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MERCADO E MARCAS

Fábrica da KC de Mogi comprada pela Suzano gera 700 vagas; aposta é de expansão

Anúncio gera expectativa positiva entre os papeleiros porque a empresa tem planos para setor de higiene

Eliane José
25/10/2022 às 16:53.
Atualizado em 26/10/2022 às 20:09

Sindicato do Papel de Mogi das Cruzes e Região afirma que unidade de Mogi da KC tem cerca de 700 funcionários (Divulgação)

O anúncio da aquisição da fábrica de Tissue da Kimberly-Clark no Brasil, localizada no bairro do Cocuera, em Mogi das Cruzes, e da marca Neve, pela Suzano, diz respeito ao trabalho de cerca de 700 colaboradores diretos, segundo afirma o presidente do Sindicato do Papel de cidades do Alto Tietê, Márcio Cruz, o Bob. 

Tissue é o nome dado aos produtos fabricados por papéis de baixa gramatura, de boa flexibilidade, maciez e rápida absorção usados na higiene pessoal (papel higiênico, guardanapo, lenços de papel e facial e outros).

As marcas fabricadas pela KC são amplamente usadas e conhecidas do público como Neve, Scott e Kleenex - ficaram fora da mesa de negociação os setores de fraldas infantil e adulto e absorventes femininos.

A unidade mogiana da KC, inaugurada em 31 de dezembro de 1997 na rodovia Mogi-Salesópolis, está perto de completar 25 anos e passará para as mãos da gigante Suzano, que opera na cidade de mesmo nome na região do Alto Tietê, e em outras municípios brasileiros, e também é referência global na fabricação de bioprodutos a partir do cultivo de celulose.

Para Márcio Cruz, a definição da compra da planta mogiana da KC pela Suzano amplamente divulgada em sites especializados em economia e papel foi recebida com tranquilidade e um certo alívio, porque era pública a disputa pelos ativos, divulgada há algum tempo no segmento de papel e celulose.

"A Suzano é uma empresa já consolidada, considerada a maior fabricante do mundo de fibra curta de eucalipto e já conhecida do Sindicato do Papel. Nós, poderíamos ter maiores dificuldades se a venda fosse para alguma outra empresa, como as da Ásia, que possuem uma cultura de trabalho muito diferente da nossa, o que seria um desafio", disse o sindicalista, que está há 6 anos na presidência da entidade que representa os trabalhadores em Mogi das Cruzes, Suzano, Ferraz de Vasconcelos e Poá - esse polo possui uma base com cerca de 5 mil papeleiros atualmente.

Márcio Cruz ainda não teve acesso pormenorizado aos planos da Suzano, mas adiantou que, o projeto é de expansão das atividades no segumento de tissue, o que poderá significar a ampliação da planta de Mogi das Cruzes, inclusive com a geração de vagas de emprego ou invés de redução do quadro.

A entidade sindical deverá acompanhar os desdobramentos da compra e venda a partir de agora. Aliás, o assunto ocorre no período de negociação salarial da categoria.

O sindicalista comentou que a empresa está em expansão na Região Sudeste, o que favorece o segmento no futuro próximo.

Cruz não acredita na promoção de demissões, mas prevê ajustes no comando e no período de transição entre as detentoras das marcas, o que terá início após o "cumprimento de condições precedentes, tais como a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)", conforme trouxe nota à imprensa da Suzano sobre a aquisição confirmada nesta segunda-feira (24).

A fábrica de tissue de Mogi das Cruzes tem a capacidade instalada de 130 mil toneladas anuais de Tissue, e a marca Neve. É conhecida como KC pelos mogianos.

Márcio Cruz afirmou, ainda, que ambas empresas - Suzano e KC - possuem pesos equivalentes em quesitos como inovação, produção e relações de trabalho.

A compra não inclui as demais unidades da Kimberly-Clark instaladas em Suzano e nem o Centro de Distribuição em Mogi das Cruzes - as duas plantas fabril e o CD são ligadas a outras categorias profissionais, químicos e comércio.

Sem comentários

O Diário questionou a assessoria de Comunicação da Suzano sobre os planos para a unidade deMogi e, sobretudo, sobre a preservação de vagas de emprego no endereço conhecido por quem passa pela rodovia Mogi-Salesópolis, pouco depois de cruzar com a NGK do Brasil e a Sociedade Agrícola de Cocuera.

Sobre esse assunto, em específico, a empresa lembrou que o negócio ainda depende de aprovação do CADE, e encaminhou, a seguir, a mesma nota sobre a aquisição que pode ser lida no final desta reportagem.

Em alta

O setor de papel e celulose, bem como de papel ondulado e outros artefatos registrou alta de produção desde o início da pandemia, quando o setor foi considerado essencial pelo governo federal e houve um aumento de produção, amparado pelo crescimento do consumo de alguns itens e mudanças de comportamento, como a expansão do comércio por delivery.

"A pandemia impulsionou a produção, embora não tenha havido um aumento das contratações no setor", comentando, lembrando que o segmento também passa por mudanças na operação humana para a as máquinas e robôs. Então, houve uma manutenção nos quadros de emprego porque nessa área, entre outras coisas, exige mão de obra qualificada. 

Em junho deste ano, em artigo assinado no Tissue Online, um site especializado nesse setor, Felipe Quintino, CEO da Nexum Group, enfatizou o bom momento do segmento, recorrendo dados divulgados pela Fortune Business InsightsTM.

Segundo essa fonte, globalmente, o setor de papel tissue atingiu US$ 76,52 bilhões em 2021, o que equivale a R$ 361,80 bilhões; e a projeção era de que esse valor aumente de US$ 80,99 bilhões em 2022 para US$ 124,74 bilhões daqui a sete anos, 2029.

"No Brasil, os números também confirmam as tendências de crescimento, com potencial para subir de R$ 9,08 bilhões, em 2021, para R$ 10,5 bilhões, em 2026. As projeções impressionam e – apesar de ambiciosas – estão alinhadas às tendências mundiais e à forte escalada que as áreas de saneamento básico e higiene terão no mundo pós-Covid. O potencial é gigantesco e quem conhece o mercado vê as infinitas avenidas de crescimento", considera Quintino.

Confira a nota da Suzano à imprensa:

"A Suzano, referência global na fabricação de bioprodutos desenvolvidos a partir do cultivo de eucalipto, anuncia hoje a aquisição do negócio de Tissue da Kimberly-Clark no Brasil. A operação envolve uma fábrica localizada em Mogi das Cruzes (SP), com capacidade instalada de 130 mil toneladas anuais de Tissue, e a marca Neve.

A transação está sujeita ao cumprimento de condições precedentes, tais como a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Cabe destacar que a referida aquisição não impacta a saúde financeira ou o nível de endividamento da Suzano.

A união do negócio de Tissue da Kimberly-Clark no Brasil com a operação de bens de consumo da Suzano apresenta complementariedade de categorias de produtos e de geografia. A Suzano atua sobretudo nos mercados de papel higiênico, toalhas de papel e guardanapo. Já a linha de produtos da Kimberly-Clark conta com papéis higiênicos, guardanapos, lenços umedecidos, lenços de papel e wipes secos. As linhas de fraldas infantis e adultas e absorventes femininos não foram incluídas na negociação.

“A operação está alinhada a uma das avenidas estratégicas da Suzano, que consiste em avançarmos nos elos de nossa cadeia. A complementariedade de categorias de produtos e de geografia nos permitirá melhorar ainda mais o serviço prestado para diferentes clientes e oferecer um portfólio mais completo aos consumidores de todo o Brasil”, afirma o diretor executivo de Bens de Consumo e Relações Corporativas da Suzano, Luís Bueno.

A Suzano possui sólida presença nas regiões Norte e Nordeste, enquanto a Kimberly-Clark opera principalmente na região Sudeste. O mercado nacional de papel higiênico conta com a participação de mais de 50 players, entre empresas nacionais e internacionais.

A Suzano ingressou no mercado de bens de consumo em 2017, ano em que concluiu a construção de duas fábricas de Tissue, em Mucuri (BA) e em Imperatriz (MA). No mesmo ano, anunciou a compra da Facepa, empresa que operava unidades em Belém (PA) e Maracanaú (CE). O mais recente investimento da Suzano nesse setor ocorreu em 2021, quando a companhia concluiu a construção de uma fábrica em Cachoeiro de Itapemirim (ES).

Sobre a Suzano

A Suzano é referência global no desenvolvimento de soluções sustentáveis e inovadoras, de origem renovável, e tem como propósito renovar a vida a partir da árvore. Maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo e uma das maiores produtoras de papéis da América Latina, atende mais de 2 bilhões de pessoas a partir de 11 fábricas em operação no Brasil, além da joint operation Veracel. Com 98 anos de história e uma capacidade instalada de 10,9 milhões de toneladas de celulose de mercado e 1,4 milhão de toneladas de papéis por ano, exporta para mais de 100 países. Tem sua atuação pautada na Inovabilidade – Inovação a serviço da Sustentabilidade – e nos mais elevados níveis de práticas socioambientais e de Governança Corporativa, com ações negociadas nas bolsas do Brasil e dos Estados Unidos. Para mais informações, acesse: www.suzano.com.br"

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