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Diário Empresarial

Por que a maioria fracassa?

Será que nos apaixonamos pela trajetória que nos levará a ter o sustento e a satisfação que tanto desejamos?

Por Marcelo OrtegaPublicado em 19/07/2021 às 10:58Atualizado há 10 dias
Reprodução
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Neste mundo maluco em que vivemos hoje, quase ninguém sabe bem para onde vai. Mesmo os mais centrados, não sabem ao certo se escolheram a carreira ou a empresa certa. Tudo é provisório, incerto, dependente de inovações e questões financeiras. Trabalhamos para ganhar dinheiro, garantir o futuro, realizar nossos sonhos. Mas será que nos apaixonamos pela trajetória que nos levará a ter o sustento e a satisfação que tanto desejamos?

Estou na minha terceira carreira, porque já fui músico, vendedor e hoje sou palestrante, se é que isso é trabalho. Outro dia, me perguntaram no aeroporto, se além de palestra, eu trabalho?

Respondi cabisbaixo, não: só dou palestra mesmo (risos). No entanto, esta provocação gerada pela pergunta me fez repensar o que realmente me trouxe até aqui e acredite, não foi assim tão simples responder. O fato é que gostar de pessoas me colocou nos palcos, nas salas de reuniões e nos palcos de novo, agora sem um instrumento musical.

Falar com gente foi a grande motivação, dentre todas as que tenho e tive. Adoro mesmo, sem ser uma questão de ego, mas de foro íntimo, propagar aquilo que aprendo, com um jeito que considero especial e eficaz, por que ensinar não é pra qualquer um.

Tem gente com muito mais conhecimento que não consegue explicar quase nada a outra pessoa, porque não tem paciência, didática, vontade. Por outro lado, eu também era um pouco assim, quando comecei esta carreira, de palestrante. Me faltava técnicas de oratória, de venda de ideias, de como fazer as pessoas experimentarem novos conhecimentos, não apenas ouvi-los. Por isso, decidi que seria o melhor treinador, não apenas comunicador. De tanto errar, ganhei experiência para fazer cada dia melhor o meu papel de educador, que por um acaso, faz palestras.

A verdade é que uma carreira que completa este ano 2 décadas, não nasceu por acaso, só por vontade ou sonho. Ele é o resultado de extrema persistência na correção de erros, e de um mundo de outras vivencias, como as de quando eu tocava e festas e em bares em São Paulo, sobretudo, quando carregava pasta ou comandava centenas de vendedores e coordenadores de venda nas multinacionais por onde passei.

Mas por que muita gente no caminho fracassou e não andou comigo nesta trilha de sucesso? Porque a maioria não quis corrigir erros e abrir mão de velhos hábitos. Porque não fazia sentido para elas, mesmo que fossem sonhadoras dos mesmos sonhos que eu.

Chega de achar que um ser humano tem mais sorte que o outro. Chega de julgar que todos somos iguais e é tudo uma questão de oportunidade.

Sorte e oportunidade andam juntas, quando existe vontade e preparo.

Todas as pessoas fracassam porque é preciso fracassar. Experiência se adquire tomando decisões erradas. Errar é necessário, doloroso, custoso e provoca um terrível sentimento de derrotismo. Mas se o seu olhar, em especial, no mundo comercial for positivo, apesar de tudo, existirá uma renovação interior, um gás poderoso, uma fome de vencer que não se cria na vitória.

Aos 11 anos tocava bateria num pandeiro, pois era tudo que me pai podia comprar. Nele eu via o chimbal e ainda conseguia tirar o som do bumbo. Decidi ali me divertir com o que tinha.

Nesta época decidi construir um carrinho de carregar papelão. Depois fiz um upgrade para um carrinho de doces, porque não tinha porte físico para carregar carrocinhas de papelão. Sei que deve estar pensando no quanto era horrível se eu tivesse virado um catador de papelão, mas como criança, não havia preconceito, pois para mim era um trabalho como outro, e aliás, independente, com flexibilidade de horários, e com uma remuneração até bacana, já que investiguei isso indo ao lugar que comprava o papelão que os catadores vendiam.

O carrinho de doces, no entanto, foi muito mais legal, porque meu público era as crianças, em sua maioria. Vendia numa rua de volta da escola. Quem o fez para mim foi o Pereira, meu avô. E minha mãe, comprava os doces no depósito, porque ela sempre incentivou em mim este lado empreendedor e do trabalho. Trabalhar era o único modo que via de ajudar de fato, porque as contas na gaveta, presas no grampo grande, eram cada vez maiores.

Mas, os amiguinhos da vizinhança não entendiam meu comportamento, já que morávamos num bairro chique e eles não tinham que trabalhar. Só tocavam seus teclados e guitarras, no estúdio de um deles. Era ricos, sorte deles. Eu não, sorte minha. Porque a minha vontade era ter minha matéria, com chimbal, caixa, tom tons, surdo, bumbo e pratos.

Aos 13 anos, fui trabalhar numa loja de instrumentos musicais, e parte do meu salário, era para minha batera. Depois de 6 meses de trabalho lá estava ela, ocupando quase o quarto todo onde eu dormia com meus irmãos.

Aí comecei em vendas, como assistente numa corretora de seguros. Aliás, vale dizer que o primeiro emprego em vendas foi aos 12 anos, ajudando minha tia Tania, que era representante da Marisol. É o primeiro registro de minha carteira de trabalho.

De lá para cá, passei por mais de 15 empresas, muitas de renome internacional. Me formei engenheiro, com pós em Marketing, e virei uma espécie de referência no mundo comercial, com mais de 10 publicações, dentre estas 3 best-seller na área vendas, gestão e motivação.

Fiz questão de contar esta historinha ao começar este livro, para que saibam de onde eu vim, sem querer me gabar sobre como e onde consegui chegar. Mas garanto, que me orgulho muito da minha trajetória, cheia de erros, frustrações, desapegos, mudanças físicas e de amigos, que me ajudaram mesmo me atrapalhando, a ser uma pessoa que prova a si mesmo todos os dias, que o sucesso é uma equação de fracassos, sofrimentos, desilusões neutralizadas com a coragem pela mudança, pela dor, pela superação, que são frutos do que experimentamos e aprendemos.

Fracasse logo, muitas vezes, corrija a rota, se afaste dos que atrapalham e siga em frente. Tenha quantas carreiras quiser. Vale a pena cada experiência.

Marcelo Ortegaum dos mais requisitados palestrantes e treinadores de equipes de vendas na atualidade. Mais de 20 anos de carreira, assistido por 1 milhão de pessoas aprox. Autor do best seller Sucesso em Vendas, dentre outros livros importantes. Para contratar Marcelo Ortega, palestras e treinamentos híbridos (presenciais e/ou online)www.marceloortega.com.br