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Diário Empresarial

Precisamos debater o ensino profissionalizante

"Não adianta comprar máquinas se não tenho profissionais para operá-las”

Cláudio CostaPublicado em 29/07/2021 às 19:40Atualizado há 2 meses
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Estamos em plena retomada econômica com 50% dos segmentos da economia com um crescimento robusto comparado ao período antes da pandemia. Os outros 50% estarão retomando no curto espaço de tempo a medida que a imunização atinga um patamar seguro.

O problema, que não é de agora, é a escassez de mão de obra qualificada que impede com que as empresas façam investimentos para aumentar sua capacidade de produção e atender as demandas do mercado aquecido. Resumindo, “não adianta comprar máquinas se não tenho profissionais para operá-las”.

O problema é generalizado a ponto de o governo federal começar a se mexer na busca de alternativas que possam minimizar esta situação adversa.

Em uma pesquisa divulgada recentemente mostrou que os jovens que não trabalham nem estudam, os chamados “nem-nem”, cresceram na pandemia, mais pela deterioração do mercado de trabalho para esse grupo do que por aumento da evasão escolar. Segundo pesquisa divulgada recentemente pela FGV Social, a percentagem de pessoas de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham aumentou para 25,52% no quarto trimestre de 2020, ante 23,66% no fim de 2019. Ao longo do ano passado, esse número bateu recorde, atingindo 29,33% no segundo trimestre. O ponto mais baixo da serie, iniciada em 2012, foi no trimestre de 2014, com 20,78%.

Estes dados mostram a urgência e a importância de se tratar de forma prioritária o panejamento e execução de como preparar melhor os jovens para sua entrada no mercado. É um tema que periodicamente volta a ser debatido na academia, por representantes de várias áreas do governo e por organizações não governamentais voltadas para a educação. Mas efetivamente pouco se faz e a questão se torna ainda mais relevante diante da retomada do crescimento económico que se desenha, segundo os indicadores macroeconómicos mais recentes. Sem ensino profissionalizante que os ajudem no início da carreira, o país terá novamente gerações de jovens à margem do mercado de trabalho.  

Recentemente, representantes do Governo Federal fizeram críticas ao chamado sistema “S” dizendo que teria chegado o momento do chamado sistema S contribuir com recursos para programas de inclusão de jovens carentes no mercado de trabalho. Afirmou ainda que do total arrecadado pelo sistema, em torno de R$ 20 bilhões anuais que o governo pede R$ 6 bilhões para esses programas. Ou seja, 30% do total. Os representantes do sistema S reagiram, lembrando que oferecem hoje educação básica para mais de 900 mil jovens e a CNI afirma que no Senai, 7 de cada 10 dos formados nas suas escolas encontram-se empregados um ano após a conclusão Técnica.

O mais importante e aproveitarmos o momento para uma avaliação mais aprofundada de como melhorar e aumentar os programas de formação técnica, regionalizando de acordo com a vocação de cada Estado e Município. Porém, precisa sim, de um estreitamento maior entre as diversas entidades envolvidas de maneira a criar um grande programa vocacional que estimule os jovens a buscar oportunidades de trabalho e renda junto as indústrias de maneira geral. Lembrando sempre que as indústrias puxam a economia parra cima levando com ela os setores de Serviços, Comercio e infraestrutura e sem esquecer que só o agronegócio brasileiro não será capaz de gerar um PIB suficiente para minimizar a pobreza e as desigualdades sociais do Brasil.

Cláudio Costa - Economista, Empresário e Diretor Executivo da AGFE

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