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ENTREVISTA PARA O DIÁRIO

Chef Jacquin serve e defende a feijoada em seu novo boteco, em parceria com a Helbor

Ao abrir boteco com a própria grife, no Espaço Helbor, na capital, o cozinheiro fala sobre o futuro, pandemia e da feijoada

Eliane JoséPublicado em 15/10/2021 às 17:34Atualizado há 2 meses
Helio Norio/Divulgação
Helio Norio/Divulgação

Com um indefectível terno creme, broche na lapela, e olhos atentos ao seu interlocutor, o chef de cozinha Érick Jacquin atendeu jornalistas durante a abertura do Espaço Helbor, na avenida Faria Lima, na capital, no dia 7. Em menos de meia hora, discorreu sobre planos e memórias pessoais, a pandemia e o Brasil, além do prato daquele dia, a abertura do primeiro boteco com o nome dele, que já está funcionando e servindo uma típica feijoada, com carne de porco, pé e rabo. Perto de completar 57 anos, a maior parte deles vividos no País, o francês naturalizado brasileiro garante que está de portas abertas a todos os que sonham e mesmo não tendo o dinheiro para comprar uma BMW, estão aptos a conhecer de perto uma maravilhosa máquina dessas, tomar uma cerveja e saborear um croquete preparado pelo chefe amado pelos brasileiros.  “Por que não?”,  provoca a celebridade ao recordar fatos da trajetória de quem após falir está tocando novos negócios.  Confira alguns trechos da conversa com o chef:

 O tempo da pandemia

Está chegando um momento que as pessoas se sentem mais seguras com a vacina, estão diminuindo os números de casos da Covid, e, graças a Deus, o pessoal se cuida mais. As pessoas estão cansadas de ficarem presas, a confiança está voltando aos poucos com as decisões dos políticos, e também com a própria decisão das pessoas de garantir uma segurança para a saúde. As pessoas precisam se divertir, sair um pouco, ninguém viajou, ninguém saiu faz tempo, precisa, né? É uma oportunidade grande de o mercado nacional crescer, então, eu acho que o pessoal precisa de coisas novas, de oportunidades novas, de um lugar diferenciado, esse aqui é uma coisa nova, um boteco moderno, é um cardápio de boteco, mas, ao mesmo tempo, esse lugar nasceu para ser brasileiro, não para ser um restaurante francês, ou outra coisa.

O espaço do antigo Octávio Café, onde está o Espaço Helbor

A arquitetura desse prédio é extraordinária, é uma arquitetura bem brasileira, dos anos 1990, que  é  mundialmente reconhecida. Esse prédio é extraordinário, parece um pouco Brasília. Esse espaço não é esse lugar nasceu para ficar, ele vai morrer porque nasceu para durar,  viver três anos (prazo previsto para o início de um dos novos projetos da Helbor neste endereço da Faria Lima). 

Tem muita gente aque que está muito preocupada, perguntando, nós vamos abrir e vamos ficar? Não, esse prédio não vai ficar, mas ao mesmo tempo isso é bonito porque a gente tem um tempo determinado para fazer sucesso. É preocupante e até triste, mas é desse jeito.

Qual será o público do Boteco do Jacquin?

Isso aqui é um lugar marcado para fazer história, está na Faria Lima, é a quinta avenida, em Nova Iorque, ter o meu nome nessa avenida é maravilhoso, só colocar uma placa com o seu nome na Faria Lima é fantástico porque é um lugar super conhecido. Quando você fala sobre o Octávio Café, todos têm uma história aqui, e, se você sobe essa rampa (para o segundo pavimento) está marcado esse nome. A gente não tirou porque esse lugar está marcado na história. Você entra em um táxi, e fala Octavio café, como eu fiz, o taxista sabe onde te levar, eu não falei Faria lima, e nem o Boteco do Jacquin.

O que tem no menu

Faz 27 anos que eu estou no Brasil, me naturalizei brasileiro, então pensei: está na hora de mostrar que tem uma parte minha, que é brasileira. Por isso, pensei vou fazer um boteco brasileiro, uma comida brasileira, e é uma maneira de demonstrar que eu sei fazer uma comida, simples, gostosa, boa, bem feita, saborosa. Por isso eu fiz esse boteco porque a minha carreira foi feita mais no Brasil do que na França. Aqui tem um equipe maravilhosa, que trabalha comigo e eu, o presidente, mas, aqui será o meu bebê.

O que o público terá?

A coisa maravilhosa que a gente vai fazer será uma feijoada aos sábados e quartas-feiras. A tradição da feijoada se perde com o tempo, muita gente quer fazer a feijoada light, dividida, não pode isso, não pode aquele, não vai um negócio desse ou daquele. Uma feijoada sem gordura, aqui, não, será uma feijoada verdadeira, com pé, com rabo, com caipirinha, com caipirosca, com tudo. Me desculpa, mas não existe feijoada vegetariana, existe feijoada com porco. Eu concordo que tem gente vegetariana, que tem gente light, mas, aqui não, aqui, será o que a pessoa gosta. Também vamos ter café da manhã, em breve, e vamos trabalhar de manhã até à noite.

O peso da pandemia

Tudo o que acontece, tem um lado positivo. Pesou perder amigos, perder muita gente, esse lado da saúde foi muito pesado, lógico, perdemos muita gente nessa pandemia, isso foi muito pesado.  Já passei por coisas muito ruim nessa vida, coisa péssima, e digo, você não pode nunca baixar o braço.

Uma alegria, chef?

Uma alegria é isso, ver tanta gente aqui, tomando um café, comendo um croissant, discutindo no futuro, fazendo planos. 

Quem o chef espera?

Aqui, nós teremos um público corporativo por causa das marcas de luxo, mas, espero o público de sonhadores, que  são as pessoas que sonham. Aqui tem uma bela moto da BMW, que muita gente não pode comprar, com certeza,  mas o cara que quer sonhar, que quer comprar um cocrete e tomar uma cerveja, por que não? Então isso que eu quero, eu quero um sonho.

Eu me lembro lá em Paris, ainda moleque, eu quis comprar um terno sob medida, eu entrei e perguntei o preço, o homem passou o preço. Desculpa, eu falei, é muito caro. Esse senhor me respondeu, não é caro, o senhor é que ganha pouco, eu ri e saí de lá e falei, é isso, é a realidade, eu disse tchau, até logo (sorrisos). Na realidade, esse cara está certo, eu tenho de mudar. Não é que é caro o trabalho dele, é o trabalho dele, tem um preço dele, e pode ser que um dia eu possa comprar. Mas é verdade, a vida é assim mesmo, o  cliente vai atrás do que ele quer comer. Ninguém escolhe o seu público, os clientes é que escolhem onde gastar o seu dinheiro e, aqui, todos clientes serão bem-vindos, desde que sejam educados, não sejam vulgar, sejam boa gente, podem entrar. A porta está aberta.

O que espera do Brasil no ano que vem?

A gente depende muito do secretário, do ministro da Saúde, depende muito da saúde das pessoas para saber quando vai melhorar, se a vacina vai ser boa. Deve ser um ano positivo, eu sou muito positivo, eu acho que ano que vem, será tudo bem, mas há uma coisa, se você  olha na rua,  como tem pessoas nas ruas, eu estou aqui há 27 anos, e nunca teve tanta gente assim. Isso é preciso olhar. A gente não pode deixar ninguém de fora.

A única coisa que me preocupado é que tem muita gente na rua, parece parece 30 anos atrás, tem gente na rua porque ele quer, mas tem gente que quer ficar na rua, mas hoje, não, não quer ficar na rua. Isso é muito grande e precisa mudar, cuidar.

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