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COMÉRCIO

Marilys fecha na Paulo Frontin, após 36 anos, neste sábado (11)

Tradicional loja de moda masculina, feminina e infantil encerra as atividades presenciais com liquidação das peças, mas seguirá com vendas online; região central perdeu uma das lojas Americanas

Eliane José
08/06/2022 às 15:12.
Atualizado em 09/06/2022 às 17:55

A Paulo Frontin perde a Marilys, assim como ocorreu com outras lojas da vizinhança nos últimos tempos (Reprodução/Google Maps)

Por razões como a pandemia, o alto custo de tributos e obrigações fiscais e trabalhistas, além de circunstâncias pessoais, a loja Marillys Magazine, um das mais antigas da rua Paulo Frontin, encerra as atividades neste sábado (11) e se manterá, por agora, exclusivamente com as vendas online.

As roupas em estoque estão sendo vendidas com até 50% de desconto nesta semana.

Em um dos sobrados com fachada de mais destaque na via do comércio tradicional da região central, a Marilys, especializada na moda feminina, masculina e infantil, fecha as portas após 36 anos, segundo os proprietários, os comerciantes Hiro e Roseli Cardoso Pereira.

Há mais de um ano, a marca já vinha comercializando seus produtos por meio do Mercado Livre (no endereço da ABK Modas) e do contato com o público em suas redes sociais. Deverá permanecer assim, pelo menos, no futuro próximo.

Não apenas o baque logrado pela pandemia, segundo Hiro, determinou a decisão - embora, tenha contribuído para o fechamento. Roseli conta que ambos já estão aposentados, residem em Guararema, e decidiram que era chegada a hora de reduzir a carga de trabalho. "Talvez, quem sabe, abrimos uma loja lá", aventa ela.

Um dos mais antigos comerciantes da rua Paulo Frontin está fechando a loja nesta semana (Arquivo O Diário)

Além disso, Roseli admitiu que pesou o mesmo contexto que os pequenos e tradicionais comerciantes têm enfrentado: o alto custo da atividade formal no Brasil. Essa loja funcionava em um imóvel alugado, na Paulo Frontin, um dos corredores comerciais que já cobrou um dos preços mais altos do mercado de locação de imóveis comerciais pela concentração de lojas concorridas (o que mudou, com o passar do tempo, com a descentralização dos polos de vendas, inclusive, nos distritos da cidade).

O estabelecimento chegou a ter 75 funcionários, no passado, e outros endereços, na própria Paulo Frontin. Hoje 5 trabalhadores ainda eram mantidos no endereço.

"A nossa decisão já tinha sido tomada, mas a pandemia acelerou os planos", disse. As vendas online, acrescentou, têm surpreendido. Contribuiu para a migração, a redução dos custos.

A comerciante afirma que as lojas mais antigas, inclusive outras na mesma rua das proximidades, fecharam ou reduziram o espaço de vendas, em consequência das mudanças no setor comercial. Questionada se o futuro será o comércio popular tocado pelas grandes redes, Roseli resume: "É uma tendência porque elas (as redes) têm capital  e facilidades para reduzir os custos". Outra constatação, descreve a comerciante, é a chegada de um consumidor mais jovem, "que compra quase exclusivamente pela internet".

Um das características da Marilys foi a oferta de um crediário próprio, mantido pelos carnês com a logomarca em azul. O pagamento a prazo será praticado, em seis vezes, mas pelo cartão de crédito, nas vendas online.

Saudades

Ao comunicar aos clientes o fechamento, o casal Cardoso tem ouvido o lamento de muitos consumidores. "Há pessoas que compraram com a gente, desde o enxoval, às roupas para os bailes da escola, do colégio e da faculdade. Muitos lamentam o encerramento e nós recebemos isso como um sinal de missão cumprida, que fizemos, nesses anos, amigos".

Baixa

Desde a pandemia, comércios antigos fecharam as portas de vez, e também estabelecimentos de redes - a Americanas, por exemplo, fechou a unidade da avenida Fernando Pinheiro Franco, e manteve a existente em frente à Praça Oswaldo Cruz. Outros nomes muito conhecidos que fecharam no período foram Bola 7 e Cantina Luna Rossa. 

Jair Mafra, presidente do Sindicato dos Comerciários de Mogi das Cruzes, o Sincomérciário, afirmou que há fechamentos pontuais, que surpreendem, mas também a abertura de lojas e supermercados. "Há uma movimento de acomodação, com lojas abrindo, e outras fechando", comentou.

Apesar dos desligamentos do setor, a maioria (quase 6 mil postos), logo depois do início da pandemia, em 2020, Mafra nota que a recomposição das contratações está ocorrendo na cidade. Outro indicador, disse ele, é que há admissões informais, e que escapam dos índices oficiais, como o Caged. "O chão de loja sofreu com a pandemia, mas não parou de gerar empregos".

  

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