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Bispo de Mogi vai representar Igreja Católica em ato contra a violência, na Sé,em São Paulo

Dom Pedro Luiz Stringhini se mostra “estarrecido” com a violência crescente no País e defende uma firme resposta da sociedade repudiando “o mau exemplo que vem de cima”

Darwin Valente
13/07/2022 às 07:05.
Atualizado em 13/07/2022 às 07:14

Bispo dom Pedro Luiz Stringhini se mostra preocupado e "estarrecido" com o crescimento da violência no País, em pleno ano eleitoral (Foto: arquivo / O Diário)

O bispo diocesano de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, será o representante da Igreja Católica no ato inter-religioso que acontecerá no próximo sábado (16), na Catedral da Sé, no centro de São Paulo, em homenagem ao indigenista brasileiro Bruno Pereira e ao jornalista inglês Dom Phillips, assassinados, na Amazônia, durante o mês passado. O arcebispo emérito de São Paulo, dom Claudio Hummes, outro defensor da Amazônia, recentemente falecido, também será lembrado durante o evento, organizado em defesa dos povos indígenas e do meio ambiente.

Numa conversa com a coluna, nesta terça-feira (12), pela manhã, dom Pedro disse que o ato acontecerá em defesa dos direitos humanos, democracia e meio ambiente, num “repúdio à violência, não mais casual, mas quase que institucionalizada atualmente no País”. O religioso citou as mortes do indigenista e do jornalista, na selva amazônica, e, no último domingo, o assassinato de um militante do PT, no Paraná.

Segundo os organizadores, o ato deverá contar com a presença de representantes católicos, anglicanos, metodistas, pentecostais, judeus, muçulmanos, baha’is, budistas, kardecistas, povos tradicionais de matrizes africanas e membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Ao falar como representante da Igreja Católica e da Regional Sul da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o bispo promete estar “em sintonia” com o espírito do ato, buscando mostrar que “estamos unidos em busca da paz concreta e da vida, da democracia e da liberdade de expressão política”, assim como “na defesa intransigente da preservação da Amazônia, que levou todas essas entidades inter-religiosas a se organizarem em busca do fim da violência e do entendimento entre os povos”.

O bispo dom Pedro disse à coluna estar “estarrecido com a violência crescente no País, sobretudo com sua institucionalização, já que o maior incentivador de tudo isso é o próprio presidente da República, o que é mais chocante”. O religioso cita a liderança de Jair Bolsonaro (PL) num processo de desmoralização das eleições, buscando armar a população, como se preparasse um golpe contra a democracia do País.

“Tudo isso é o mau exemplo que vem de cima”, afirmou o bispo, exortando a necessidade de uma “firme resposta da população, não só nas eleições, mas permanentemente”, ao defender a “não violência ativa”, que, na prática, seria um “veemente repúdio a esse tipo de orientação à sociedade”. Segundo dom Pedro, é necessário a reação por meio da “não violência ativa”, já que uma parcela da população “tem embarcado” nesse discurso de ódio e violência.

Para o bispo, está na hora de se enfrentar  e combater os reais problemas do Brasil, que são a inflação, o desemprego e a fome e não incentivar ações que venham a redundar em violência, como os casos recentemente ocorridos no País.

A iniciativa do evento na Catedral da Sé  é da Frente Inter-Religiosa Dom Paulo Evaristo Arns, em parceria com a Comissão Justiça e Paz de São Paulo e outras instituições de defesa dos direitos humanos. O ato irá contar com o coral indígena Opy Mirim, a cantora Marlui Miranda e a cantora lírica Tati Helene, além do cantor e compositor Chico César.

“Honrar a memória desses defensores de direitos humanos exige dar continuidade à sua bem-aventurada missão. Assim, devemos relatar e denunciar a violência que se impõem  sobre esses povos, exigir que sejam tomadas as providências devidas para sua proteção, e transformar todas as crenças e estruturas que dão espaço para a violência”, afirmam, em manifesto, as entidades e frente organizadoras do evento.

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