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COPA DO MUNDO

Você vai reunir a família e os amigos para assistir aos jogos da Copa do Mundo?

O Diário ouviu uma psicóloga, que acredita que ainda esteja muito forte o sentimento de idolatria ao futebol, e também um escritor apaixonado pelo esporte, que vê menos entusiasmo neste ano

Heitor Herruso
18/11/2022 às 15:14.
Atualizado em 19/11/2022 às 16:21

Para psicóloga, ainda é muito forte o sentimento de idolatria ao futebol; para escritor, entusiasmo está mais fraco neste ano (Divulgação)

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COPA DO MUNDO

Você vai reunir a família e os amigos para assistir aos jogos da Copa do Mundo?

O Diário ouviu uma psicóloga, que acredita que ainda esteja muito forte o sentimento de idolatria ao futebol, e também um escritor apaixonado pelo esporte, que vê menos entusiasmo neste ano

Heitor Herruso
18/11/2022 às 15:14.
Atualizado em 19/11/2022 às 16:21

Para psicóloga, ainda é muito forte o sentimento de idolatria ao futebol; para escritor, entusiasmo está mais fraco neste ano (Divulgação)

Começa neste domingo (20) a Copa do Mundo 2022, no Catar. Em todo o mundo, principalmente no Brasil, deve-se repetir a clássica cena que é vista a cada quatro anos: amigos, familiares e colegas de trabalho, inclusive gente que não gosta muito de futebol, todos reunidos para assistir às partidas.

Segundo o estudo ‘Quem Torce Também Joga’, da agência de pesquisa de comportamento Apoema, 62% dos brasileiros vão torcer ou acompanhar os jogos da seleção brasileira, enquanto 71% dizem acreditar que nosso País será o campeão da competição. 

A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, Angelita Devequi Rodrigues Traldi, explica que o Brasil tem aspectos peculiares quando se trata da competição e de futebol, o que faz com que tenhamos a tendência a seguir o comportamento de “manada” e torcer também.

“Somos historicamente reconhecidos no mundo como o país do futebol; e por muito tempo, mesmo ainda hoje, é muito forte o sonho de muitos meninos brasileiros de ascender socialmente sendo jogadores do esporte. Além disso, a modalidade é associada em nossa cultura à superação, um momento de união em que todos estão juntos por um mesmo objetivo. Como o ser humano é um ser essencialmente sociável, a competição acaba sendo como um evento de catarse coletiva”, explica a psicóloga.
Apaixonado por futebol, escritor, comunicador, palestrante e professor formado em História e Pedagogia, com pós-graduação em Formação Desportiva e Ensino para Jovens e Adultos, André Martinez, de Mogi, comenta o assunto.

“Normalmente assistimos na minha casa, com minha família (pai, irmãos, minha noiva). Dificilmente eu assisto fora de casa, só se porventura eu estiver fora, o que é extraordinário”, conta André, que é uma enciclopédia humana e sabe, de cabeça, detalhes de todos os torneios.

Nas épocas de maior entusiasmo com a Copa, como em 1998 ou 2002, André recebia mais de 10 pessoas em casa. A televisão ligada, a carne na brasa, a cerveja gelando. Mas “com o tempo o número foi caindo, foi ficando mais o pessoal de casa mesmo”.

Ele explica que, há algumas competições, a “Copa era muito mais do que só um torneio esportivo. Era uma atmosfera muito grande, um sentimento nacionalista. O jogo do Brasil servia como pretexto para uma reunião social, algo extremamente cultural para o brasileiro, quando as pessoas eram dispensadas mais cedo do trabalho ou da sala de aula”.

André resume bem: “A gente se sentia em condições de estar entre as maiores forças do mundo”.  E o sentimento toma conta de quem não curte futebol. “É o patriotismo, o amor ao Brasil, que acaba aflorando nessa época. Algo tradicionalíssimo e forte. Somos o país que mais copas conquistou”, continua, admitindo que neste ano, não está tão empolgado quanto gostaria.

“Enxergo a Copa hoje muito em segundo plano com relação a outras questões que estão acontecendo no Brasil. A gente deu azar de ela estar acontecendo em novembro, pela primeira vez na história, e perto das eleições, que foram as mais polarizadas do Brasil. Tudo isso está tirando um pouco o foco”. 

APAIXONADO POR FUTEBOL Ouvido pela reportagem, André Martinez é escritor, comunicador, palestrante e professor formado em História e Pedagogia, com pós-graduação em Formação Desportiva e Ensino para Jovens e Adultos (Divulgação)

Para André, que iniciou na literatura em 2006, lançando de forma independente o livro “Top 10 Timão” e desde então já lançou 20 livros, vendendo ao todo mais de trezentas mil cópias, não só por aqui, mas em países como Portugal, Angola, Alemanha, Canadá, Chile, EUA e Japão, o país deve sentir diminuição no total de pessoas que assistem à Copa.
De fato, o movimento ainda está devagar, mas já começa a acontecer. O Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes (Sincomércio) divulgou que o comércio deve fechar no horário dos jogos do Brasil em Mogi e a Prefeitura também terá funcionamento diferenciado.

E, devolvendo a fala à psicóloga Angelita Devequi Rodrigues Traldi, não é apenas durante o campeonato mundial de futebol que esse comportamento se repete, em maior ou menor intensidade. Na avaliação dela, cada um a sua maneira, outros eventos importantes como as Olimpíadas e datas comemorativas como o Carnaval, Páscoa, Natal, Reveillon e até datas comerciais como a Black Friday movimentam as pessoas.

“Em comum, todas elas têm características como atividades e rotinas realizadas coletivamente, além de aspectos emocionais. São datas que costumam nos fazer relembrar momentos e pessoas importantes do passado: um parente que gostava de acompanhar os jogos, um amigo que decorava a casa para torcer, reuniões em família, entre outras situações que podem despertar o desejo de comemorar em grupo com quem temos afinidades”, explica.

Angelita faz, ainda, uma última comparação. “O comportamento de torcer pode ser comparado, à tendência que temos em assistir filmes e séries e ler livros que amigos e conhecidos também estão consumindo, por exemplo. É uma forma de pertencer a um grupo social. Nesse sentido, os álbuns de figurinhas do torneio são um exemplo de atividade coletiva que aproxima e une as pessoas em grupos de pertencimento”, afirma ela.

 Impacto econômico

A competição deste ano inicia amanhã, dia 20 de novembro, no Catar, país árabe de pouco mais de 2,8 milhões de habitantes, localizado no continente asiático. O torneio representa investimentos de cerca de 200 bilhões de dólares para construção de estádios, centros de treinamento e obras de infraestrutura como estações de metrô, tudo para receber estimados 1,2 milhão de turistas vindos de diversos países para assistir aos jogos.

O evento deve ainda movimentar, além das redes dos campos de futebol, a economia brasileira: a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que os setores de comércio e serviços terão um incremento de R$ 1,48 bilhão em vendas, 7,9% a mais em comparação com a última competição, realizada em 2018.

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