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Prefeito e governador não se entendem durante todo o mandato

O governador Luiz Antonio Fleury Filho até que foi recebido na cidade com uma grande festa preparada pelo prefeito Waldemar Costa Filho para selar a paz entre os dois. Só que..

Darwin Valente
18/11/2022 às 18:10.
Atualizado em 19/11/2022 às 16:25

Waldemar Costa Filho recebeu o Fleury Filho com festas, ao lado de Laudo Natel; mas o período de calmaria entre o prefeito e o governador duraria muito pouco (Arquivo O DIário)

Luiz Antonio Fleury Filho, que faleceu nesta terça-feira (15), por problemas de saúde, foi um promotor público que acabou governador de São Paulo no período de 1991 a 1994, por obra e graça de seu “criador”, o ex-governador Orestes Quércia, ambos do PMDB.

Teve um período de governo marcado, principalmente, pelo massacre do Carandiru, uma desastrada invasão da Polícia Militar paulista ao maior presídio da Capital, à época, resultando na morte de 111 presos. Fora isso, pouco houve para ser lembrado, principalmente em relação a Mogi e cidades do Alto Tietê.

O mandato de Fleury no governo de São Paulo coincidiu com a quarta e derradeira passagem de Waldemar Costa Filho à frente da Prefeitura de Mogi e de Angelo Albiero Filho, no comando regional do Ciesp mogiano.

Waldemar, um malufista de primeira hora, tinha implicância com o peemedebista e quercista, segundo ele, por não ajudar a Prefeitura de Mogi.

E andava fazendo duras críticas ao governador em suas entrevistas, colocando em risco os planos de reeleição do governador, pelo menos entre os mogianos.

Angelo Albiero, amigo de Fleury da época em que ambos viveram em Porto Feliz, cidade do interior paulista, resolveu interceder para acabar com a briga entre o prefeito e o governador. 

E acabou intermediando uma aproximação entre os dois, levando para Fleury uma lista de pedidos do prefeito de Mogi, que o governador se comprometeu a atender. 

Aparadas as arestas, Waldemar preparou uma grande festa para receber Fleury na cidade e também para mostrar a sua força política ao governador. 

Lotou a área entre a praça Norival Tavares e o Cemitério São Salvador, onde foi montado um palanque onde as duas autoridades se encontraram.

Foram só elogios de ambas as partes, selando o armistício entre os beligerantes. Fleury falou para o grande público presente e prometeu muita coisa. 

“Entre eu e Waldemar não há necessidade de colocar algo no papel. Com a gente, o que vale é o fio de bigode”, disse o promotor que já havia sido secretário de Segurança do Estado, antes de chegar ao governo. 
Waldemar ouviu tudo com reservas. Sabia que o governador estava prometendo até o que não poderia cumprir. 

Mas a festa acabou, o povo aplaudiu, e Fleury se foi... só as obras não vieram.

O prefeito, já indignado com a espera, voltou a fazer críticas ao governador que não cumprira o prometido. 
Até que encontrou um meio de se vingar do amigo de Albiero.

E a quem lhe perguntava sobre as promessas do governador, especialmente nas entrevistas a rádios e jornais, Waldemar  fazia questão de repetir:

“Fleury me disse que entre nós valeria o fio do bigode, mas só depois eu fui notar que ele jamais usou bigode e nem barba. Era tudo mentira!”.

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