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DIFÍCIL

Mogi amplia vagas, mas segue com dificuldade para reduzir espera por creche

Já a falta de professor e de uniforme, garante o prefeito Caio Cunha, será um problema a menos para o início do ano letivo

Eliane José
07/01/2023 às 07:10.
Atualizado em 07/01/2023 às 15:03

NOVO ANO Com quase 50 mil alunos, a rede municipal promete novidades como reforma e entrega de escolas de período integral, três creches, ações para melhorar o nível de aprendizagem impactado negativamente pela pandemia, além de quadro completo de professores (Divulgação)

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Mogi amplia vagas, mas segue com dificuldade para reduzir espera por creche

Já a falta de professor e de uniforme, garante o prefeito Caio Cunha, será um problema a menos para o início do ano letivo

Eliane José
07/01/2023 às 07:10.
Atualizado em 07/01/2023 às 15:03

NOVO ANO Com quase 50 mil alunos, a rede municipal promete novidades como reforma e entrega de escolas de período integral, três creches, ações para melhorar o nível de aprendizagem impactado negativamente pela pandemia, além de quadro completo de professores (Divulgação)

O prefeito Caio Cunha (PODE) admite a dificuldade em zerar a fila de espera por creche gerada pelo crescimento populacional e a falta de unidades de ensino em regiões periféricas e de forte adensamento. Mesmo com a projeção de inaugurar três novas escolas neste ano, ele afirma que seria necessário entregar de 7 a 10 creches para acabar com o deficit estimado hoje em cerca de 2 mil vagas. “Impossível zerar não é, mas o nosso problema não é a construção de um prédio, é o custeio, que é caro”, disse. Compõe essa situação, a grande procura pelo serviço público por pais que precisam trabalhar, a expansão demográfica desacompanhada de investimentos sobretudo em bolsões de explosão populacional. 

Neste início do ano letivo, a Prefeitura prevê não repetir o drama da falta de professor registrado durante boa parte de 2022 no ensino municipal, quando as aulas presenciais voltaram para valer após o período mais crítico da pandemia da Covid-19. 

Em conversa com jornalistas sobre a educação municipal e os planos para 2024, em dezembro passado, o prefeito demonstrou preocupação com a necessidade de se acelerar o nível de aprendizagem das crianças, um fenômeno acentuado pela pandemia, e de ampliar o tempo integral e melhorar o conteúdo do ensino. 

Das três mil crianças que estavam na fila por creche quando assumiu a Prefeitura, há dois anos, segundo Caio, metade foi atendida; porém, o crescimento da população infantil na pandemia e a migração de estudantes da rede privada para a pública reposicionaram a fila com cerca de 2 mil crianças à espera de vaga. 

Questionado se há garantia de que não faltará professor no início do ano letivo, o prefeito afirmou que não é para se registrada a situação que afetou a avaliação do governo, no início de 2022 - a educação municipal sempre foi muito bem avaliada pelos mogianos. 

Para o prefeito, o vazio de profissionais na Secretaria Municipal de Educação se deu porque, entre 2020 e 2021, o ex-prefeito Marcus Melo, por imposição da legislação eleitoral, não pode homologar concursos públicos para o setor. 

Ao contrário disso, comenta, “esse ano nós contratamos mais de 470 profissionais da educação - desde professor à merendeira e hoje, depois de muitos anos, Mogi das Cruzes tem mais professor do que sala de aula, o que é um fato histórico”. Logo em seguida, Caio atenuou a informação dizendo que, “talvez tenha tido isso (mais professor do que sala de aula), lá atrás, mas esse deficit na educação vinha acumulando, há muito tempo”. 

Além desses 470 profissionais, a rede municipal, tocada por cerca de 1,4 mil colaboradores, também recebeu outros 113 professores contratados, por um processo seletivo simples e por tempo limitado, para suprir a demanda. 

A aposta é que a homologação de concurso e os contratos temporários cubram a falha que aumentou nos dois últimos anos com as aposentadorias, pedidos de exoneração e o adoecimento e morte de professores. 

Essa regularização nos quadros, além de ações, como a implantação de um novo sistema de aprendizado, aponta o prefeito, deverão combater uma das mais graves heranças da pandemia e do período de aulas online. “As crianças perderam aprendizado, perderam absurdamente, muito mesmo, durante a pandemia”, enfatizou. 

Outro empecilho que deverá ser superado diz respeito ao kit escolar, outro alvo de queixas de pais e professores. 

“Nesse ano, nós conseguimos entregamos o melhor kit escolar da história de Mogi, parece arrogância, mas é verdade, um negócio bonito demais, personalizado, com agasalho, mochila, até tênis vai ter. Os pais e crianças dando um feedback muito positivo”, comentou, lembrando que, durante a pandemia, houve dificuldades na prestação de serviços de um dos fornecedores, “e conseguimos entregar apenas duas camisetas, mas, esse ano, vai ter o uniforme completo para as crianças de Mogi”. (veja matérias com outros preparativos para a educação em 2023).

 A geração da pandemia

NOVO ANO Com quase 50 mil alunos, a rede municipal promete novidades como reforma e entrega de escolas de período integral, três creches, ações para melhorar o nível de aprendizagem impactado negativamente pela pandemia, além de quadro completo de professores (Divulgação)

O prefeito Caio Cunha (Pode) demonstra preocupação com os efeitos da crise sanitária na formação das novas gerações. A Secretaria Municipal de Educação aponta que houve um crescimento da procura por creches causado pelo aumento dos nascimentos de crianças geradas durante a pandemia.  

Outra constatação, ilustra o gestor, são as diferenças entre as crianças da era anterior à pandemia e as atuais. “Na primeira infância, a gente está tendo uma dificuldade com as crianças que nunca foram para a escola – e que estão chegando, com 4 ou 5 anos, pela primeira vez na escola. É a criança da pandemia, aquela que ficou dentro de casa, e agora você terá de mudar esse ‘mindsetzinho’ (diminutivo para mindset ou mentalidade, na tradução para o português) da criança para que ela se adapte à sociedade, e não é uma matéria fácil porque cada criança tem um tempo, uma maneira diferente de responder”, exemplifica. Mudanças no conteúdo do ensino municipal visam trabalhar com essas diferenças. 

 Mogi terá corredor tecnológico

Outras novidades na área de formação e qualificação profissional e humana estão nos planos da Prefeitura de Mogi das Cruzes. Um dos projetos a serem desenvolvidos no decorrer deste ano será a concentração de serviços ligados à Tecnologia da Informação e ao empreendedorismo no prédio II da Prefeitura, localizado na rua Francisco Franco, no Centro, onde funcionou, no passado, a Universidade (hoje, Centro Universitário) Braz Cubas.  

Neste local, uma reforma pretendida para a ampliação de cursos de formação deverá potencializar a formação de mão de obra na área de TI, uma aposta para alavancar a economia e criar vagas de emprego na cidade. Antes disso, a concentração de serviços já deverá movimentar e facilitar o acesso dos empreendedores e trabalhadores naquela região, movimentando, inclusive, o comércio das proximidades. 

O prefeito Caio Cunha, que é da área de TI, afirmou que há uma falta de profissional neste segmento em todo o Brasil. Além disso, ponderou, “os que estão aqui, estão sendo contratados para trabalhar no exterior, vão ganhar em dólar, e isso acaba criando um vácuo, uma lacuna, que nós queremos suprir em Mogi”. 

Uma das metas do governo é atrair empresas do segmento de tecnologia da informação e de dados, que não demanda de grande estrutura física e gera emprego, impostos e qualidade de vida. Esse segmento tem uma outra característica - trata-se de uma indústria que gera menor impacto ambiental e focada na gênese de novos empregos que surgem e ainda surgirão. 

“Nós estamos montando, para o ano que vem, a formação de um corredor de tecnologia, ali perto da Vila Helio, no centro. No prédio II, da Prefeitura, será inaugurado um hub, e instalaremos ali o Pipa, Programa de Inovação e Projetos Avançados, um nome criado para homenagear o Pipa, o nosso grande parceiro de projeto”. 

No segundo semestre, o prédio II irá abrigar, entre outros serviços, “o Polo Digital de Mogi das Cruzes, cursos de tecnologia, o Banco do Povo e todos os serviços voltados para o empreendedorismo, tanto na base de tecnologia e inovação, como empresas em geral”. 

Para o futuro, projeta o prefeito, a ideia é ocupar os andares superiores do antigo prédio universitário por onde passaram milhares de estudantes de áreas como o Direito e a Comunicação. 

Para isso, no entanto, o prefeito terá de buscar recursos para uma boa reforma no prédio que segue subutilizado desde que foi incorporado ao patrimônio público municipal. 

“A gente não ocupa agora porque o prédio é muito antigo e está precisando de uma boa reforma, e a ideia é usar as salas de aula para cursos e fazer ainda um condomínio de startups, de pequenas empresas e modelos de negócios novos, que estão surgindo”, lança.

 Educação muda método e o conteúdo

De olho na defasagem na aprendizagem, as escolas municipais terão novidades a partir deste ano, segundo o prefeito Caio Cunha. “Para suprir a queda no ensino porque não é a mesma coisa, de uma hora para outra, a criança aprender por aulas de vídeo, a gente está aproveitando para reformular o conteúdo e a forma de ensino”, contou. 

Esse processo será lento. “Obviamente que isso é um processo, a gente tem 48 mil alunos, não dá para você, simplesmente trocar o drive. Tem um processo a ser feito e quem está nos ajudando muito nisso é a nossa parceria com a Finlândia, por meio da embaixada no Brasil. A partir do ano que vem, começa um processo de formação dos professores”, antecipou o gestor. 

Outras novidades serão as mudanças no Ensino Integral em três escolas da rede municipal. “Nós vamos começar com três escolas, com o ensino de tempo integral, mas essa meta, não só desse governo, mas de toda a cidade, será de, no futuro, ter ensino em tempo integral em todas as escolas”. 

 Viva a escola

Basicamente, a proposta irá desenvolver temas e habilidades nos dois turnos da aula e a implantação do modelo começará nas escolas Vila Jundiapeba, prevista para entrega em 2024, além da Viva Botujuru, que será ampliada com materiais que usam a tecnologia construtiva do wood frame, que garante mais agilidade na execução do projeto com a mesma qualidade, conforma acentua Caio Cunha. Também será atendida a comunidade do Conjunto Santo Ângelo. 

 100% de internet
Outro ponto observado pelo prefeito, que estava ao lado da vice-prefeita Priscila Yamagami (PODE), foi a chegada da internet a 100% da rede municipal. Como resultado do impacto da pandemia na educação, esclareceu ele, “vimos que quem mais está sofrendo são as crianças da periferia, que não tinham acesso à internet e, hoje, a gente está com 100% de acesso à internet”, garantiu. 

 Homenagem póstuma ao Pipa

(Reprodução - Redes sociais)

O nome do conglomerado de tecnologia que irá ser instalado na região central foi criado pelo prefeito Caio Cunha em homenagem ao publicitário Rodrigo Pipa, que faleceu aos 36 anos e foi uma das vítimas da Covid-19 em abril de 2021. Homem de confiança do prefeito, com quem trabalhou desde os tempos da vereança, na Câmara Municipal, Pipa foi uma das vítimas da doença próxima do prefeito. Em homenagem a ele, foi criado o nome Programa de Inovação e Projetos Avançados, o Pipa, que está para sair do papel. O publicitário atuou na campanha eleitoral e teria sonhado com a vitória de Caio, na véspera da eleição, segundo lembrou o prefeito em homenagem após a morte dele, nas redes sociais. (E.J.)

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