Entrar
Perfil
INFORMAÇÃO

Prefeito se vale do Exército para evitar fábrica poluidora em Mogi

Waldemar Costa Filho valeu-se de um plano bem orquestrado para livrar a cidade de uma indústria de produtos não ferrosos, altamente poluentes

Darwin Valente
16/10/2022 às 07:18.
Atualizado em 16/10/2022 às 07:18

Selmo Roberto dos Santos, que faleceu no inicio deste ano, deixou escrita a história envolvendo o ex-prefeito Waldemar Costa Filho, um empresário da Baixada Santista e uma empresa poluidora (Foto: arquivo)

Falecido há algum tempo,  o arquiteto Selmo Roberto dos Santos,  trabalhou por muitos anos na cidade, tempo suficiente para conviver com políticos de diferentes estilos e partidos. Entre eles, é claro, o ex-prefeito de Mogi, Waldemar Costa Filho, mais uma vez, personagem da história que é relembrada neste domingo, obedecendo o texto que Selmo enviou a esta coluna, quatro anos atrás:

“Meu primo, Nelson Pereira, que era de São Paulo, casou-se com uma gaúcha que morou na casa do senhor Vasco Faé, industrial destacado e antigo presidente do Santos Futebol Clube. 

Por conta disso,  frequentei a casa dos Faé, sempre bem recebido pela esposa, dona Vitória. Em certa ocasião , fui chamado pelo senhor Vasco, que solicitava que eu conversasse com o prefeito de Mogi à época, Waldemar Costa Filho. 

Disse-me que havia comprado um terreno perto do antigo Feital Velho Country Clube, localizado no caminho para Guararema, mais dez linhas telefônicas e iniciado a terraplenagem. Iria construir uma fábrica  e queria que o ajudasse na empreitada. 

Fui falar com o senhor Waldemar  e ele me disse que não queria na cidade aquele tipo de indústria - fabricante de metais não ferrosos - por ser excessivamente poluidora. 

O gaúcho Faé, porém, era teimoso e influente, amigo pessoal do coronel Erasmo Dias, secretário de Segurança Pública de São Paulo, e, em plena ditadura, não se deu por vencido. 

Disse que traria a fábrica para Mogi das Cruzes de qualquer jeito, mesmo que o prefeito da cidade estivesse contra o seu intento.
A disputa começou. E eu fiquei no meio do verdadeiro fogo cruzado entre Vasco Faé e o prefeito Waldemar Costa Filho. 

Era uma luta de titãs e eu pagando para ver o que aconteceria.

Até que veio o golpe de mestre, de autoria do prefeito mogiano.

Vendo que estava em desvantagem na disputa, o senhor Waldemar tomou uma decisão totalmente inesperada: decidiu doar o terreno ao lado da futura indústria poluidora para o Exército Nacional.

O local tornou-se área de segurança nacional, ao lado do qual não era possível instalar indústrias, especialmente as poluentes, como a fabricante de metais não ferrosos.

Restou, então, a Vasco Faé mudar radicalmente os seus planos em relação a Mogi das Cruzes e partir para um outro local menos complicado para montar a sua fábrica.

O local escolhido acabou sendo Pindamonhangaba, cidade do Vale do Paraíba, que possuía um plano de industrialização e aceitava qualquer tipo de empresa, mesmo aqueles altamente poluidoras.

E assim, a fábrica de Faé acabou mesmo no Vale, bem distante de Mogi das Cruzes, como queria Waldemar”. 

Conteúdo de marcaVantagens de ser um assinanteVeicule sua marca conosco
O Diário de Mogi© Copyright 2023É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por