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GERANDO FALCÕES

Histórias inspiradoras constroem ONG que começou em Poá e atua em todo o Brasil

Conheça a trajetória de superação de Edu Lyra e Lemaestro, fundadores da Gerando Falcões

Heitor HerrusoPublicado em 29/12/2021 às 15:06Atualizado há 26 dias
Divulgação / Divulgação - Yan Marcelo Carpenter
Divulgação / Divulgação - Yan Marcelo Carpenter

Criada em 2011, a ONG Gerando Falcões atende atualmente 1.550 comunidades em 23 estados brasileiros. Mas tudo começou aqui, no Alto Tietê, mais precisamente em Poá, no bairro Cidade Kemel, de onde são os fundadores, Edu Lyra e Lemaestro. Ambos têm histórias inspiradoras, marcadas por muita luta e superação. Confira a seguir:

 Da favela para o mundo: um dos jovens mais influentes do Brasil

Citado por diferentes fontes, incluindo a Forbes, como um dos jovens mais influentes do Brasil, Edu Lyra é o fundador da ONG Gerando Falcões. “Superação” é a melhor palavra para definir a história dele, que o próprio conta no YouTube.

“Por não ter outra opção na vida, meus pais, Marcio Luiz e Maria Gorete, me tiraram de dentro do hospital e me levaram para morar dentro de um barraco em uma favela de Guarulhos,. Não tinha chão de cimento, era batido de terra, e meus pais não tinham grana para comprar um berço, então me colocaram para dormir dentro de uma banheira azul”, conta Edu, que continua.

“Meu pai colocou na cabeça que queria se tornar diretor de uma empresa, mas acabou se tornando diretor de uma quadrilha. Ele acabou sendo preso, e eu cresci visitando ele um presídio e tendo que ver minha mãe sendo revistada nua durante as visitas. Tudo isso tinha um efeito emocional”.

Ainda muito jovem, ele enfrentava duas crises: uma externa, da fome e da violência, e outra “muito maior”, interna, sobre a “falta de auto estima, confiança, sonhos e fé que o futuro poderia ser melhor”.

“Mas o que mudou minha vida de verdade é que tive dentro de casa uma grande inspiração. Minha heroína, minha mãe, dona Maria Gorete de Brito Lyra, uma diarista que estudou até a sexta série, mas de uma garra, de uma crença, que foi capaz de me transformar”.

Ao filho, ela dizia que “não importa da onde você vem”, e sim “para onde você vai”. Poderosa, a frase surtiu efeito. “Fui para a universidade, não formei, mas estudei jornalismo. Escrevi e publiquei um livro, ‘Jovens Falcões’, e fundei o Gerando Falcões, que trabalha com educação, foco em cultura, esporte, qualificação profissional e geração de renda dentro da comunidade”, finaliza.

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 Transformando vício e depressão em arte, esporte e projetos sociais

“Já faz um tempo que não canto, mas minha história começa através do rap e do skate”, começa a contar Lemaestro, cofundador da ONG Gerando Falcões. “Cresci no Kemel, com pai alcoólatra, com briga dentro de casa, com criminalidade na família da mãe”, diz ele, que se encontrou na arte, após ter ido fundo na depressão.

“Aos 11 anos comecei a andar de skate e aos 13 estava competindo. Mas logo me machuco, e aos 14 vem a depressão. Conheço a cocaína e passo a ser viciado”, lembra, com a voz de quem já passou por muita coisa.

“Vou para uma casa de recuperação e conheço outro talento que tenho, além do skate, que é o rap. Saio de lá e decido usar rap e skate para montar um projeto social. É quando reencontro com o Edu (Lyra), e a gente começa a fazer isso junto. Ele palestrando, eu cantando rap”.

A dupla criou o grupo “MC’s Pela Educação” e rodou o Brasil inteiro, colecionando prêmios. “Mas lá em 2017 eu começo a dar mais foco para fazer esse processo de expansão”.

Lemaestro se refere ao crescimento da Gerando Falcões, que saiu do eixo regional e hoje atende a 23 estados brasileiros. Neste processo, não se esqueceu da música, que ainda faz “por diversão”, inclusive com lançamento de clipe novo na agenda.

“O rap é uma ferramenta educativa que informa, fala muita coisa que a gente não escuta, às vezes por falta de estrutura, ou ensino básico sobre como funciona. Me educou em várias coisas, mudou meus valores. O hip hop, o grafite, o break, o DJ, o movimento nasceu com intuito de fazer ação social, de informar, reivindicar direitos”.

Muito dessa filosofia é empregada por ele na ONG. “Hashtags como #tamojunto, #enois, #vaikida, #paporeto, #etudonosso são nossos valores”. 

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