Entrar
Perfil
DO BEM

Em defesa da mulher: Rosana Pierucetti fala do começo da Recomeçar

Rosana fala do começo da OSC e de suas ações em defesa das mulheres mogianas

Larissa Rodrigues
19/03/2022 às 07:48.
Atualizado em 19/03/2022 às 18:16

O início da carreira como advogada Rosana se mistura ao início da luta pelos direitos das mulheres. (Foto: arquivo / O Diário)

Olá, quer continuar navegando no site de forma ilimitada?

E ainda ter acesso ao jornal digital flip e contar com outros benefícios, como o Clube Diário?

Já é assinante O Diário Exclusivo?
DO BEM

Em defesa da mulher: Rosana Pierucetti fala do começo da Recomeçar

Rosana fala do começo da OSC e de suas ações em defesa das mulheres mogianas

Larissa Rodrigues
19/03/2022 às 07:48.
Atualizado em 19/03/2022 às 18:16

O início da carreira como advogada Rosana se mistura ao início da luta pelos direitos das mulheres. (Foto: arquivo / O Diário)

“Não serei livre enquanto alguma mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas”. Foi com essa frase – da escritora feminista e ativista dos direitos civis e LGBTQIA+, Audre Lorde – que a advogada Rosana Pierucetti concluiu a entrevista a O Diário sobre o mês das mulheres, celebrado em março. Presidente da Organização da Sociedade Civil (OSC) Recomeçar, ela atende o público feminino desde os anos 80. Hoje, inspira muitas mulheres, além de conhecer histórias inspiradoras e de superação.

O início da carreira como advogada se mistura ao início da luta pelos direitos das mulheres. Rosana conviveu com o machismo até mesmo quando escolheu o que faria de graduação. Mas isso não chegou nem perto de ser um motivo para que ela desistisse da profissão.

Carregando...

“O desejo de cursar Direito vem desde a infância, quando dizia que queria ser advogada, e nunca tive outra opção, embora meu pai, Otavio do Prado, tenha tentado me dissuadir dessa profissão alegando que mulher não deveria ir até a ‘cadeia’ conversar com homens presos, pois, para ele, advogar era profissão masculina”, conta Rosana.

Em 1982, já formada em Direito, ela atuou em diferentes funções do setor privado, como vendedora em loja de calçados, auxiliar de compras e secretária. Nesse cenário, vivenciou difíceis episódios de assédio sexual e chegou até mesmo a ser demitida por enfrentar um chefe, após haver sido assediada.

“Passar por estas situações e ver minhas colegas de trabalho também sofrendo desrespeito sempre me indignava”, afirma. E, então, começou a advogar e logo se inscreveu na Assistência Judiciária, setor que atende aqueles que não têm condições de contratar um advogado particular e, segundo Rosana, agrega a experiência necessária para que os advogados possam sobreviver da profissão.

“Os atendidos, na sua maioria, eram mulheres que buscavam por seus direitos, como regularização de imóvel, guarda de filhos, separação e outras situações. No primeiro momento eram essas as reivindicações, mas um pouco mais de conversa e logo apareciam os relatos de violência doméstica, em uma época em que não contávamos com a Lei 11340, que é a Lei Maria da Penha”, relembra.

Durante os 40 anos em que Rosana atua como advogada, sendo 30 deles dedicados ao trabalho voluntário, ela conta que já presenciou muitas histórias inspiradoras. (Foto: arquivo / O Diário)

Já nesse início de carreira, a advogada participou dos trabalhos da 17ª Subseção da Ordem dos Advogados de Mogi das Cruzes, na Comissão da Criança e do Adolescente, Comissão do Idoso, Meio Ambiente e na Comissão do Coração que é a Comissão da Mulher Advogada onde se discute, além do bem estar das profissionais, políticas públicas voltadas para todas as mulheres.

E foi por meio da Comissão Mulher que, em 2004, um grupo de advogadas fundou a Recomeçar. Ouvindo relatos frequentes, elas estavam sensibilizadas com tantos casos de violência contra as mulheres e decidiram tomar uma atitude. A Organização da Sociedade Civil atende mulheres que precisam de orientações relativas aos seus direitos, principalmente, quando querem romper o ciclo de violência.

Durante os 40 anos em que Rosana atua como advogada, sendo 30 deles dedicados ao trabalho voluntário, ela conta que já presenciou muitas histórias inspiradoras. E isso acontece no acolhimento, mas também no atendimento para orientação da mulher que sofre violência e não tem aquela segurança que o conhecimento traz, para então denunciar.

Em um dos casos de acolhimento uma jovem foi agredida, logo após sair do trabalho, pelo ex-marido, de quem ela já estava separada há mais de um ano. A violência foi tão grande que ela ficou com o rosto totalmente desfigurado.

“Ela foi retirada do hospital com escolta e abrigada até que a medida protetiva fosse concedida. Nossa equipe a ajudava a se alimentar com canudinho, pois só passava líquido, por conta dos ferimentos na boca”, relata Rosana.

A Recomeçar ainda ficou responsável por providenciar o processo de guarda dos filhos, alimentos e a comunicação à empresa, por meio de ofício – uma vez que a Lei Maria da Penha assegura à trabalhadora vítima de violência seis meses de afastamento e garantia de emprego.

Mesmo tendo passado por momentos tão difíceis, a mulher – com o apoio da Recomeçar – agora está livre da violência e totalmente recuperada, enquanto trabalha e cria os filhos.

“Esse é um dos exemplos que mostram o quanto cada dia desse trabalho vale a pena”, finaliza Rosana.

Um mês para refletir sobre tempos de muitos avanços

Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher abre as portas para que o mês inteiro estimule a reflexão sobre o assunto. Advogada e presidente da OSC Recomeçar, Rosana Pierucetti afirma que em todos os anos o mês serve como uma reflexão das conquistas e avanços das mulheres.

“Em 2022, comemoramos 90 anos da conquista do voto feminino, estamos saindo de uma pandemia mundial, em que as mulheres foram extremamente penalizadas e tiveram que conviver, em tempo integral, com esse agressor em nível maior de estresse devido à crise econômica e as crianças que ficaram sem frequentar a escola. Todos esses fatores elevaram os casos de violência doméstica”, explica.

Essas complicações trazidas pelo isolamento social dificultaram o acesso aos serviços de proteção e foi uma questão que culminou com muitos desses eventos de violência a um feminicídio. Somado a isso, a advogada ressalta a atual crise política, que levou retrocesso para a luta feminista.

Mas ainda há o que celebrar. Rosana destaca a inclusão da Lei nº 14188 no Código Penal, que criminaliza a violência psicológica contra a mulher.

Para Mogi, a advogada cobra a criação de um Centro de Referência da Mulher, para concentrar num só local os vários serviços que a mulher busca, e também a Casa de Passagem para mulher em situação de violência, onde – diferente da Recomeçar, queé um acolhimento sigiloso – ela poderia sair para os afazeres habituais.

A Recomeçar oferece às mulheres um telefone de plantão, que é o (11) 99948-3695 e pode ser acionado pelo WhatsApp. 

Conteúdo de marcaVantagens de ser um assinanteVeicule sua marca conoscoConteúdo de marcaConteúdo de marca
Copyright © - 2022 - O Diário de MogiÉ proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Desenvolvido por
Distribuído por