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Os políticos e suas obstruções intestinais

O dia em que o ex-prefeito Waldemar Costa Filho foi internado pelo mesmo problema apresentado, nesta semana, pelo presidente Jair Bolsonaro

Darwin ValentePublicado em 16/07/2021 às 18:14Atualizado há 12 dias
Foto: Arquivo O Diário
Foto: Arquivo O Diário

A recente internação do presidente Jair Bolsonaro, num hospital paulistano, para tratar de uma obstrução intestinal faz lembrar história semelhante ocorrida em Mogi. Melquíades Machado Portela, cearense dos bons, era médico de confiança do prefeito Waldemar Costa Filho que, às vésperas de um feriado, já com as malas prontas para tentar a sorte num cassino do Paraguai, o chamou a seu gabinete, reclamando de certo mal-estar na altura do estômago. 

Examinado e medicado, o paciente foi aconselhado a descansar por algum tempo num sofá da própria sala. 

Quarenta minutos depois, Waldemar se levantou, aparentemente novinho em folha, dizendo-se pronto para viajar. 

Melquíades o conteve e voltou a examiná-lo, avaliando o abdômen aumentado, apesar do desconforto diminuído. 

“Sinto muito, mas você não vai sair de Mogi”, sentenciou o médico que, apesar dos protestos, levou o paciente para o Hospital Ipiranga, para onde o diretor e vice-prefeito, Nobolo Mori, foi chamado, juntamente com o médico e vereador Evgeny Kapritchkoff. 

A pequena junta médica submeteu Waldemar a uma série de exames de raios-x que confirmaram as suspeitas. Ele era portador de uma obstrução intestinal que exigiria uma laparotomia para se saber ao certo a causa do problema. 

A “láparo” consistiria na abertura do abdômen para se conhecer o que provocara tal retenção de líquidos. 

Mais três médicos vieram se somar ao grupo: José de Alencar Pinto, Milton Cruz Filho e o anestesista Riosuke Hatanaka. 

O procedimento foi feito e descobriu-se a existência de uma espécie de bolo formado por fibras da alimentação, não digeridas por conta de um problema resultante de uma recente operação  do intestino para a retirada de uma úlcera. 

Havia sérios riscos de uma infecção intestinal, mas uma espécie de “ordenha” do intestino delgado resolveu o problema, sem necessidade de ter de se cortar parte do intestino. 

Com alta médica, Waldemar decidiu se restabelecer no apartamento do casal Leilinha e Zé Correia, sua filha e genro, no Guarujá. 

Nobolo e Melquíades, fiéis escudeiros, foram no Landau do vice, enquanto o teimoso Waldemar optou pelo seu Fusquinha. 

No topo da Serra do Mar, quando pararam para um cafezinho, começou a chover e só então o recém-operado notou que seu limpador de para-brisas não funcionava. 

“Tudo bem, você deixa o Fusca e vamos todos no Landau”, sugeriu Nobolo. 

“De jeito nenhum!”, retrucou Waldemar, já dando partida e arrancando a toda, serra abaixo. 

Nobolo pisou fundo atrás, mas a verve do piloto de kart falou mais alto. 

Waldemar chegou no Guarujá muito, mas muito antes que seus acompanhantes. 

“Vocês não são de nada!”, ainda provocou , quando os dois desceram do Landau, na frente do apartamento. 

Bem-humorados, Nobolo e Melquíades  deixaram o convalescente no litoral e voltaram para Mogi, sem entender muito bem como Waldemar havia sido tão rápido na descida da Serra do Mar, mesmo tendo saído, há menos de uma semana, da mesa de operação.

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