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Toninho Andari se foi, mas deixou muitas histórias da Mogi de seu tempo

Testemunha ocular e até participativa de muitos fatos da politica mogiana, ele gostava de contar as histórias de muitos personagens com quem atuou na vida pública

Darwin ValentePublicado em 28/11/2021 às 09:46Atualizado há 2 meses
Foto: Arquivo O Diário
Foto: Arquivo O Diário

Sepultado nesta semana, Antonio Andari sempre foi um frequentador assíduo desta coluna, graças à sua memória invejável e ao fato de haver vivenciado uma época da história política da cidade pródiga em boas histórias e lances como este, que merece ser lembrado:

Separados pela política, os ex-prefeitos mogianos Waldemar Costa Filho e Antonio Carlos Machado Teixeira tinham um amigo em comum, Toninho Andari, que tentava articular uma reaproximação entre ambos.  Algo difícil ao final dos anos 80, quando a presença de Machado na Prefeitura ajudava a acirrar os ânimos políticos na cidade. Toninho falava com ambos os lados sem muito sucesso, até que certo dia recebeu sinal verde de Waldemar para ajustar o primeiro contato com o adversário.

As eleições municipais se aproximavam e não seria interessante para ambos que a reconciliação se tornasse pública, de imediato. Por isso, decidiu-se que o encontro deveria ocorrer em território neutro, um hotel cassino, no Paraguai, que nem era tão neutro assim. Waldemar, jogador contumaz, era conhecido por lá como “General”, por conta de seu cabelo escovinha e óculos escuros, marcas registradas dos militares que davam as cartas, à época, na maioria dos países sulamericanos.

A reunião foi marcada para o bar do hotel, ainda que Waldemar jamais bebesse. Toninho ficou no quarto para um banho rápido e Waldemar desceu. Mas voltou quase imediatamente. 

Encontrara Machado no corredor e decidiram conversar ali mesmo, no apartamento. 

A paz foi restabelecida e ambos firmaram um pacto de silêncio sobre a reunião de Assunção. Todos voltaram felizes para Mogi, numa sexta-feira à noite. 

No sábado, pela manhã, Toninho Andari é acordado logo cedo por um telefonema do jornalista Chico Ornellas que lhe cobrava detalhes sobre o encontro em terras paraguaias, que teria chegado a seu conhecimento por meio de um repórter amigo que, hospedado no mesmo hotel cassino, vira os dois políticos juntos. 

Toninho correu para o jornal tentando preservar o silêncio, mas acabou apenas testemunhando a desenvoltura com que o profissional redigiu um longo texto com informações do sigiloso colóquio para O Diário de domingo. 

Ligou então para Waldemar, que se fez de desentendido. Só muito tempo depois, Toninho veio a saber que fôra Valdemar Costa Neto, o Boy, filho do ex-prefeito, quem passara todos os detalhes do encontro para Ornellas. 

Obviamente instruído pelo pai, que implodiu a notícia e, com isso, assegurou o apoio de Machado à sua terceira eleição para prefeito de Mogi, em 1988.

Nos tempos de Toninho Andari a política era, sem dúvida, muito mais interessante e cheia de grandes lances de bastidores que a atual. Toninho levou consigo muitas histórias desse calibre.

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