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COZINHA ARTESANAL E AFETIVA

Com empadas, Adriana Moraes realiza o sonho de trabalhar com gastronomia

Suzanense trabalha em esquema de plantão como auxiliar de enfermagem e usa o tempo de descanso para cozinhar e vender empadas, transformando em negócio o que antes era um hobby

Heitor Herruso
14/05/2022 às 07:33.
Atualizado em 15/05/2022 às 15:58

Somente nos primeiros 30 dias, 730 empadas –salgadas, de frango, palmito, calabresa e brócolis, e também doces, de creme de avelã, goiabada e doce de leite - foram comercializadas por Adriana. Todos os pedidos são feitos online, pelo WhatsApp ou pelo Instagram @casadasempadas2022. (Eisner Soares)

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COZINHA ARTESANAL E AFETIVA

Com empadas, Adriana Moraes realiza o sonho de trabalhar com gastronomia

Suzanense trabalha em esquema de plantão como auxiliar de enfermagem e usa o tempo de descanso para cozinhar e vender empadas, transformando em negócio o que antes era um hobby

Heitor Herruso
14/05/2022 às 07:33.
Atualizado em 15/05/2022 às 15:58

Somente nos primeiros 30 dias, 730 empadas –salgadas, de frango, palmito, calabresa e brócolis, e também doces, de creme de avelã, goiabada e doce de leite - foram comercializadas por Adriana. Todos os pedidos são feitos online, pelo WhatsApp ou pelo Instagram @casadasempadas2022. (Eisner Soares)

Auxiliar de enfermagem, mãe, esposa, artesã, cozinheira. A suzanense Adriana dos Santos Moraes, 44, é tudo isso, mas merece ênfase o último adjetivo. Afinal ela sempre trabalhou na área da Saúde, mas também sempre esteve envolvida com gastronomia. Já fez e já vendeu cuscuz paulista, torta de limão, torta banoffe e outros quitutes. Mas a coisa mudou de figura agora, em 2022, com a chegada das empadas, que transformaram o hobby em negócio. 

Se Adriana trabalha em esquema de “plantão 12 por 36 horas” na ala de psiquiatria do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, como encontra tempo para empreender? Mais do que isso, que horas ela cozinha, lava a louça, faz as entregas e cuida das finanças da Casa das Empadas?

(Eisner Soares)

A história é inspiradora justamente pelas respostas a estas perguntas. Quando chega em casa após ter trabalhado a noite toda, ela destina boa parte do tempo para cuidar do filho, Cauê, de 13 anos, que tem uma deficiência neurológica grave e também autismo. Ainda “dá uma organizada na casa”, e no horário em que poderia – e deveria – dormir, ela faz empadas.

Se na área da Saúde, onde Adriana está desde a adolescência, com experiência em diferentes áreas de atuação, o que a encanta é “atender e escutar as pessoas, proporcionar conforto e observar a melhora”, na gastronomia tudo começou de maneira mais despretensiosa, mas igualmente prazerosa.

(Eisner Soares)

“A Prefeitura de Suzano dava cursos de culinária gratuitamente. Com 12 anos eu fiz vários, de salgados, comidas finas... Nunca imaginei que no futuro fosse aprimorar, mas desde cedo gosto de cozinhar”, explica ela, que ao longo dos anos foi desenvolvendo receitas e até mesmo comercializando, mas como hobby, o que só mudou agora, com a chegada das empadas. 

Salgados que surgiram “por acidente” nas mãos de um padeiro francês que experimentava criar uma massa para torta e acabou desenvolvendo uma receita mais quebradiça, as empadas costumam ser difíceis de se acertar. É normal que fiquem secas demais, ou frágeis demais.

Filósofo, escritor e político romano, Sêneca dizia que “muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreendê-las”. Adriana abraçou o desafio, pois viu ali “um nicho de mercado”. 

“Gosto de empada e nunca achei uma gostosa para comer. E se eu gosto de alguma coisa, quero comer e não acho, procuro fazer para comer. Foi assim com maçã do amor, por exemplo. Aprendi a fazer e virou um mini negócio. E com a empada foi igual. Procurei uma receita, vi vários vídeos no YouTube. Errei várias vezes até acertar”.

Empada de palmito (Eisner Soares)

Até aqui, a ideia não era abrir um negócio. Mas Adriana, por trabalhar em um dos maiores hospitais da região, conhece muita gente. Ela postou no Instagram, um colega pediu. Depois outro, e outro. “Começou assim, no ‘boca a boca’, no fim de fevereiro”, lembra ela.

Nessa época, os pedidos foram muito bem-vindos. Afinal, uma renda extra não seria má ideia. “A intenção era fazer dinheiro para não passar um mês muito apertado. Fiz um quilinho de massa, um pouquinho de recheio. Sem propaganda, tudo improvisado”. Mas não demorou para que fosse estabelecido um padrão de qualidade, com recheio “mais úmido, que derrete na boca”.

Deu certo: somente nos primeiros 30 dias, 730 empadas –salgadas, de frango, palmito, calabresa e brócolis, e também doces, de creme de avelã, goiabada e doce de leite - foram comercializadas. Todos os pedidos são feitos online, pelo WhatsApp ou pelo Instagram @casadasempadas2022.

“Foi muito rápido. No começo de março eu já tinha um forno industrial e já tinha mudado as embalagens”, conta Adriana, que teve ajuda do marido, Carlos Eduardo, na parte de comunicação visual e gestão. Juntos, desenvolveram etiquetas e embalagens personalizadas, além de cartão de visitas e cardápio virtual, e passaram a fazer o controle financeiro e de pedidos em um software especializado. 

Empada 'Romeu e Julieta' (Eisner Soares)

Como o número de vendas tem sido satisfatório, com entregas em vários bairros de Mogi e com pontos de vendas fixos, como um bar da Vila Vitória, Adriana já faz planos para o futuro, algo que seria inimaginável a ela a poucos meses. O próximo investimento, conta, deve ser um “freezer, para congelar empadas pré-assadas”. 

Embora seja um desafio conciliar todas as rotinas, ela cozinha, acima de tudo, porque gosta. E também é visível que está gostando de empreender. Afinal, além de usar parte do dinheiro para “reinvestir”, está de olho no mercado. Exemplo é este inverno, que deve ser aquecido com a chegada de “cremes e caldinhos nos mesmos sabores das empadas”.

 Cozinha artesanal e afetiva

(Eisner Soares)

Pequena, a cozinha de Adriana dos Santos Moraes é artesanal, “quase que caseira”. Além disso, é – e sempre vai ser, garante ela – afetiva, pois em nenhum momento são utilizados condimentos químicos. Os temperos são naturais, como cebola, pimenta alho, “coisas frescas, nada congelado”, o que garante uma alimentação mais saudável.

Em outras palavras, o amor e o carinho estão ali, em todos os processos, que por enquanto são todos feitos por ela. E para a cozinheira, essa pode ser a explicação para o sucesso alcançado em pouco tempo. 

“Me pergunto todo dia onde quero chegar. A princípio era para ser um negócio informal, para ganhar um dinheiro extra. Mas hoje já vislumbro, penso na frente, em um projeto de futuro, em ter um espaço, uma lojinha na cidade, algo assim”, sonha a suzanense que mora em Mogi e espera ingressar na faculdade de Gastronomia em breve.

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