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Histórias de romeiros e romarias no mês de outubro

Paulo Pinhal conta sobre a dúvida que o atormentou durante muito tempo: na caminhada, o melhor é usar tênis ou botas tipo cowboy?

Darwin ValentePublicado em 22/10/2021 às 17:40Atualizado há 1 mês
Divulgação - Paulo Pinhal
Divulgação - Paulo Pinhal

Por conta de 12 de outubro,  dia dedicado a Nossa Senhora Aparecida, este mês passou a ser também o das romarias. E elas envolvem muitos mogianos que vão caminhando até o Vale do Paraíba cumprir promessas ou simplesmente pelo sacrifício em homenagem à Padroeira do Brasil.

As romarias quase sempre guardam histórias. Este ano, por exemplo, o arquiteto Paulo Pinhal integrou o grupo de 220 peregrinos liderado por Geraldo Ramos Moisés, que foi para Aparecida pelo 14º ano consecutivo. Pinhal fazia a sua oitava participação na viagem a pé para o Vale e decidiu inovar:  conseguiu 600 mil sementes de girassol, a flor que representa a vida, para espalhar ao longo da Via Dutra, numa homenagem às mais de 60 mil vítimas que a Covid-19 fez no País. 

O arquiteto começou a missão sozinho, mas vendo que não conseguiria levar seu objetivo até o fim, decidiu dividir o plantio com outras pessoas do grupo. E tudo deu certo. 

E foi o próprio Paulo Pinhal  quem acabou contando à coluna uma de suas histórias de romarias, envolvendo o comerciante mogiano e ex-candidato a vereador por várias vezes, Rick, o Tchê Tchê, como é conhecido o proprietário da Loja do Cowboy, da rua Ipiranga.

Adepto das roupas que lembram os cowboys, ou vaqueiros norte-americanos, Rick costuma fazer o percurso para Aparecida anualmente. Só que com uma diferença fundamental. Enquanto a maioria dos romeiros vão a pé e voltam para casa de ônibus ou automóvel, Rick costuma ir até Aparecida e voltar também a pé para Mogi.

Pinhal conta que fazia sozinho suas primeiras viagens para  o Vale do Paraíba e que costumava encontrar com Rick pelo caminho. Até que um dia lhe bateu uma dúvida: será que o cowboy fazia o percurso de quase duas centenas de quilômetros usando tênis ou suas inseparáveis botas de couro e canos longos?

A pergunta ficou martelando na cabeça do arquiteto até o ano seguinte, já que não conseguiu encontrar o amigo para tentar tirar a dúvida. 

De volta à estrada, em mais um ano de peregrinação, Pinhal estava novamente sozinho e já era noite quando ele passava por Caçapava, e novamente a dúvida voltou a lhe atormentar. Afinal, era bota ou tênis? 

Pinhal, absorto em seus pensamentos, não notou quando alguém, em meio às sombras dos faróis dos veículo da Dutra, veio do lado aposto do caminho, diretamente em sua direção. Quando deu por si, já temendo ser assaltado, quem aparece na frente dele? 

Pois, justamente Rick, o Tchê Tchê, que voltava sozinho de Aparecida, como, aliás, ele costuma andar. O susto foi tão grande que Pinhal nem se lembrou de olhar para os pés do amigo. E só depois que ele se perdeu na noite da Via Dutra foi que a dúvida novamente voltou a lhe incomodar. 

O tempo passou e ambos nunca mais se viram, até dois anos depois, quando voltaram a se encontrar durante outra romaria para Aparecida. E Pinhal, então, tentou matar a curiosidade que  o atormentava há tanto tempo, perguntando diretamente ao Rick. Afinal, eram tênis ou botas? E a resposta não foi nem um pouco conclusiva.

“De vez em quanto eu uso tênis e de vez em quando eu uso botas”, foi a resposta que o arquiteto ouviu da boca do cowboy...

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