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Advogada mogiana Yhasmin Monteiro lança livro sobre alimentos transgênicos

O livro “Prato do Dia: Transgênicos”, da advogada e pesquisadora mogiana Yhasmin Monteiro, pode ser adquirido pela internet

Eliane José
16/12/2022 às 15:39.
Atualizado em 17/12/2022 às 19:01

Yhasmin defende a alimentação saudável e de qualidade alinhada às lutas dos direitos humanos e contra o uso de agrotóxicos (Arquivo pessoal)

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Advogada mogiana Yhasmin Monteiro lança livro sobre alimentos transgênicos

O livro “Prato do Dia: Transgênicos”, da advogada e pesquisadora mogiana Yhasmin Monteiro, pode ser adquirido pela internet

Eliane José
16/12/2022 às 15:39.
Atualizado em 17/12/2022 às 19:01

Yhasmin defende a alimentação saudável e de qualidade alinhada às lutas dos direitos humanos e contra o uso de agrotóxicos (Arquivo pessoal)

Na defesa dos direitos humanos e de pautas de combate à desigualdade social como as cotas para estudantes da escola pública em instituições de Ensino Superior, a advogada mogiana Yhasmin Monteiro começa a divulgar livro ‘Prato do Dia: Transgênicos” (Editora dos Editores), da coleção Direitos Internacionais do Professor Paulo Borba Casella, lançado neste mês e à venda para compra online.

Yhasmin estudou na Etec Presidente Vargas em Mogi das Cruzes quando disputou o vestibular para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, a São Francisco, obteve uma vaga pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada), uma política de acesso à universidade pública sem a qual, acredita ela, instituições como a USP será ainda mais elitista do que já é.

Na entrevista em que falou sobre a primeira obra individual e a carreira acadêmica com passagens por universidades como a Université Lumière Lyon, na França, e a PUC de Minas Gerais, a mogiana fez questão de mencionar que a chegada até a essa primeira conquista se deve à política de cotas a alunos da rede pública e negros. “Muitos outros milhares de estudantes podem ter esse acesso e eu gostaria de motivar as pessoas”, comentou.

A série Inspire-se deste sábado, de O Diário, conta um pouco da história dessa mogiana que aos 25 anos assina artigos e publicações científicas e apresentou a pesquisa que levou três anos para ser concluída no Simpósio Internacional de Iniciações Científicas de São Paulo, nas fases nacional e internacional, em 2019. 

Foi a divulgação dos estudos sobre a regulamentação dos transgênicos e dos agrotóxicos na França - onde ela residiu durante meio ano, e no Brasil, que deram origem à obra que investiga a maneira como os dois países tratam o uso da transgenia, pauta de interesse e discussões não apenas na área do direito internacional, mas também da saúde humana e do meio ambiente do planeta.

Esse assunto surge como objeto de interesse da pesquisa por força da convivência e da inspiração vinda da mãe dela, a professora Rosemary Monteiro, da Etec Presidente Vargas.
A alimentação saudável e a segurança alimentar já estavam no radar de Yhasmin, que dedicou a publicação, aliás, à professora e mãe.
A autora defende uma alimentação saudável e de qualidade e se alinha às lutas dos direitos humanos e de instituições contra o uso de agrotóxicos que estão colocando em risco, entre outras coisas, segundo afirma, a saúde pública mundial e o desequilíbrio ambiental com a modificação genética da cadeia de alimentos. 
Ela destaca a necessidade de o cidadão saber o que de fato está consumindo, e a origem do que está no prato do dia das pessoas. Inclusive menciona o fato de a presença cruzada dos transgênicos - que podem ter sido usados, por exemplo, na ração animal, matéria prima para embutidos e outros tipos de produtos, e não são descritos ao consumidor final.
Área relativamente nova na produção global de alimentos - a partir da primeira metade dos anos 2000, a transgenia possui amplo espectro para debate, estudo e move grande rede de interesses de produtores.
No livro de Yhasmin, a autora foca na questão do direito internacional e joga luz sobre um aspecto interessante: como esse problema global segue outros modelos antigos da relação entre os blocos de países do norte e do sul do planeta.
Em uma apresentação da pesquisa, a advogada destaca que a análise entre os dois países, tem o «intuito de averiguar as semelhanças, diferenças e contradições a nível interno e externo. “Enquanto o Brasil é considerado o ‘celeiro do mundo’, sendo o país que mais emprega agrotóxicos em suas plantações e o segundo maior produtor de variedades transgênicas, a França apresenta um modelo agrícola lastreado em regras tão rígidas que inibem de forma integral a produção das referidas variedades em suas terras, sendo considerada um exemplo no campo da aplicação do princípio da precaução. Todavia, note-se que isso não impede a grande quantidade de importações que a França faz de commodities transgênicas, sendo muitas, inclusive, produzidas no Brasil”.

Com dados oficiais e extensa base de informação sobre as legislações francesas e brasileiras, uma das conclusões conduz à confirmação da “exploração das riquezas naturais do Sul Global por países pertencentes ao Norte Global, empregando-se o pensamento abissal para compreender que o modelo adotado parte de uma perspectiva macro internacional que busca a conversão do Norte em sujeito do conhecimento e do Sul em objeto de conhecimento”.

Para ela, os resultados “ultrapassam em muito os meros efeitos econômicos, gerando impacto no respeito da vontade democrática da sociedade, no direito de informação do consumidor e na manutenção da diversidade biológica”.

Com 179 páginas, o “Prato do Dia: Transgênicos” abre janela para aprofundar tema de amplo desconhecimento público, partindo, inclusive, dos argumentos usados inicialmente para a aprovação do uso das sementes modificadas geneticamente e que propagavam, no início, que seria possível, dessa forma, produzir superalimentos, capazes de reduzir a fome mundial, com inclusive, de propriedades vitamínicas em cereais e outros itens alimentícios, o que não se configurou como realidade.

Outro dado explorado pela advogada reside no fato de o Brasil ter acelerado, com leis e flexibilizações na regulamentação aprovadas durante o governo de Jair Bolsonaro, para garantir a expansão dos pesticidas usados no campo.

Ela lembra, por exemplo, que houve uma movimentação para a regulamentado dos transgênicos durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no passado, quando se tentou combater o tráfico de sementes transgênicas vindas da Argentina. Porém, naquela época, houve uma tentativa frustrada porque acabou-se perdoando as irregularidades no caso das sementes já plantadas.

Entre 2019 e 2022, o governo federal librou 1.881 agrotóxicos diferentes para o uso no Brasil – e a busca desses produtos para garantir as safras se deve ao fato de as pragas, ao longo dos anos, terem se potencializados, o que exige ainda mais pesticida para garantir as colheitas.
A advogada, com atuação na área de Direito Internacional na OEA (Organização dos Estados Americanos), também lembra que, por ano, o brasileiro ingere 5 (cinco, isso mesmo) quilos de substâncias tóxicas contidas nos agrotóxicos.

Entre os caminhos para reduzir os efeitos do uso dos transgênicos, ela aponta a adoção de medidas biossustentáveis no cultivo dos alimentos, o controle biológico e a produção sazonal.

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