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Relógio solar de US$ 80 mil causa polêmica na cidade

Presente oferecido a Mogi das Cruzes pela cidade-irmã de Toyama, no Japão, foi trocado pelo prefeito por seis ambulâncias devidamente equipadas

Darwin ValentePublicado em 12/09/2021 às 08:19Atualizado há 16 dias
Arquivo/O Diário
Arquivo/O Diário

A oferta de um relógio solar feita pela cidade-irmã de Toyama, no Japão, acabou provocando uma crise político-doplomática em Mogi das Cruzes, no final dos anos 80. A confusão envolveu, é claro, o prefeito da época, Waldemar Costa Filho, o vereador Olimpio Tomiyama e outros políticos e dirigentes de entidades ligadas à comunidade japonesa.

Tudo começou  quando o prefeito recebeu uma carta do município de Toyama informando sobre a doação a Mogi de um relógio solar de 1.400 quilos, no valor de US$ 80 mil.

O gigantesco mimo seria parte das comemorações do centenário de emancipação político-administrativa da cidade japonesa e do décimo aniversário do convênio que tornou Mogi e Toyama cidades aliadas. 

Ao ler a tradução da carta, o prefeito descobriu que poderia substituir o presente, se achasse adequado. 

Waldemar não pensou duas vezes e respondeu que em lugar do relógio solar preferia receber seis ambulâncias equipadas, que o município tanto necessitava e não tinha dinheiro para adquirir.

Encaminhado ao Japão, o pedido provocou reação irada do vereador Olimpio Tomiyama que, da tribuna da Câmara Municipal de Mogi, considerou a troca do presente original “uma indelicadeza”, já que o adendo final da carta seria apenas uma “mera formalidade”, que não deveria ter sido seguida “ao pé da letra”.

Disse ainda que boa parte dos 50 mil japoneses e descendentes que integravam os cerca de 300 mil moradores de Mogi, à época, havia ficado “aborrecida” com a medida do prefeito, o qual, segundo Olimpio, deveria reconsiderar sua posição.

O assunto virou polêmica na cidade. 

O presidente do Sindicato Rural, Junji Abe - que mais tarde viria a ser deputado e prefeito mogiano - saiu em defesa de Waldemar, seu companheiro de partido. Da mesma forma que os vereadores Sethiro Namie e Pedro Komura.

A temperatura em torno do relógio solar que estava se transformando em ambulâncias subiu mais alguns bons graus quando o presidente do Bunkyo, Suehiro Kano, ficou em cima do muro. Ele via importância tanto nas seis ambulâncias como no gigantesco relógio solar, que viria desmontado, em um navio, para se transformar em uma verdadeira atração turística da cidade. 

Uma pesquisa de opinião feita pela antiga Rádio Diário de Mogi mostrou que 70% dos entrevistados eram favoráveis à troca do relógio pelos veículos.

Olimpio Tomiyama continou batendo o pé até o fim, mas Waldemar Costa Filho fez ouvidos de mercador aos argumentos do vereador.

E Toyama cumpriu à risca o que prometeu: enviou as seis ambulâncias que foram apresentadas, com uma grande festa, pelo prefeito aos cidadãos mogianos, pondo fim a mais uma polêmica da época na Cidade.

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