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Mogi necessita de planejamento para ordenar e proteger a paisagem urbana

Mogi das Cruzes precisa dispor de mecanismos que preservem o que a cidade tem de bom e avancem na direção de melhor qualidade de vida para seus moradores e possíveis investidores

DARWIN VALENTE
29/12/2022 às 07:12.
Atualizado em 29/12/2022 às 07:12

Mogi das Cruzes precisa preservar o que tem de bom e buscar, cada vez mais, aprimorar na busca de melhor qualidade de vida para seus habitantes e visitantes (Arquivo O Diário)

Não bastasse o primeiro passo dado pela Câmara na direção do “liberou geral”, autorizando mudanças na Lei Mogi Mais Viva para o retorno dos outdoors e outros tipos de propagandas que tanto mal fizeram, no passado, à paisagem urbana de Mogi das Cruzes, eis que os moradores do Nova Mogilar são surpreendidos com a enorme estrutura de um ponto comercial, devidamente autorizado para ocupar o espaço da praça Assumpção Ramirez Eroles, local de caminhadas e de convivência dos ocupantes dos prédios vizinhos.

Trata-se de mais uma agressão ao direito das pessoas à fruição da paisagem, à identificação, leitura e apreensão dos elementos que a constituem e à preservação das características específicas de uma área pública de fundamental importância para aqueles que residem ou visitam o local.

Antes de qualquer outra coisa, é preciso deixar bem claro que não se trata de oposição ou implicância com este ou aquele comércio, nem de ser contra o direito de cada um de ter o seu próprio negócio e ganhar dinheiro nesta cidade. Ao contrário, o que se cobra é um melhor ordenamento desses comércios que não precisam, necessariamente, ocupar espaços aleatórios em praças públicas ou áreas de lazer. Eles podem perfeitamente se instalar em pontos especialmente preparados para isso, até mesmo em locais de grande movimento, onde poderão obter bons lucros, mas sem interferirem nas áreas de convivência comunitária.

Não à-toa que moradores vizinhos da praça Assumpção Eroles anunciam possíveis recursos à Justiça com o objetivo de tentar barrar o comércio que poderá atrair frequentadores pouco desejados para aquela região da cidade que já sofreu, durante muito tempo, num passado recente, com abusos à Lei do Silêncio por parte de grupos que usavam o local para encontros à base de bebidas e outros aditivos, acabando com o sossego de quem desejava dormir. E não conseguia.

Questões, como da Mogi Mais Viva e dos comércios em pontos inadequados poderiam ser evitados, se Mogi das Cruzes contasse, a exemplo de algumas cidades, com um plano municipal de ordenamento e proteção da paisagem, que fosse feito por técnicos especializados no assunto e que, de algum modo, tivesse o seu conteúdo garantido contra as intervenções de cunho político, feitas quase sempre para beneficiar interesses específicos. Ações que, na maioria das vezes, nunca levam em conta o interesse maior, que é o de se ter uma cidade acolhedora e que ofereça qualidade de vida a seus habitantes.

Ou seja, um plano que garanta o atendimento ao interesse público das ações públicas ou privadas que viessem a interferir na paisagem urbana.

Infelizmente, parece ainda não existir a consciência de que uma cidade urbanisticamente ordenada representa benefícios em potencial para seus moradores e para virtuais interessados em nela viver ou investir.

E esse planejamento não deve se limitar à área mais visível da paisagem, precisa também alcançar da saúde à economia, tornando a cidade mais atrativa, inclusive com um melhor ambiente para negócios, algo que pode representar aumento da atividade econômica e de arrecadação para o município.

Sempre que esse tema é abordado, a coluna faz questão de lembrar questões correlatas, que precisam de mais atenção, como as calçadas, enterramento da fiação, mobiliário urbano e arborização adequada.

Decididamente, não é hora de se mexer em situações que ajudam a ordenar a vida na cidade. ou que agradam à maioria da comunidade. Fora disso, ainda há muito a ser feito.

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