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Produtor cultural quer dar visibilidade para as músicas mais antigas do País, feitas em Mogi

Déo Miranda mostra planos para que as músicas compostas em Mogi das Cruzes, nos anos 20 ou 30 do Século XVIII, sejam conhecidas dentro e fora do território nacional.

Darwin Valente
21/09/2022 às 07:06.
Atualizado em 21/09/2022 às 07:10

A Solfas de Mogi das Cruzes resulta de projeto do produtor Deo Miranda, executado pelo historiador Odair Aparecido de Paula e o maestro Rubens Russomanno Ricciardi (Foto: arquivo pessoal / Deo Miranda)

Após a repercussão positiva da apresentação realizada no dia 8 de setembro passado, no interior da Igreja da Ordem Primeira do Carmo, da aula-concerto que marcou o lançamento do livro As Solfas de Mogi das Cruzes: edição musical e apontamentos históricos, com apresentação das músicas até agora consideradas as mais antigas do Brasil, encontradas no interior das centenárias Igrejas do Carmo, o músico e produtor cultural Wendell da Silva Miranda, o Déo Miranda, pretende desenvolver uma série de projetos destinados a dar maior visibilidade e reconhecimento à importância de todo material que foi incluído no livro após um demorado trabalho de pesquisa feito pelo historiador Odair de Paula e pelo musicólogo Rubens Ricciardi.

Tudo isso feito após a descoberta, em 1984, dos documentos históricos com músicas sacras e populares atribuídos ao religioso Faustino do Prado Xavier, os quais teriam sido produzidos no século XVIII, em Mogi das Cruzes.

Os planos do produtor Déo Miranda estão divididos em quatro pontos principais.

O primeiro deles é tornar o livro mais conhecido, fazendo com que a obra chegue “a mãos certas”, o mais rápido possível. O livro, com mais de 300 páginas, que traz a reprodução das músicas na forma de partituras, será encaminhada a escolas de artes, músicos e outros artistas que poderão “fazer uso real do livro”, seja apresentando suas músicas em concertos ou shows, seja divulgando seu conteúdo para que mais pessoas possam tomar conhecimento delas.

Outro plano de Miranda é promover o registro fonográfico em estúdios das músicas, executadas por uma orquestra, para que todo o material possa ser disponibilizado em plataformas de streaming musical como Deezer e Spotify, podendo ser facilmente acessado por um público muito maior.

Um documentário é uma outra vertente que vem sendo estudada pelo produtor com pessoas da área do cinema. Falta ainda uma definição sobre o roteiro ao ser adotado pelo audiovisual, que tanto poderá ter como mote a vida de Faustino Xavier, como o chamado “Grupo de Mogi”, um grupo musical do qual Xavier fazia parte e que atuava na cidade.  Além disso, outra opção seria a história dos manuscritos, considerados, até o momento, como os papéis das músicas mais antigas feitas no Brasil.

O outro plano de Miranda seria a apresentação desse repertório em concertos a serem realizados dentro e fora do País. A ideia seria excursionar com a mesma formação do grupo que se apresentou na Igreja do Carmo de Mogi, durante o lançamento do livro, com dois violinos, viola de arco, violoncelo, baixo, harpa, quatro cantores, mais o maestro. Além da América do Sul, a Europa e Japão estão nos planos para receber as apresentações

Como qualquer dessas opções exige investimentos de grande porte, o produtor Déo Miranda vai tentar buscar apoio em projetos culturais, como o do Itaú, que patrocinou a primeira fase do trabalho. Não está descartado nem mesmo o apoio cultural do governo, embora já se saiba que com o atual governo isso seria quase impossível.

Déo não esconde que gostaria de ver as músicas mais antigas do Brasil sendo apresentadas, por exemplo, dentro da Virada Cultural de São Paulo, dentro de um contexto mais popular.

O envio do livro com toda a história e com as músicas para grandes nomes da MPB (Caetano, Gil, Chico e outros), maestros como Jacques Morelenbaum, João Carlos Martins, Julio Medaglia e instituições como a Fundação Casa dos Carneiros, do cantor e compositor Elomar, poderá abrir caminhos para os planos do produtor. Seja como for, Mogi das Cruzes estará em destaque com o trabalho.

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