Entrar
Perfil
INFORMAÇÃO

Tesouros musicais mogianos serão apresentados na Igreja da Ordem 1ª do Carmo

Cidade conhecerá, finalmente, o conteúdo das partituras com os mais antigos registros musicais descobertos até agora no Brasil e que foram achados em Mogi; apresentação será no próximo dia 8 de setembro

Darwin Valente
30/06/2022 às 07:08.
Atualizado em 30/06/2022 às 07:23

O produtor Deo Miranda, o escritor e historiador Odair de Paula e o maestro Rubens Ricciardi trabalharam juntos na busca de informações sobre as mais antigas partituras musicais descobertas até agora no Brasil, as quais estavam em Mogi (Foto: arquivo pessoal / Deo Miranda)

A comunidade de Mogi das Cruzes poderá, finalmente, conhecer o resultado de um dos mais importantes resgates históricos da cidade e do País. No próximo dia 8 de setembro, na Igreja da Ordem Primeira do Carmo, serão mostrados, pela primeira vez, os registros musicais mais antigos do Brasil, encontrados, por acaso, num pacote com 29 folhas que serviam como enchimento para a capa de couro do Foral de Mogi das Cruzes, um documento histórico da cidade, datado de 1748. Na oportunidade, também será feito o lançamento oficial do livro “As Solfas  de Mogi das Cruzes – Edição Musical e Apontamentos Históricos, contendo toda a história  relativa ao “achado” do historiador  Jaelson Bitran Trindade, do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), durante uma pesquisa de rotina sobre a história de Mogi e região, no início da década de 1980.

O concerto e o livro são os primeiros resultados práticos do projeto “Manuscritos Musicais  do Brasil – Século XVIII”, idealizado pelo produtor cultural Wendell da Silva Miranda, o Deo Miranda, abraçado inicialmente pelo Itaú Cultural e agora também pelo Sesc, e executado em conjunto com o escritor e historiador Odair de Paula (um discípulo do nosso Jurandyr Ferraz de Campos, já falecido) e o maestro Rubens Ricciardi Russomano, da Orquestra Sinfônica da USP de Ribeirão Preto (ex-aluno do também maestro Rogério Duprat, o primeiro a fazer uma análise crítica e comprovar os documentos musicais como os mais antigos já registrados no País).

Caberá ao maestro Rubens Russomano, durante a apresentação, reger o grupo de nove músicos eruditos, encarregado de mostrar ao público mogiano o conteúdo musical das partituras, depois de um longo e detalhado trabalho de transposição para os tempos atuais das músicas cheias de símbolos que já não mais existem, além de suas traduções para a modernidade sem perda de essência e preservando até mesmo alguns instrumentos musicais daquela época.

O maestro também teve importante participação e colaboração na elaboração das 324 páginas do livro “As Solfas de Mogi das Cruzes”, no qual Odair de Paula apresenta os resultados de um trabalho de “verdadeiro detetive” – como conta Deo Miranda, numa busca frenética de informações que ultrapassou os limites de Mogi e da Capital, para chegar até a famosa Torre do Tombo, em Portugal, onde estão guardados importantes documentos ligados à história do início da colonização brasileira pelos portugueses.

O livro dirige o seu foco principal para Faustino Xavier do Prado (que em alguns momentos também é “do Prado Xavier"), um filho de comerciantes e neto de um militar do Rio de Janeiro, nascido em 1708, na "Villa de Sant’Anna das Cruzes de Moji”. O mogiano, com fortes ligações com a Igreja Católica, tornou-se padre e músico, passando a liderar o que os estudiosos atuais denominaram como “Grupo de Mogi das Cruzes”, a “colegiada” responsável por músicas que construíram a riqueza da polifonia seiscentista e pela divulgação delas na região, à época.

A apresentação na Igreja da Ordem Primeira do Carmo será o reconhecimento ao fato de as partituras terem sido guardadas durante todo o tempo no interior de suas dependências, até serem encontradas e reconhecidas pelos historiadores. O projeto “Manuscritos Musicais” ainda não está concluído. Nos planos do produtor Deo Miranda está ainda um documentário longa metragem sobre a história das partituras, suas músicas e autores, além de outros desdobramentos do grande material levantado até agora pelos pesquisadores.

Conteúdo de marcaVantagens de ser um assinanteVeicule sua marca conosco
O Diário de Mogi© Copyright 2022É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por