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Valdemar terá jogadas decisivas no xadrez com Jair Bolsonaro e TSE

Presidente do PL enfrenta dias difíceis no relacionamento com Jair Bolsonaro e seus seguidores, nos bastidores do partido, em Brasília

Darwin Valente
25/11/2022 às 08:49.
Atualizado em 25/11/2022 às 11:50

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, enfrenta momentos difíceis após se envolver com a questão das urnas eletrônicas e com o TSE, por conta de Jair Bolsonaro (Redes Sociais - Reprodução)

Está custando muito caro ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o atendimento às exigências do presidente Jair Bolsonaro para que o partido questionasse a lisura das urnas eletrônicas utilizadas no segundo turno das eleições presidenciais deste ano. 

Baseado num relatório, cujo teor vem sendo desconstruído, desde o início, por explicações técnicas de especialistas em informática de algumas das mais importantes universidades brasileiras, o PL insistiu em levar adiante a denúncia sobre as urnas de um só código, mas que podiam ser identificadas – como foram – de inúmeras outras maneiras.

Além disso, o  questionamento deixou de fora a eleição em primeiro turno, em que foram utilizadas as mesmas urnas, agora colocadas sob suspeição, passando a clara evidência de que os resultados só  precisam ser anulados em caso de derrota do candidato do grupo; e não quando  se consegue, por exemplo, as maiores bancadas do Senado e Câmara Federal.

Ao receber o fogo de encontro do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que lhe deu 24 horas para apresentar provas de que tais urnas realmente poderiam ter influído no resultado das eleições, o PL, encabeçador do recurso,  se viu numa espécie de beco sem saída.

E por mais que o presidente Valdemar viesse a público, tardiamente, para dizer que não pretendia mudar os resultados do pleito, o estrago já estava feito.

Além de rejeitar o pedido para uma possível anulação dos votos contidos em 279 mil urnas eleitorais - especialmente do Nordeste, onde Jair Bolsonaro (PL) perdeu a eleição para Lula da Silva (PT) –, o TSE também aplicou uma multa no valor de R$ 22,9 milhões e ainda suspendeu o fundo partidário das legendas que integram a coligação “Pelo Bem do Brasil”, o PL, Republicanos e PP.

“A total má-fé da requerente em seu esdrúxulo e ilícito pedido, ostensivamente atentatório ao Estado Democrático de Direito e realizado de maneira inconsequente com a finalidade de incentivar movimentos criminosos e anti-democráticos que, inclusive, com graves ameaças e violência vem obstruindo diversas rodovias e vias públicas em todo o Brasil, ficou comprovada, tanto pela negativa em aditar-se a petição inicial, quanto pela total ausência de quaisquer indícios de irregularidades e a existência de uma narrativa totalmente fraudulenta dos fatos", disse Moraes em sua decisão.

Não bastasse tudo isso, o partido e seu presidente passaram a ser acusados de “golpistas”, em editoriais dos principais veículos de imprensa do País.

A essa altura, Valdemar deve estar avaliando seriamente o quanto ainda terá de se desgastar pessoalmente, assim como seu partido, apenas para satisfazer as vontades do presidente derrotado, Jair Bolsonaro, em seus devaneios golpistas. E até que ponto isso vale realmente a pena.

Na época em que Bolsonaro se filiou ao PL, esta coluna previa dias difíceis para a convivência entre os dois presidentes.

Mas graças a Bolsonaro e seus fiéis seguidores, Valdemar conseguiu chegar com o seu partido a um patamar que dificilmente alcançaria.

Só que neste momento, o partido que terá, a partir do próximo ano, maioria nas duas casas do Congresso Nacional e uma participação milionária nos fundos partidário e eleitoral, acaba tendo de servir, ainda que a evidente contragosto de Valdemar, como instrumento de ações altamente temerárias de um político que não aceita, de forma alguma, a derrota numa eleição fiscalizada por organismos internacionais e instituições brasileiras, os quais não encontraram ilegalidades nos resultados.

Valdemar terá de pensar, séria e friamente, como irá se comportar de agora em diante.

Se partir para o confronto com a Justiça, poderá ter de arcar, com seu partido, o custo político e até financeiro da escolha. Por outro lado, também deve sentir que um rompimento com Bolsonaro pode significar o desmonte de um castelo de poder, que ele demorou muitos anos para conseguir edificar.

E é entre a cruz e a caldeirinha que o político de Mogi terá de movimentar suas pedras no complicado jogo de xadrez em que está metido.

 Os próximos passos de Valdemar poderão ser decisivos, tanto para a sua carreira política, quanto para o seu partido.

Vale esperar pelo xeque-mate.

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