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Pererecas invadem prédio da Câmara e o gabinete do prefeito

Trazidas por manifestantes de um bairro que estava abandonado, elas foram soltas no plenário da Câmara e acabaram indo parar no gabinete do prefeito Firmino José da Costa

Darwin ValentePublicado em 20/08/2021 às 13:50Atualizado há 1 mês
Foto Arquivo- Ariovaldo Pereira Nunes
Foto Arquivo- Ariovaldo Pereira Nunes

“Ticão”, vereador por Suzano, tornou-se um espinho no sapato do prefeito Firmino José da Costa, político tradicional, de centenas de compadres e afilhados na cidade. 

Certo dia, na sessão, um grupo de moradores foi reclamar do abandono do bairro onde moravam e levaram, como prova,  inúmeros vidros  lotados com pequenas pererecas, capturadas por eles fora e dentro de suas casas. 

“Ticão”, imediatamente assumiu a defesa do grupo e, num discurso inflamado, segurando um daqueles vidros em cada mão, deu um jeito para que se abrissem e as pererecas caíssem e se espalhassem pelo plenário afora. 

O bichinhos logo buscaram as janelas, subindo pelas paredes externas, em direção da parte superior do prédio, onde ficava o gabinete do prefeito. 

No dia seguinte, ao chegar para trabalhar, Firmino ainda teve de conviver com as incômodas visitantes, até a chegada do pessoal da limpeza e, depois, da dedetização.

A noite do "baile fantasma"

Naquela época ainda não havia internet. E como Suzano também não tinha emissora de rádio, “Ticão” tratou de espalhar, no boca a boca, que iria fazer uma grave denúncia contra o prefeito Firmino na sessão daquela noite. 

A expectativa tomou conta do plenário, quando o vereador subiu à tribuna com um pacote nas mãos e passou a denunciar um “baile fantasma” que teria ocorrido na cidade. 

A história: a Prefeitura teria pago por um baile que, na verdade, nunca ocorrera. 

E reforçando a expressão  “baile fantasma”, “Ticão” anunciou  que iria apresentar provas do que havia denunciado. 

E, abaixando-se  atrás da tribuna, vestiu um lençol sobre a cabeça e se apresentou ao público como o “fantasma do baile”. 

As galerias, lotadas, vieram abaixo. 

“Ticão” acabava de aprontar mais uma para Firmino.

Solução para a maior enchente

Durante  a enchente de 1963, as águas cobriram toda a estrada que ia para o Rio Abaixo, deixando os moradores do bairro praticamente ilhados. 

Um vereador que morava no Sesc formou uma comissão e foi falar com Firmino. 

“Prefeito, a coisa está feia, não passa carro, ônibus, carroça, nada. Você tem de fazer alguma coisa!”

“Todos os barcos que conseguimos arranjar estão transportando as pessoas”, respondeu o prefeito.  “Mas não têm sido suficientes”, retrucou o vereador.

“Precisamos ter paciência. Vamos esperar a água baixar e...” 

E o vereador: “Mas e se não baixar, Firmino?”

E Firmino, candidamente: “Aí, então, vamos ligar para a Marinha e pedir um submarino emprestado...”

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