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GERANDO FALCÕES

Alto Tietê é o laboratório da ONG Gerando Falcões, que atende todo o Brasil

Além de serem da região muitas da lideranças que compõem o grupo, o que inclui a dupla de fundadores, Edu Lyra e Lemaestro, está em Poá a sede da Gerando Falcões e também a Falcons University, importante braço da ONG

Heitor HerrusoPublicado em 31/12/2021 às 13:30Atualizado há 25 dias
Divulgação - Isabella Valente
Divulgação - Isabella Valente

A reportagem que inaugura este canal, ‘Inspire-se’, traz um dossiê sobre a ONG Gerando Falcões. Criada em 2011, hoje ela atende 1.550 comunidades em 23 estados brasileiros. Mas tudo começou aqui, no Alto Tietê. “Poá é nosso laboratório e vitrine, tem papel fundamental na gestão de todo esse processo. Trazemos lideranças sociais do Brasil inteiro para cá”. A afirmação é do cofundador da ONG Gerando Falcões, Lemaestro, que nutre carinho especial pela região.

É lá em Poá, no bairro Cidade Kemel, que está a sede do grupo, com a “administração central” e um “centro de qualificação”. Também está lá a Falcons University, e “coladinho em Ferraz, em Itaquaquecetuba, um polo de ações educativas”.

De acordo com Lemaestro, há importantes lideranças e projetos no Alto Tietê. Tem gente de Mogi, Suzano, Itaquaquecetuba e Poá que já passou pela formação, pela capacitação profissional. E tem muita gente que já passou pelas “oficinas de cultura, esporte, qualificação profissional pra jovens, capacitação sócio emocional para desenvolver soft skills, qualiifcação técnica, curso de programação, inglês, empreendedorismo”. A lista é grande.

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“Temos grande base educacional, pensando em cultura, esporte e qualificação profissional para famílias de forma recorrente. Na rede, esse ano, por exemplo, temos formação de educadores que fazem parte da rede. Finalizamos com 1.715 jovens capacitados nesse programa, 500 educadores que estão sendo certificados pedagogicamente para atuarem nas suas oficinas, cursos, aulas com ensino humanizado”, descreve o gestor.

São “muitos projetos acontecendo in loco, principalmente na área de educação e geração de renda”. Em Poá, por exemplo, há duas lojas que geram recursos financeiros para a causa.

E segundo Edu Lyra, em Mogi, há uma ONG da rede, a Associação Missão Intensidade, “do líder Rodrigo de Souza, localizada no Residencial Novo Horizonte, que atende as favelas da região”.

“Queremos sim expandir para todo o território nacional. Atualmente, temos unidades próprias são em Poá, Suzano e Ferraz, e temos atuação em 23 estados, por meio de nossa rede de ONGs parceiras. Em qualquer região, o líder precisa se inscrever e participar de todo o processo seletivo da Falcons University, apresentando um projeto que objetiva erradicar a pobreza”, explica ele. 

Lemaestro completa. “Nossas heranças de referências nos estados, líderes sociais que já passaram pela formação, estão na nossa rede evoluindo de papel, mas assumindo polos da universidade, se tornando líderes para capacitar e treinar outros líderes, mentoriar outras lideranças. São 200 colaboradores em todo o ecossistema do Brasil. A gente se divide em diretorias, como educação, novos negócios, operações, diretoria que cuida do programa ‘Favela 3D.’ Parte dessa equipe trabalha em Poá e parte está alocada em outros estados”.

À frente da expansão desde o começo, ele já passou “por mais de 20 estados e mais de 100 favelas”, tendo morado em algumas delas. “Trouxe muita bagagem e também um intercâmbio”, diz. Mesmo assim, reafirma que o “Alto Tietê continua sendo laboratório”.

Questionado sobre a existência de um estudo de favelização da região, ele diz que a Gerando Falcões não tem números locais, mas sim do Brasil, com informações sobre “como a primeira favela surge, há 120 anos no Morro da Providência”, no Rio de Janeiro, por exemplo.

 Em Ferraz

Em Ferraz de Vasconcelos, a comunidade Boca do Sapo, no Jardim São Lázaro, receberá o projeto “Favela 3D”, que substituirá barracos por “moradia, com saneamento, saúde, qualificação sócio emocional e técnica para a comunidade”. 

Haverá também um processo de cadastro. “Iniciamos um censo, e estamos estruturando como aprimorar esses dados para aplicarmos dentro da Falcons, no módulo para lideranças em todas as favelas”.

A cessão do local foi mediada pela prefeitura da cidade. A área de 500 metros quadrados pertence a iniciativa privada e será transformada em uma sede sustentável para amparar o projeto com ações de horta comunitária e posto de reciclagem.  O local também oferecerá cursos profissionalizantes e fará cadastro para programas governamentais.

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 Com a palavra, Edu Lyra

Diretamente dos Estados Unidos, de onde está captando recursos para a Gerando Falcões, Edu Lyra conversou com a reportagem de O Diário. Já são 10 anos de atuação social. Perguntado sobre o que mudou em todo este tempo, ele diz que a missão ainda é a mesma: “transformar a pobreza das favelas em peça de museu antes de Marte ser colonizado”.

“Para isso, queremos chegar no maior número possível de locais para interromper ciclos de pobreza. Para efeito de comparação, em 2019, a GF atuava em 30 favelas e esse número saltou para 1550 em 2021. Eram 18 líderes e hoje são 171, com mais 200 lideranças em formação”, afirma ele.

O gestor mostra preocupação em “aprofundar ainda mais” a transformação nas comunidades onde o grupo já atua, além de “expandir o alcance”. “Em parceria com ONGs que fazem parte da rede, temos a meta de chegar em mais de 10.000 favelas até 2023”. 

O objetivo é ousado, mas não impossível. Um dos fatores que deve ajudar nesta conquista é a Falcons University, “que está desenvolvendo crianças, jovens, educadores e lideranças para romperem o ciclo da pobreza intelectual, emocional e técnica”. 

Segundo ele, “dentre as jornadas de aprendizagem, está a formação de líderes sociais (+ 20 anos), que dura seis meses e é gratuita”.  Esta etapa “tem como objetivo capacitar pessoas que desejam expandir e melhorar a estrutura de suas ONGs, focando no desenvolvimento de gente para serem ferramentas e o canal de soluções das maiores mazelas do país”.