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LÚDICO E ECOLÓGICO

Ecobrinquedoteca de Mogi ensina a brincar e cuidar do meio ambiente

Projeto que produz brinquedos com materiais reaproveitados será destaque no Congresso Internacional de Criatividade e Inovação que acontecerá no Centro Universitário Braz Cubas neste mês

Eliane José
18/11/2022 às 15:37.
Atualizado em 20/11/2022 às 21:57

LÚDICO E SUSTENTÁVEL Materiais que seriam descartados se transformam em brinquedos e, com um detalhe: quem brinca ajuda a construir os jogos e objetos e a definir regras (Divulgação)

Você sabe ou pratica a “cultura lúdica?”

Um rolinho de papel higiênico vira um jogo de dados, reconhecido como o primeiro objeto desse universo lúdico criado no mundo. Embalagens de ovos, papelão, jornal, tecido, latinhas e tampinhas são matéria-prima para construir brinquedos. Nesse processo, crianças, adultos e idosos criam, brincam e cuidam do mundo ao reutilizar o que iria mais depressa para o lixo e dali para aterros, lixões, rios e mares.  Engana-se quem tentar enquadrar a proposta destacada na série Inspire-se, de O Diário, deste sábado, no colchete da brinquedoterapia ou da preservação ambiental ao ampliar o potencial de uso de plásticos, papel, alumínio. 

(Divulgação)

Criada em maio de 2020, simbolicamente, no período agudo da pandemia, a Ecobrinquedoteca de Mogi das Cruzes é uma organização sem fins lucrativas que divulga a cultura lúdica, ou o brincar + a ecologia e preservação ambiental = possibilidades infinitas como a socialização, a ludicidade como instrumento pedagógico e do desenvolvimento humano, economia criativa, proteção do planeta.

Mantida por quatro profissionais da educação, a Ecobrinquedoteca chegou a Mogi das Cruzes pelas mãos da professora Suely Pereira, que atuava em Campinas. Ao se mudar para a cidade, ela trouxe a organização social que tem realizado ações, palestras e vivências em entidades e órgãos como a Prefeitura, Diretoria de Ensino e o Sesc Mogi. O grupo mogiano é um Núcleo da Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBri).

O capital da Ecobrinquedoteca é humano e social. Sem sede, mas com desejo de firmar parceria como uma instituição educacional, o grupo passou a desenvolver encontros com estudantes, professores e pais, além de mulheres artesãs, com o intuito de divulgar a conscientização ambiental e resgatar e atualizar brincadeiras - não são de crianças - e outros artefatos, para promover a integração entre as pessoas em meio a uma urgência mundial: ressignificar o consumo e o uso dos recursos naturais e manufaturados.

Centenas de pessoas já foram impactadas de alguma forma por Suely, que se uniu a Maria de Lourdes Pezzuol, Alessandra Garcez Souza e Ana Cristina Santos Siqueira, além de um corpo de 20 voluntárias.

Para Suely Pereira, a proposta da Ecobrinquedoteca é praticar a ressignificação dos resíduos, que são transformados em ecojogos, ecobrinquedos e ecoartefatos, com base em objetivos comuns da Carta da Terra, surgida em uma iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas) e centrada em metas como “respeitar e cuidar da comunidade de vida, integridade ecológica, a justiça social e econômica e o tríduo formado pela democracia, não-violência e a paz”, e nos conceitos da ESG (Ambiental, Social e Governança, a tradução de Environment, Social Y Governance).

Maria de Lourdes resume que o projeto é feito por pessoas movidas pelo amor à profissão e dispostas “a trabalhar pelo outro, pela alegria, pela diversidade, pelo desenvolvimento sustentável”.

Nestes dois anos, parceiros foram sendo encontrados para a troca de ideias, a participação em bazares, a atração de artesãs que passaram a terem acesso a materiais que foram sendo doados à Ecobrinquedoteca e estão ganhando novos finalidades e usos.

 Mogi sedia encontro internacional

As integrantes da Ecobrinquedoteca de Mogi das Cruzes estão entre as palestrantes do III Congresso Internacional de Criatividade e Inovação - caminhos para um futuro (im)possível, que será realizado nos próximos dias 24, 25 e 26 de novembro, no Centro Universitário Braz Cubas, de maneira online e presencial.

O evento é promovido pela Associação Brasileira de Criatividade e Inovação (Criabrasilis), entidade científica e cultural que une profissionais de diversos setores.

Entre os participantes convidados estão pesquisadores de países como o Brasil, Portugal, Espanha e França.

De Mogi das Cruzes, Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol e Suely Pereira, vão realizar um minicurso com o tema Brinquedos e Jogos Criativos com Materiais Reaproveitados.

As profissionais têm realizado esse curso em escolas da cidade. Dessa experiência, Maria de Lourdes destaca que a condução do processo de criação e a utilização dos brinquedos demonstram que a criança e o adolescente, ao contrário do senso comum, estão abertos a novas experiências não centradas apenas na palma da mão e na tela do celular. “Há um envolvimento, sim, e conta a condução do brinquedista, ao propor, por exemplo, que os celulares sejam deixados em uma caixinha, durante a brincadeira”, comenta. 

Outras informações e inscrições para o Congresso Internacional podem ser feitas no site do evento: www.criabrasilis.org.br.

  

‘Polvinho’ ajuda bebês a brincar e agrada a todos

COLORIDO Brinquedos e o “polvinho”, usado durante o atendimento a bebês prematuros, são confeccionados em crochê (Divulgação)

A Ecobrinquedoteca de Mogi das Cruzes tem atuado em diferentes frentes.
As integrantes já distribuíram a mães e hospitais interessados o “polvinho”, o animalzinho confeccionado em crochê, usado durante a recuperação de bebês prematuros. O artefato, indica estudo dinamarquês, consegue reduzir o tempo de permanência do bebê em incubadoras.

Outro projeto foi o “sussurrofone”, criado pela professora Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol, como um instrumento para melhorar a leitura de crianças com TEA (Transtorno do Espectro autista). 

Projetos ligados promoção da saúde, além dos jogos educativos como dados, dama chinesa, o pê-do-quê, uma evolução do biloquê, para ser jogado com os pés, são objetos feitos com materiais reaproveitados.

Nas vivências, as brinquedistas propõem a confecção, pintura e, por fim a brincadeira - que pode ganhar novas regras e formatos, a depender da criatividade dos participantes. “Essa é uma forma de desenvolver o pensamento, a criatividade, a cognição, a lateralidade, além de exercícios como o cálculo e a matemática”, comenta a professora, lembrando que brincar é uma terapia, diversão e recurso para a socialização entre pessoas de diferentes idades.

Projetos não faltam. Agora mesmo, a Ecobrinquedoteca prepara o “Bornal do Afeto” com brinquedos que serão entregues em ambulâncias para, quando necessário, durante um atendimento a uma criança ou adulto, uma distração facilite a atuação dos profissionais da saúde. Isso tudo, claro, com materiais higienizados.

 Semana do Brincar
Antenadas com tema caro para a educação que se vê às voltas com a necessidade de tornar a escola atrativa, menos chata e desinteressante, como avaliam pesquisas com estudantes que desistem da sala de aula, as responsáveis pela Ecobrinquedoteca propuseram ao vereador Edson Santos (PSB) (e ele aceitou) a instituição da Semana do Brincar em Mogi. Um meio de popularizar o que a ciência atesta: brincar ensina e muito. 

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