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Folclore Político (CCXXIX)

Toninho Andari e as histórias de personagens de Mogi: 'Um carro de presente para o prefeito'

Entre as histórias de Toninho Andari, que completaria 88 anos esta semana, estava a do presente que a comunidade japonesa decidiu oferecer a Waldemar Costa Filho: um Landau último tipo

Darwin Valente
10/07/2022 às 08:03.
Atualizado em 10/07/2022 às 08:07

Toninho Andari, como era conhecido, foi uma dessas pessoas que praticamente toda a cidade conhecia. Fosse por suas passagens pela Prefeitura de Mogi, por sua forte ligação com o Espiritismo de Kardec, ou mesmo, pelas impagáveis histórias que costumava contar sobre personagens que viveram na cidade de sua época (Foto: arquivo / O Diário)

Na segunda-feira (4), ele teria completado 88 anos, ainda com muitas histórias para contar dos tempos em que acompanhou de perto a vida política de Mogi das Cruzes, na condição de homem de confiança de Waldemar Costa Filho, que governou a cidade por 18 anos, distribuídos entre quatro mandatos de prefeito.

Sempre cercado de amigos, Elias Antonio Mikhail Seman Andari, o nosso Toninho Andari, certamente receberia os parabéns contando uma boa história que guardava na prodigiosa memória. 

Mas caso ela falhasse, ele poderia lançar mão de seus blocos encadernados, onde estavam as anotações que sempre o ajudaram a lembrar o passado da cidade e a explicar, por exemplo, a Mogi do início da década de 70, quando o prefeito Waldemar terminava o primeiro mandato no comando da Prefeitura. E foi atendendo a um convite da coluna para que recordasse algumas histórias do folclore político local  que Toninho aportou à redação deste jornal, certa tarde, com uma das pastas contendo nomes e números que revelavam algo quase inusitado. 
Em 1972, último ano da primeira administração de Waldemar, os integrantes da colônia japonesa decidiram oferecer um  presente ao prefeito: um automóvel, que seria entregue em  3 de junho, dia de seu aniversário, numa festa que aconteceria no Parque Municipal da Serra do Itapeti, à época, ainda aberto ao público.

Um veículo mais barato, naqueles tempos, custava por volta de 12 mil cruzeiros (dinheiro da época), mas os doadores queriam ir além disso. 

Quando as lideranças expuseram a ideia, ficou acertado que pessoas mais próximas de Waldemar, como o próprio Toninho Andari e Sylvio da Silva Pires, seus auxiliares na Prefeitura, iriam mobilizar outros amigos do prefeito, gente da elite da época, para que também contribuíssem.

Os japoneses e descendentes complementariam com o dinheiro que faltasse. E assim foi feito.

Juntos, arrecadaram perto de 58 mil cruzeiros. E entre “parabéns a você” e uma churrascada, também com direito a bolo, Waldemar recebeu o seu Landau, carro top de linha da época, ideal para quem, como o ex-prefeito, adorava velocidade  e se arriscava pelas pistas de kart de Mogi e da Capital.

Terminada a festa, no dia seguinte, um Waldemar, preocupado, chamou Andari ao seu gabinete: “E aí, deu para fechar a conta?”
Não só havia dado, como ainda sobraram uns 5 mil cruzeiros. E o que fazer com aquele dinheiro?

A colônia abriu mão e Waldemar então ligou para seu amigo e prefeito de São José dos Campos, Joaquim Bevilacqua, pedindo sua interferência junto a uma fábrica de ar-condicionado daquela cidade.  E foi assim que o Landau ganhou um equipamento pouco comum aos carros daquela época, o sistema de ventilação quente e fria, completando a qualidade do presente, que durou, sabe-se lá quanto tempo, nas mãos de Waldemar.

Em sua pasta, Toninho ainda mantinha o livro de ouro e quanto cada participante havia contribuído para garantir o presente para o seu grande amigo.

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