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ENEM 2022

Estudantes deverão chegar aos locais de provas até às 13h deste domingo

Ao contrário de anos anteriores, a prova deverão ser tranquila, já que a organização do evento funcionou a contento.

Agência O Globo e O Diário
13/11/2022 às 12:32.
Atualizado em 13/11/2022 às 12:33

Depois de três edições com intercorrências, o exame tem tudo para ser o mais bem-sucedido do atual governo (Reprodução)

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ENEM 2022

Estudantes deverão chegar aos locais de provas até às 13h deste domingo

Ao contrário de anos anteriores, a prova deverão ser tranquila, já que a organização do evento funcionou a contento.

Agência O Globo e O Diário
13/11/2022 às 12:32.
Atualizado em 13/11/2022 às 12:33

Depois de três edições com intercorrências, o exame tem tudo para ser o mais bem-sucedido do atual governo (Reprodução)

Neste domingo, os estudantes participam do primeiro dia de provas do Enem 2022. Os portões dos colégios onde as provas serão realizadas devem se fechar às 13 horas.

Os estudantes devem apresentar documento original com foto, caneta esferográfica de tinta preta em material transparente e deverão levar lanche e água,além deo cartão de confirmação da inscrição.

Depois de três edições com intercorrências, o exame tem tudo para ser o mais bem-sucedido do atual governo. A mudança de rota no final do mandato não foi por acaso. Em agosto, o governo nomeou o servidor de carreira Carlos Moreno para o presidir o Inep, responsável pela prova, para tentar pacificar o órgão. A medida foi tomada após turbulências causadas pelo comando do ex-presidente Danilo Dupas. No ano passado, às vésperas do Enem, quase 40 coordenadores deixaram seus cargos com denúncias a Dupas. A lista de exonerações gerou uma atmosfera de caos em torno da última edição.

Com a chegada de Carlos Moreno os ânimos foram acalmados. O quadro técnico do Inep trabalha para realizar um Enem sem falhas e cacifar o atual presidente da autarquia para continuar à frente do órgão durante o governo de Lula. A expectativa é que a prova transcorra com normalidade, sobretudo após a liberação das estradas que estavam bloqueadas por manifestantes antidemocráticos. Havia preocupação de que os bloqueios golpistas prejudicassem a distribuição das provas.

Este ano, foi preciso adequar questões que foram descartadas em antigas testagens para que a prova tivesse apenas itens inéditos. Isso porque, até a gestão de Moreno, considerado um decano no instituto, o governo Bolsonaro nunca havia aberto processo para a criação e testagem de novas questões para o Banco Nacional de Itens (BNI), que reúne os exercícios utilizados nas avaliações feitas pelo Inep. A chegada do novo presidente destravou a produção de itens, que embora seja cara e demorada é extremamente necessária para a manutenção do Enem. O trabalho não viabilizará o fornecimento de itens para o Enem deste ano, mas resolverá o problema para 2023.

Servidores consideram que o governo eleito terá o desafio de recompor quadros técnicos no instituto para garantir o sucesso das atividades, entre elas o Enem. Isso porque, durante o governo Bolsonaro, postos-chave do instituto foram ocupados por pessoas sem experiência na área. O desmonte de quadros do Inep também é uma preocupação do grupo da transição. Na quinta-feira, a Associação de Servidores do Inep (Assinep) participou de reunião com membros da transição do governo e abordou o tema. A Assinep vai elaborar um documento com diagnóstico sobre o órgão e propostas para enviar ao grupo de transição. Em relação à presidência do Inep, colaboradores da transição não descartam a permanência do atual presidente, mas afirmam que ainda é muito prematura essa discussão.

Governo Lula

Principal porta de entrada para o ensino superior público brasileiro, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) chega hoje à sua última edição sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro deixando uma série de desafios, que devem se alongar por anos, para o próximo governo. A equipe do novo Ministério da Educação (MEC) terá a missão de adequar a prova aos parâmetros da reforma do ensino médio até 2024. Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o tema está no radar do grupo de transição que discute educação, assim como a necessidade de elevar o número de participantes na prova, que no ano passado teve o menor contingente de candidatos desde que virou vestibular, com 2,1 milhões de estudantes presentes.

Servidores do Inep, membros do Conselho Nacional de Educação (CNE) e as próprias escolas estão preocupados com o atraso da formulação da matriz curricular do Novo Enem, já que os processos ficaram estagnados durante o governo Jair Bolsonaro. Para Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann, o desafio é grande e o debate deve começar logo, já que a mudança “requer uma prova mais inteligente e que não é igual para todo mundo, para valorizar as trilhas”.

— O Andreas Schleicher, que coordena o PISA, fala que, na briga entre currículo e avaliação, a avaliação sempre vence. Isso é relevante porque, se não mudarmos o Enem, o ensino médio não mudará. Temos um grande desafio técnico, porque a forma pela qual o Enem estiver estruturado determina como as escolas vão se organizar — avalia.

Membro do grupo que colabora com a área de educação na transição, o ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) Chico Soares afirma que o problema já foi diagnosticado, mas ainda não houve discussões sobre como será feita a reformulação, uma vez que a equipe só se reuniu uma vez até o momento. As reuniões da área de educação ainda devem ter a participação de entidades representativas do setor, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

— Precisaremos de uma reflexão razoavelmente rápida para se definirem os rumos, seja do ensino médio, seja do Enem. Algum tipo de mudança é necessária, mas a grande direção do Enem está bem estabelecida, que é uma prova da formação geral básica e um segundo tipo de prova que é mais específica — explica Soares. 

—Nesse instante, embora o Enem vá acontecer neste fim de semana, não existe clareza no grupo que estava na discussão sobre o que deve ser feito, mas existe a de que alguma coisa deve ser feita rapidamente. Imagino que o novo governo vai ter de enfrentar essa questão, porque é impossível o estudante não saber exatamente em cima de que vai ser avaliado. No momento, se reconhece o problema, mas ainda não há uma proposta.

Em tese, alunos que estão hoje no 1º ano do ensino médio serão os primeiros a fazer o novo Enem em 2024. Por isso, as escolas têm reclamado que, sem a matriz construída, elas estão em “voo cego”. A reforma do ensino médio foi aprovada em 2017, e as mudanças mais significativas começam a valer neste ano. Entre os pontos que já devem ser colocados em prática, está a divisão do conteúdo em áreas do conhecimento: Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; Linguagens e suas tecnologias; Ciências da Natureza e suas tecnologias; Matemática e suas tecnologias. Além disso, a partir de 2023 as redes devem oferecer os itinerários formativos e ficará a cargo do aluno escolher em qual deles desejará aprofundar sua formação.

— O Enem de 2024 só poderá acontecer reformulado se as matrizes forem divulgadas logo para que, a partir delas, seja organizado o banco de itens do novo Enem — afirma Maria Helena Guimarães, da Associação Brasileira de Avaliação Educacional e ex-presidente do Conselho Nacional de Educação.

Queda de participantes

Em entrevista ao GLOBO nesta semana, o líder de educação na transição, ex-ministro Henrique Paim, afirmou que o grupo ainda não está concentrado no Enem neste momento. A reportagem apurou, no entanto, que um dos pontos que geram incômodo no governo eleito é a queda vertiginosa de participantes no exame. O índice mede quem de fato compareceu à prova, uma vez que o estudante pode se inscrever, mas não ir. Em 2014, durante o governo Dilma Rousseff, o exame alcançou maior número de participantes desde que foi criado em 1998, com 5,9 milhões de candidatos fazendo a prova. A partir de 2016, o quantitativo começou a cair, chegando ao menor índice desde 2009, quando o Enem virou vestibular.

A leitura é de que, além do impacto da pandemia, o governo atual não priorizou o Enem e esvaziou o exame, o que fez com que os estudantes perdessem o interesse em prestar a prova. Diante desse cenário, há a necessidade de retomar o protagonismo do Enem. No ano passado, o número de participantes desabou após uma exigência do governo para conceder gratuidade a estudantes de baixa renda que faltaram em edições anteriores. O edital exigiu justificativa de ausência na edição 2020, que ocorreu em meio à pandemia de Covid-19, o que restringiu a gratuidade a milhares de estudantes. O Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a exigência e determinou a reabertura das inscrições, mas ainda assim, o número de participantes foi baixo.

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