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As interrogações sobre as relações entre PL e Bolsonaro

Até quando a filiação do presidente Jair Bolsonaro poderá ser positiva para o futuro do PL e, principalmente, o de seu principal líder, Valdemar Costa Neto?

DARWIN VALENTEPublicado em 26/10/2021 às 16:44Atualizado há 3 meses
Arquivo O Diário
Arquivo O Diário

Ao convidar publicamente o presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e seguidores para se filiarem ao PL, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, pode estar jogando uma cartada decisiva para a agremiação e para seu próprio futuro político.

Num momento em que muitos partidos temem uma desidratação de seus quadros de deputados para a legenda que vier a receber o presidente da República - que ainda continua com as chaves do cofre federal em suas mãos, apesar da imagem desgastada -, Costa Neto tenta capitalizar para o seu PL a revoada de parlamentares e, ao mesmo tempo impedir que isso ocorra dentro do próprio partido.

O ingresso de Bolsonaro no PL, que a julgar pelo discurso do mais recente vídeo de Costa Neto, pode estar mais próximo do partido do que muitos imaginam,  corre o risco de se transformar na redenção da legenda em relação a um nível de poder jamais alcançado desde a sua existência.

Por outro lado,  Costa Neto deve ter pensado e analisado profundamente todos os aspectos envolvidos na possível chegada do clã Bolsonaro ao PL e os riscos que isso poderá implicar em sua hegemonia dentro do partido.

Afinal, por mais que o regimento interno do PL tenha sido modificado ao longo dos anos para assegurar a Costa Neto o comando permanente sobre a legenda, desta vez, no entanto, o liberal estará convivendo com políticos que não medem consequências para atingir seus objetivos. Portanto, há riscos que devem ser considerados, pois os Bolsonaros já demonstraram não ter muita preocupação em atingir a quem quer que seja para chegar aonde desejam. Neste momento específico, à reeleição do patriarca e chefe do clã.

O que poderá acontecer quando os interesses do grupo de Bolsonaro passarem a interferir nas questões consideradas prioritárias por Costa Neto e seus aliados? Quem terá mais força dentro da agremiação: Costa Neto e seu exército brancaleone, ou o poderoso grupo daquele que, pelo menos até as eleições, irá deter  o poder e a chave do cofre em suas mãos?

 Vamos avançar um pouco mais nas ilações: Bolsonaro consegue a reeleição. Ele continuará no PL ou irá descartar a legenda, como já fez com o PSL? 

E se for derrotado, Costa Neto conseguirá manter no partido os deputados, senadores e governadores bolsonaristas que, porventura, vierem a ser eleitos no próximo ano?

Até onde o PL pode ser útil para Bolsonaro e até onde Bolsonaro pode ser útil ao PL?

As respostas para essas perguntas podem demandar um tratado de teoria politica.

O certo é que desde que recebeu o comando da legenda das mãos de seu criador, o deputado Alvaro Valle, Costa Neto tem feito de tudo para fortalecer o partido. E tem conseguido isso, apesar de todos os percalços que teve de enfrentar pelo caminho. 

A filiação de Bolsonaro  - 50% certa, segundo um amigo de Costa Neto disse à coluna - poder ser mesmo a redenção do partido em relação ao poder. Porém, se seu presidente não for muito hábil na condução desse processo, pode significar também o risco de uma ruptura irreversível no partido que sempre foi a arma de Costa Neto no perigoso jogo da política.  

E mais: com Bolsonaro na legenda, Costa Neto não poderá  mais ir só até a beira do precipício, como disse ao presidente,  tempos atrás, caso a campanha não surtisse os efeitos esperados.

 Terá de pular junto e de mãos dadas com ele. 

Isso será bom ou ruim para os planos futuros do dono da legenda?  

Nesta relação, um tanto complicada, existem muito mais perguntas do que resposta prontas.

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