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Aquece, coração! Voluntárias pedem ajuda para sopa servida na Vila Estação

Grupo de voluntários prepara o sopão e pede ajuda para comprar os legumes

Eliane José
03/06/2022 às 14:11.
Atualizado em 04/06/2022 às 08:37

Parceiros dos voluntários doam frango, costela e o macarrão para o sopão (Foto: divulgação)

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Aquece, coração! Voluntárias pedem ajuda para sopa servida na Vila Estação

Grupo de voluntários prepara o sopão e pede ajuda para comprar os legumes

Eliane José
03/06/2022 às 14:11.
Atualizado em 04/06/2022 às 08:37

Parceiros dos voluntários doam frango, costela e o macarrão para o sopão (Foto: divulgação)

A Vila Estação, ao lado para parada do trem no Distrito de Braz Cubas, tem origem na favela do Gica, um dos primeiros ocupantes da área que recebeu dezenas de famílias ao longo do final do século passado. Cresceu tanto que a Prefeitura de Mogi das Cruzes urbanizou o bairro, ainda hoje endereço que recebe famílias de baixa renda.

A história desse lugar nasce do mesmo drama social encontrado na ocupação do terreno municipal da Vila São Francisco, aliás, vizinha dali - a falta de moradia para os mais pobres, que não conseguem pagar o aluguel.

Na Vila Estação, um grupo de pessoas, a maioria, mulheres prepara, uma vez por semana, um sopão à base de legumes,  pé e pescoço de frango, e a costela de boi, servido a cerca de mil pessoas, segundo afirmam.

REALIDADE Com aumento do preço dos legumes, voluntários estão pedindo doações (Foto: divulgação)

Esse projeto leva o nome Sopa Solidária e surgiu décadas atrás por iniciativa do padre Dimas de Paula, da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida e São Roque, de Braz Cubas, mantido por párocos subsequentes, até o padre Francisco Deragil, falecido em 2020, após ter contraído a Covid.

Com a morte do padre, o programa se desestabilizou e, por isso, Maria de Fátima Paulino, uma das voluntárias que cede a cozinha de sua casa, na rua Tietê, para o saciar a fome alheia, resolveu pedir auxílio. 

Desse pedido de ajuda – a doação de legumes – já que o macarrão e as carnes, parceiros antigos já providenciam, surge uma história inspiradora.

Fatinha, como é conhecida, e dona Maria do Patrocínio, de 69 anos, se reúnem todas as sextas-feiras, por volta das 13 horas, para descascar batatas e outros itens, salpicar temperos e sal, e cozinhar as carnes que resultam em um alimento saudável. Quando esfria muito, a sopa quentinha é servida a famílias e a pessoas em situação de rua também nas noites de quinta-feira.

O ponto-chave dessa obra assistencial comunitária são as moradoras que se reuniram para ajudar aqueles que chegam a passar fome, segundo as duas constatam.

Com a pandemia, o desemprego e o rearranjo de famílias que perderam pai ou mãe, elas notam que mais pessoas, na Vila Estação, passaram a se enfileirar em frente ao número 16 da rua Tietê para receber o prato ou as vasilhas cheias, que são levadas para casa, e compartilhadas com filhos e netos

Fatinha, que é educadora social, trabalha em uma creche  e já foi conselheira tutelar, tem notado que mais avós passaram a responder pela educação dos netos, em algumas das residências da vizinhança.

Ela explica que as pessoas em situação de rua – que vão até local, em busca do alimento, estão em número maior após a pandemia.

Grupos que permanecem no anonimato fazem a diferença. É o caso do Moto Clube de Guararema que doa macarrão todos os anos.
Para cada noite de entrega do sopão, são usados 10 quilos de macarrão. “E tem dia que não sobra nada, porque muita gente não tem nada em casa”, espanta-se dona Maria do Patrocínio.

Fatinha e dona Maria também chegaram, um dia, na Vila Estação em busca de moradia. Agora, mantêm uma ajuda desconsiderada por algumas pessoas: “Um padre disse que não adianta dar a comida apenas uma noite, mas, eu penso diferente, sei que para muitos, esse prato reduz a fome e serve de esperança”, resume Fatinha.

A elevação do preço dos alimentos tornou mais difícil a composição dos ingredientes. Segundo a organizadora, em geral, são servidos mil pratos, e o custo com os legumes fica em cerca de R$ 100. E há despesas como o gás. Quem quiser doar alimentos ou conhecer o grupo, os contatos são pelo telefone (11) 9-5723-8151, ou ainda no endereço, rua Tietê, 16, Vila Estação. A chave do PIX para doações é o e-mail: renatapaulino08735@gmail.com

‘Faz bem ajudar e como eu posso, ajudo’, diz Maria 

Dona Maria também ajuda na distribuição do leite a idosos, feita pela igreja católica de Braz Cubas (Foto: divulgação)

Em uma das desocupações promovidas pela Prefeitura ao longo dos últimos anos, quando a moradia de famílias praticamente dentro do Córrego dos Canudos tornou necessária a mudança, dona Maria do Patrocínio, hoje com 69 anos, saiu da Vila Estação. Empregada doméstica que trabalhou em algumas casas e em uma loja, na região central da cidade, ela criou 9 filhos e, teve de sair, a contragosto, da Vila Estação para uma outra área nas proximidades do Conjunto Santo Ângelo. 

A ligação com o endereço primeiro após sair da cidade natal, Taiobeiras, em Minas Gerais, no entanto, não se desfez. Católica, há tempos ela começou a ajudar no preparo da sopa e ainda faz isso até hoje, apesar de ter se mudado da casa antiga há 5 anos. Segundo partilha, ela nunca precisou da doação de alimentos para colocar na mesa da família, mas buscou atender vizinhos que não tiveram a mesma sorte – mesmo morando na mesma área que já foi muito precária (hoje, há ruas, creche, asfalto, mas falta uma escola).

Dona Maria  também ajuda na distribuição do leite a idosos, feita pela igreja católica de Braz Cubas, uma vez por semana. “É uma forma de ajudar quem precisa”, resume, com sapiência.

A moradora reafirma que há pessoas passando fome no distrito de Braz Cubas. “Quando recebem a sopa, elas dizem: ‘Deus que te ajude, que dê forças para vocês não pararem de ajudar’. Faz bem ajudar, e como eu posso, ajudo”. 

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