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INVESTIMENTOS

Valtra vai ampliar fábrica de Mogi e investir em trator de alta tecnologia

Agfe questiona a formação de pessoal especializado para atender ao novo mercado de trabalho, cobra mais condições de mobilidade na cidade e segurança na rodovia Mogi-Dutra

Darwin Valente
16/07/2022 às 07:23.
Atualizado em 16/07/2022 às 07:41

(Arquivo O Diário)

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INVESTIMENTOS

Valtra vai ampliar fábrica de Mogi e investir em trator de alta tecnologia

Agfe questiona a formação de pessoal especializado para atender ao novo mercado de trabalho, cobra mais condições de mobilidade na cidade e segurança na rodovia Mogi-Dutra

Darwin Valente
16/07/2022 às 07:23.
Atualizado em 16/07/2022 às 07:41

(Arquivo O Diário)

A fábrica de tratores da Valtra, em Mogi das Cruzes, deverá ser ampliada para se transformar em uma das unidades mais tecnológicas do grupo em todo o mundo. A promessa foi feita durante esta semana, em Brasília, por diretores da empresa no Brasil e pelo alto comando do grupo Agco, um dos maiores fabricantes e distribuidores de máquinas agrícolas e tecnologia de agricultura de precisão, ao anunciar investimentos de R$ 340 milhões em suas unidades no Brasil, boa parte deles na fábrica localizada no distrito de Braz Cubas, que já iniciou a busca de espaço em locais com melhores condições de mobilidade no município para colocar em prática o ambicioso projeto de ampliar a capacidade de montagem de tratores da linha pesada na unidade de Mogi.

(Arquivo O Diário)

No plano anunciado pelo gerente geral AGCO e vice-presidente da Massey Ferguson América do Sul, Rodrigo Junqueira, a meta é “transformar a fábrica de Mogi em uma das unidades mais tecnológicas do grupo em todo mundo”, conforme disse ele, devidamente avalizado pelo chairman, presidente e CEO da Agco, Eric Hansotia, que esteve no Brasil especialmente para o anúncio dos investimentos.

Junqueira foi encarregado de informar aos jornalistas o projeto de ampliação da área da unidade de Mogi dos atuais 42 mil m² para 57 mil m², o que explica a preocupação da empresa em buscar  um terreno fora dos limites já totalmente ocupados da empresa, em Braz Cubas, para receber o futuro centro logístico inteligente para armazenamento de peças dotado de veículos guiados automaticamente, os conhecidos AVGs, além de robôs colaborativos.

A esperada descentralização da fábrica poderá ser o passo decisivo para que a Valtra venha a produzir as versões nacionais dos Fendt Vario 900 e MF 8700 S Dyna –VT, tratores modernos e dotados de condições tecnológicas de ponta, destinados a facilitar cada vez mais a vida dos produtores rurais e, mais que isso, garantir segurança, qualidade e velocidade para o agronegócio.

“Nosso objetivo é transformar a fábrica de Mogi em uma das mais tecnológicas do grupo no mundo”, afiançou Junqueira aos jornalistas, durante a entrevista coletiva para a imprensa especializada.

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“Os agricultores enfrentam hoje uma pressão significativa para produzir mais alimentos usando menos insumos. Estamos comprometidos em fornecer as tecnologias inovadoras de agricultura de precisão que eles precisam para aumentar a renda agrícola, minimizando os insumos e o impacto”, conforme afirmou o presidente Hansotia, da companhia que detém as marcas Fendt, Massey Ferguson, Precision Planting e Valtra.

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O grupo Agco informou ainda investimentos a serem feitos na fábrica de Ibirubá, que também será ampliada para produzir a plantadeira Momentum.
A empresa demonstrou ainda grande preocupação com o meio ambiente ao anunciar que a partir deste ano, suas operações no Brasil utilizarão somente energia de fontes renováveis. Tal medida deverá ser aplicada em nove unidades da empresa no país, entre fábricas, centros de distribuição e escritórios, que consomem 42 mil MWh por ano. 

As alterações deverão contribuir, de maneira positiva, para as metas de redução da intensidade das emissões de gases do efeito estufa em 20%, buscando alcançar 60% de energia renovável nas operações globais.

Interrogações

Economista Claudio Costa (Arquivo O Diário)


Para o diretor executivo da Agência de Fomento Empresarial (Agfe), economista Claudio Costa, a “excelente notícia para a nossa cidade” é algo que Mogi não recebe há 25 anos, desde a instalação da unidade da General Motors, no bairro do Taboão.

Costa também acredita que este é o momento ideal para uma reflexão mais aprofundada em relação à cidade que está prestes a receber um investimento desse porte. O economista enumera uma série de questões a serem avaliadas por autoridades e pela comunidade em relação ao assunto:

“A cidade está preparada para esse investimento?”, indaga Costa, que questiona ainda se “nós estamos formando mão de obra para absorver mais de 1.500 empregos que podem ser gerados a partir dos anunciados planos de investimentos da Valtra na cidade?”.

Ao lembrar que o anúncio da empresa prevê a instalação em solo mogianode um centro tecnológico de desenvolvimento de produtos, à base de engenharia e tecnologia de ponta, Costa questiona o que as universidades estão fazendo para formar mão de obra especializada para trabalhar nestas áreas que exigem pessoal de alto nível. Ele  conta que ainda nesta sexta-feira esteve conversando com um dos dirigentes da UMC, Luis Carlos Tati, buscando incentivar a instituição a vir a público para dizer o que é oferecido para a formação desse pessoal especializado.

O economista diz que é preciso pensar no impacto que ocorrerá na sociedade. “O jovem que está hoje querendo escolher uma carreira, será que não vale a pena ele fazer um curso de Engenharia Mecânica  e se preparar para essa oportunidade que vai chegar junto com os investimentos da Valtra?” – diz Costa, lembrando ainda que  junto com os novos empreendimentos da fábrica de tratores  chegarão também  os fornecedores que também exigirão mão de obra especializada.

Para o diretor da Agfe, “o  trator Fendt Vario 900 é o melhor do mundo e possui muita tecnologia em sua estrutura. “Nós estamos preparando mão de obra  para produção com esse tipo de conhecimento?” – volta a questionar.

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Claudio Costa dá um exemplo para justificar suas indagações. Segundo ele, na última grande contratação do grupo Agco na cidade, durante o ano passado, não havia mão de obra disponível na cidade e a empresa foi buscar gente qualificada que estava  trabalhando como motorista de Uber na Capital.

Depois de propor a mobilização da comunidade em torno de universidades e escolas técnicas, citando nominalmente a Etec Presidente Vargas, e universidades, o diretor da Agfe  volta seu questionamento para o setor público: “Que obras estamos realizando na cidade para melhorar a logística de acesso e tudo mais? Que ambiente acolhedor estamos gerando?”. Ele  lembra que no momento em que se anuncia um investimento como esse, “a Mogi-Dutra virou uma base de assalto  caminhões de carga, uma questão de segurança.” 

E conclui: “Então, nós temos de sentar e tentar entender tudo e buscar resolver todos esses gargalos da cidade. Esta é uma grande oportunidade, a qual precisa ser aproveitada da melhor forma”.

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