei a achar aquilo normal”, relembrou Marcelo. 

O item que estava esquecido na casa e foi reencontrado entre o Natal e o Ano Novo de 2020, impulsionou o “ainda não escritor” a produzir o livro com aquelas antigas memórias registradas à mão, que quase não eram mais legíveis, devido aos anos.

“A partir dali comecei a escrever. Peguei algumas partes do diário e fui separando, em capítulos. O título também veio fácil, tudo fluiu bem nesse processo. Foi muito interessante”, detalhou. 

Despretensiosamente “Favela no Divã” foi nascendo, a princípio, com a ideia de ser uma espécie de herança para a família. “No início eu iria apenas terminar de escrever, talvez imprimir em sulfites mesmo e guardar para que, no futuro, meus filhos pudessem conhecer a história”, explicou o jornalista. 

A pesquisa de um possível público-alvo foi o que motivou o autor a de fato publicar a obra. 

“Fiz um teste enviando para adolescentes algumas partes do livro para eles lerem e vi que eles ficaram maravilhados com a história de uma cara que veio da favela, que viu violência, sofreu com a violência e conseguiu superar tudo isso. Foi aí que eu me animei mesmo, fui atrás de editora e fazer orçamentos para a publicação”, contou Marcelo.

A animação rendeu até sugestões de amigos para inscrever o livro em editais de cultura. “Era uma área que eu até então não conhecia”, destacou o jornalista que foi descobrindo aos poucos  as possibilidades dentro do universo da literatura.

Marcelo Barbosa da Silva, nasceu em São Paulo em 1984. É filho de pais nordestinos, a mãe, infelizmente já falecida, mas o pai está com 76 anos e ainda mora em Heliópolis. (Crédito: Mariana Acioli)

“Estou inscrito e aguardando resultado do ProAC, valor de R$ 100 mil para doar o livro gratuitamente e realizar leitura dirigida para os jovens de todas as unidades da Fundação Casa, do Estado de São Paulo”, divulgou Marcelo. 

Desde o lançamento, em outubro de 2021, a obra já foi inscrita em pelo menos quatro editais, sendo que um deles é internacional, do governo da Noruega. O título foi um dentre os 50 projetos culturais aprovados pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) no ano passado, que aprovou o projeto na Lei de Incentivo à Cultura “Lei Rouanet”.

O segundo volume de “Favela no Divã”, que será lançado em janeiro, também foi aprovado na Lei Rouanet com o projeto: “Literatura, Terapia e Saúde Mental”, com limite de R$ 499. 482,51 para captação de recursos. 

“A proposta de trabalho validada inclui distribuição de livros em escolas públicas e em unidades prisionais do Estado de São Paulo, leitura dirigida, palestras e até terapia psicanalítica para o público-alvo”, explicou. 

Para seguir atuando na nova carreira, no entanto, Marcelo precisou garantir outra fonte de renda, já que, para a publicação do primeiro volume do livro, foi necessário um investimento maior do que o lucro adquirido de fato.

“O que me ajudou nesse processo de transformação de carreira, foi uma nova atuação profissional que eu conquistei. Sou professor do Sebrae, prestador de serviço, o que me ajudou a conseguir montar minha agenda para atender ao meu projeto”, expôs o jornalista que atuava na área de ensino como instrutor de aprendizagem do programa Jovem Aprendiz, no CIEE, quando foi demitido, em 2020. 

Hoje, conciliando as aulas com os projetos literários que não envolvem somente escrita, mas também atualização do site e redes sociais, produção de conteúdos e pesquisas, o atual escritor descreve a realização por ter encontrado no Marcelo do passado, uma atuação no presente que ele nunca imaginou exercer. 

“Eu sinto orgulho de dizer que eu sou escritor, que eu tenho mais uma formação, brasileiro, especialmente de ver como sou valorizado lá fora, pois tenho tido maiores vendas (dos livros) para o exterior. Então isso me dá orgulho”, compartilha emocionado o autor.

"Favela no Divã", volume II

A obra “Favela no Divã” terá continuação com o volume II, que recebe o subtítulo “A pseudo herança”. O lançamento acontecerá no aniversário de 469 anos da cidade de São Paulo, no dia 25 de janeiro de 2023, às 19 horas. 

Os leitores já podem adquirir o exemplar do segundo volume da obra por meio do site (Imagem: Divulgação)

O evento online será na página do livro no Facebook (procurar por Favela no Divã), com a apresentação e participação dos jovens que integram o Clube do Livro, do Projeto Pescar de Suzano.

Cada exemplar pode ser adquirido através do site favelanodiva.com/compre-o-livro/, ou tenha informações através do e-mail favelanodiva@gmail.com.

Se interessou pela obra?! Confira a sinopse do próximo lançamento:

“Ele quebrou as amarras da escravidão ao sair da favela, mas levou junto uma herança maldita que quebrou sua vida ao perder saúde mental, um sobrinho, o primeiro filho e bens materiais. Parece que o destino se vingava das suas críticas ao local em que morou e o punia pela ousadia de sair do ambiente. Sentimentos estes representados pela sua mãe, que morreu desacreditando o filho. Apesar de todas as evidências, o ex-favelado sabia que a catexia formada era falsa e descarregava todas as suas experiências".

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