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"Tião", o homem que, sozinho, 'matou' uma banda de música inteira

A incrível história de "Tião da Banda", famoso no gabinete do prefeito de Suzano, onde ia, a cada semana, pedir dinheiro para enterrar um colega de sua corporação musical

Darwin Valente
18/11/2022 às 18:29.
Atualizado em 19/11/2022 às 16:25

Francisco Quadra Andrez, o "Ticão", fazendo pose de Humphrey Bogart, foi um dos grandes contadores das histórias de Suzano, enquanto viveu naquela cidade (Arquivo - Ariovaldo Pereira Nunes)

Francisco Quadra “Ticão” Andrez, o contador oficial de causos de Suzano, lembra  que um cidadão de nome “Tião da Banda” havia se tornado um estorvo na vida do então prefeito da cidade, Paulo Tokuzumi.

Todo mês, lá estava ele, à porta do gabinete para pedir uma ajuda de dez cruzados ao prefeito, dizendo que era para ajudar a sepultar um dos componentes de sua banda.
  
Nas primeiras vezes, Tokuzumi acreditou na conversa de “Tião” e, consternado, lhe deu algum dinheiro para o tal enterro.
  
Foi assim mais algumas vezes. Mas a boa fé do prefeito acabou fazendo com que o visitante estreitasse cada vez mais o espaço entre suas idas à Prefeitura. 

A cada semana, lá estava ele. 

Certo dia, já cheio com os pedidos, perdeu a cabeça e diante de um cabisbaixo e tristonho “Tião”, o prefeito pegou cem cruzados, olhou sério para ele e disse: 

“Volta lá, ‘Tião’! Com esse dinheiro, enterra o resto da banda. E nunca  mais volte aqui, viu?”  
A fonte secou de vez para “Tião”.
 

 O humor de Firmino na greve
Outra do “Ticão”: Firmino José da Costa era daqueles políticos populistas que não perdia um velório e colecionava afilhados e compadres por todos os cantos de Suzano. 

Aparentemente ingênuo, era esperto como poucos. 

E tinha  um grande senso de humor, como ficou comprovado durante uma greve de funcionários da Prefeitura Municipal de Suzano, num de seus três mandatos.

“Ticão” conta que naquele dia, o vereador João Módolo levou o prefeito até a sede da Câmara, onde os grevistas estavam reunidos, à espera de negociação. 

Quando subia a escadaria do prédio, Firmino notou o pessoal gritando e fazendo algazarra.  
Módolo, a seu lado, prometeu: 

“Aconteça o que acontecer, estou a seu lado até o fim, Firmino...” 

E Firmino, preocupado: 

“Até o fim da escada, né João?”

 Enchentes? Chame a Marinha!
Enchentes sempre foram problema em Suzano, como a de 1963, que cobriu a estrada do Rio Abaixo, deixando ilhados os moradores da região.

 O vereador Virgílio  formou uma comissão e foi falar com o prefeito Firmino. 

“A coisa tá feia; não passa carro, ônibus, carroça, nada. Você precisa fazer alguma coisa!”, cobrou o vereador. 

“Todos os barcos que nós arranjamos estão transportando o pessoal”, disse Firmino. 

“Mas não são suficientes”, retrucou Virgílio.

 “Precisamos ter paciência. A água vai baixar”, disse o prefeito. 

“E se não baixar, Firmino?”, interrompeu Virgílio, nervoso.

 “Se não baixar, vamos ligar para a Marinha e pedir um submarino emprestado...”- sacramentou o prefeito.
 

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