Entrar
Perfil
COLUNA INFORMAÇÃO

Cheques para pagar obras da Mogi-Bertioga demoravam para sair

Prefeito Waldemar Costa Filho pedia ajuda ao deputado Mauricio Najar para cobrar os recursos que viriam do governador da época, Paulo Salim Maluf

Darwin Valente
23/10/2022 às 07:27.
Atualizado em 23/10/2022 às 07:53

Dificuldades no final da abertura da Mogi-Bertioga levaram o prefeito de Mogi, Waldemar Costa Filho, a pedir ajuda a Paulo Maluf, o governador que era cobrado pelo deputado Mauricio Najar (Arquivo O Diário)

Mauricio Najar e o prefeito Waldemar Costa Filho sempre tiveram amizade, apesar de suas diferenças eleitorais.

Mas no início dos anos 80, quando a Mogi-Bertioga precisava da ajuda do Estado, era o deputado quem intermediava as cobranças dos recursos que Paulo Maluf, governador da época, enviava mensalmente para Waldemar concluir a obra, emperrada num paredão rochoso, só vencido à base muita dinamite.

“Cadê meu cheque?” - indagava o prefeito a Najar, sempre que o dinheiro demorava. E o deputado se virava nos trinta junto a Calim Eid, o secretário de Governo, ligando três, quatro vezes ao dia, ou até para o governador para conseguir liberar a verba.

Elias Martins conta que Najar, nessa época, tirava todo o gabinete da zona de conforto para atender ao amigo de Mogi.

Quando o cheque chegava, “era uma festa”, lembra ele.

“Najar fazia questão de trazê-lo, em mãos, para Waldemar, na Prefeitura”, lembra o assessor.

Distantes na inauguração 

O deputado federal Valdemar Costa Neto e o prefeito Junji Abe viviam um período de distanciamento, em que sequer se falavam.

Mas só quem acompanhava mais de perto a política local sabia.

Certamente por conta disso, ao inaugurar a sua nova sede administrativa, no bairro do Cocuera, a direção da NGK houve por bem colocar um político ao lado do outro, no evento que ocorria diante do prédio principal, como lembra José Roberto Elias Rodrigues.

Um não olhou para o outro durante toda a festividade e, logo em seguida, seguindo um velho costume japonês, foram os dois plantar uma árvore diante do novo edifício.

Entre os que sabiam da inimizade de ambos, foram feitas apostas sobre qual das árvores vingaria.

Até hoje não se teve tal resposta, mesmo que cada uma delas tivesse uma placa indicando o nome de quem a plantou...

Culpa do pessoal do Correio

Quem conta é Sebastião Nery, o “pai” do folclore político: Vereador em Itiruçu, na Bahia, estava duro. A seca tinha comido tudo.

Sem dinheiro para a feira, foi pedir ao prefeito Pedrinho.

Pedrinho brincou:

– Por que você não pede a Jesus Cristo? Ele não é o pai dos pobres?

Voltou para casa, escreveu a Jesus Cristo pedindo 50 contos.

Endereçou:

“Para Nosso Senhor Jesus Cristo”.

E pôs no Correio.

No   Correio, abriram a carta, levaram para o bar. Lá fizeram uma vaquinha, apuraram 42 contos, registraram e mandaram para o vereador.

Quando ele abriu viu os 42 contos, sentou-se e   escreveu nova carta:

“Nosso Senhor, agradeço

muito sua atenção. Recebi o dinheiro que lhe pedi. Mas  rogo o seguinte: se o senhor

for mandar dinheiro novamente, faça o obséquio de mandar em cheque, porque, dos 50 contos, o pessoal do Correio meteu a mão em 8.”

Conteúdo de marcaVantagens de ser um assinanteVeicule sua marca conosco
O Diário de Mogi© Copyright 2022É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por